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domingo, 19 de outubro de 2014

Meditação - Terceiro Mistério Gozoso - O Nascimento do Menino Jesus em Belém



editamos do Terceiro Mistério Gozoso o cumprimento da promessa de Deus, que nos enviou o Messias, Jesus Cristo, o Salvador do mundo. O Verbo de Deus se encarnou, se fez homem. Contudo, quis ser igual a nós em tudo, menos no pecado. O Doce Menino Jesus agora contempla o mundo a sua volta e recebe os afagos de Maria e São josé, mas é apenas uma criança, que chora ao sentir fome e sorri em retribuição ao amor e carinho sem limites. Que sonhos teria tido o Menino quando balançado nos braços de sua mãe ? Teria chorado muitas vezes, vendo as "cruzes" no percurso de sua vida ?  Certamente, assim o cremos. Ele via, ouvia e sentia todas as coisas, mas não podia externar os seus sentimentos como uma criança que faz o uso da razão, para satisfazer o ciclo natural das coisas. Assim, aceitou a vontade do Pai, em vir ao mundo, ser alimentado como toda a criança, aprender a balbuciar as primeiras palavras e dar os primeiros passos. Jesus precisará ainda de 30 anos para que fale de si mesmo. Enquanto isso, falam por Ele os profetas. O último dele, São João Batista. Para melhor entender os fatos, vamos a reflexão de D. Fouad Twal:

"Nós ficamos maravilhados com a identidade única desta criança admirável. Por um lado, ele parece-se com crianças da sua idade, com as nossas próprias crianças, que nós amamos e vemos crescer, amadurecer e aumentar em conhecimento e bondade. Nasceu pobre, viveu pobremente e escolheu livremente não se atribuir privilégios. Sentiu o cansaço, o sofrimento, o frio, a fome, a sede, o medo, a perseguição, a fuga e, mais tarde a morte e o sacrifício dele próprio: porque ele quis ser um verdadeiro “filho do homem” partilhando com todos nós os nossos sofrimentos e as nossas esperanças, feliz por ser um entre nós, aceitando a atenção e os gestos de ternura maternal de sua Mãe, contentando-se com o que a Virgem Maria e S. José lhe davam como alimento ou vestuário.

Por outro lado, ele não é como as outras crianças. Nasceu de uma mãe virgem. É o Verbo de Deus e Filho do Pai. O seu nome anunciado pelas profecias messiânicas foi Emanuel ou “Deus connosco”. Nos nossos ouvidos ressoam ainda as palavras de Isaías: ”Uma criança nasceu, um filho é-nos dado (…); chamar-lhe-ão Admirável Conselheiro, Deus poderoso, Pai eterno, Príncipe da paz” (Is 9,5-6)

Detenhamo-nos em seguida nas razões da Encarnação. Ele nasceu para os pobres, os oprimidos e os que sofrem, assim como para os simples, os homens correntes que não perderam a esperança em Deus: ele veio para os transgressores e os pecadores. Ele quis dar ao homem a sua humanidade, e ao pecador a sua bondade e a sua inocência, assim como a imagem de Deus deformada pelo pecado. Ele quis interiorizar os preceitos e as leis, fazendo da religião não uma série de dictats, mas a expressão do amor para com Deus. Em vez do amor da Lei ele proclamou a lei do Amor: “Amai-vos uns aos outros!” Eis o sonho desta criança: que todos os serem humanos sejam irmãos porque têm um só Deus e Senhor, que é o Pai universal que tem compaixão por todos e se preocupa com todos! Ele veio reconciliar o céu de onde provinha com a terra que o acolheu! Ele veio reconciliar o pecador com o seu Criador e o homem consigo mesmo e com o seu irmão; ele veio transformar os inimigos em amigos. 

Por isso Isaías previu os tempos messiânicos. “O lobo viverá com o cordeiro, a pantera deitar-se-á ao lado do cabrito. O bebé brincará na toca da víbora. (Is 11, 6-8a). Trata-se de símbolos de universalidade e de reconciliação onde a justiça e a paz serão a parte de todos os seres humanos. O anúncio do Anjo aos pastores de Belém constitui essa realização: “Anuncio-vos a boa nova….Hoje nasceu-vos um salvador que é o Cristo Senhor…” (Lc 2, 10-11). (...) Temos necessidade de um momento de silêncio e oração. Olhemos o Menino de Maria e escutemo-lo: “Felizes os mansos pois possuirão a terra; felizes os artesãos da paz pois serão chamados filhos de Deus, felizes os que têm fome e sede porque serão saciados.” (Mt 5)

Oh! Menino de Belém, que conheceste com a tua mãe e o teu pai adotivo a pobreza e o exílio no Egito, fugindo à crueldade de Herodes, liberta-nos de todos os tiranos deste século e faz de nós um santuário onde renoves constantemente o teu nascimento, a fim de sermos testemunhas do teu Amor!

E tu, Maria, nossa Mãe, que prodigalizaste as tuas atenções maternais ao teu Divino Filho, protege todas as crianças do mundo de todo o mal e coloca nos seus corações as sementes da fé, da esperança e da bondade.

(...) Que o dom da paz que o Senhor prometeu a todos “os homens de boa vontade”. (Lc 2,14). Amen!

D. Fouad Twal Patriarca Latino de Jerusalém
Extraído de Agencia Ecclesia
www.agencia ecclesia.pt

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