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domingo, 27 de novembro de 2016

1o. Domingo Tempo de Advento - 27 Novembro 2016

Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 2,1-5)
1Visão de Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém. 2Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, 3para lá irão numerosos povos e dirão: “Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos”; porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor. 4Ele há de julgar as nações e argüir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices; não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate. 5Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.

Salmo 121)
Que alegria, quando me disseram:
“Vamos à casa do Senhor!”
Que alegria, quando ouvi que me disseram:
“Vamos à casa do Senhor!”
E agora nossos pés já se detêm,
Jerusalém, em tuas portas.
Para lá sobem as tribos de Israel,
as tribos do Senhor.
Para louvar, segundo a lei de Israel,
o nome do Senhor.
A sede da justiça lá está
e o trono de Davi.

Rogai que viva em paz Jerusalém,
e em segurança os que te amam!
Que a paz habite dentro de teus muros,
tranqüilidade em teus palácios!
Por amor a meus irmãos e meus amigos,
peço: “A paz esteja em ti!”
Pelo amor que tenho à casa do Senhor,
eu te desejo todo bem!

Leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm 13,11-14a)
Irmãos: 11Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. 12A noite já vai adiantada, o dia vem chegando; despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz.13Procedamos honestamente, como em pleno dia; nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. 14Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

Aleluia, aleluia, aleluia! (Sl 84,8)
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
E a vossa salvação nos concedei!

Evangelho - São Mateus (Mt 24,37-44)
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: 37“A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. 38Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. 39E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. 40Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. 41Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. 42Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43Compreendei bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”.

1. Primeiro Domingo do Advento 
inicia-se um novo Ano Litúrgico, aquele arco de tempo no qual a Igreja celebra e torna presente na Liturgia todo o mistério de Cristo, da Encarnação à sua Vinda gloriosa. >> O centro do Ano é o Domingo, dia em que os cristãos celebram a Ressurreição do Senhor. Durante o ano, em dias estabelecidos, celebra-se também a vitória de Cristo na Bem-aventurada Virgem Maria e nos santos que foram conformados a Cristo nesta vida e já estão com ele na glória.

Eis os tempos do Ano Litúrgico: Advento (preparação para o Natal), Natal (celebração da manifestação do Senhor na nossa humanidade), Quaresma (preparação para a Páscoa), Páscoa (celebração anual e solene da paixão, morte e ressurreição do Senhor), Tempo Comum (período ordinário no qual se celebra dia após dia a presença viva do senhor em nosso meio).

2. A palavra “advento” 
Significa “vinda”, “chegada”. O Advento é composto por quatro semanas nas quais a Igreja prepara a celebração da Vinda do Senhor.

As duas primeiras semanas se concentram naquela Vinda no final dos tempos, já pregustada na Liturgia. A partir do dia 17 de dezembro, a atenção detém-se na Vinda do Senhor na nossa humana natureza, no mistério do Natal.

«Eis a voz do meu Amado! Ele vem correndo pelos montes... Meu Amado é meu e eu sou dele!» Estas palavras da esposa do Cântico dos Cânticos exprimem o sentimento da Igreja: É o Filho eterno que vem, desposando nossa humanidade no mistério da Encarnação. «Porque Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único» (Jo 3,16) para ser o Esposo da humanidade, o Salvador do mundo.

«Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos» (1,1-2). Deus já não nos manda um mensageiro, um intermediário, um presente... Ele vem pessoalmente no seu Filho, vem ele mesmo ser o Emanuel, o Deus-conosco! Por isso o homem pode ter a certeza que não mais está só, não mais pode se sentir desamparado, esquecido, perdido... apesar de tanta dor e sofrimento ainda existentes no nosso mundo!

3. Os sentimentos de Alegria

Os sentimento que nos devem orientar nas quatro semanas do Advento são: A vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos íntimos apelos no nosso coração. A conversão, procurando abrir-nos de verdade ao Senhor e consertar nossos caminhos, andando nas estradas do Senhor, para seguir a Jesus rumo ao Reino do Pai. O testemunho da alegria que Jesus nos traz, através de uma fé firme e convicta, de uma caridade paciente e carinhosa, de uma esperança viva, firmada na total confiança na fidelidade de Deus.

A pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel. A alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que ele não falhará. Mais que o vigia esperando pela aurora, a Igreja espera o seu Senhor.

4. Recomendações da Santa Igreja para o Tempo do Advento 

A Igreja recomenda a leitura e meditação do Livro do Profeta Isaías.

5. Liturgia do Advento 

Tem-se os seguinte sinais: A cor roxa, recordando a sobriedade de quem vigia e espera ansioso; As flores na Igreja são usadas com moderação, também como sinal de expectativa; Não se canta o «Glória» na Missa, na expectativa feliz de cantá-lo na Noite Santa do Natal do Senhor.

6. Salvação para o Povos

O profeta Isaias anuncia que a salvação virá de Israel, simbolizado aqui pelo Monte do Templo, Casa do Senhor. Identifique na leitura os seguintes elementos: Esta salvação inaugurará os últimos tempos (= tempos definitivos do cumprimento da salvação) Será para todos os povos. Trará a paz para toda a humanidade. Para acolhê-la é preciso converter-se, deixar-se guiar pela luz do Senhor.

Agora, esteja atento: o Monte Sião, Jerusalém, o Templo são imagens e profecias da Igreja, a da terra e a do céu (uma só Igreja em dois estágios diferentes). Assim, a profecia de Isaías se cumpriu e está se cumprindo e estará plenamente cumprida no final dos tempos. Com a primeira Vinda do Senhor iniciaram-se os últimos tempos, os tempos definitivos. A Igreja, verdadeiro Monte Sião, Templo de Deus, já atrai a si todos os povos, pois dela sai a Palavra e a verdadeira Lei, que é o Cristo nosso Deus.

7. A Vigilância 

São Paulo nos recorda a necessidade da vigilância, pois o mesmo Senhor que veio virá em glória. Identifique na leitura os seguintes elmentos: Devemos despertar do sono da preguiça espiritual e do pecado. Vai passando a noite deste mundo; em breve brilhará a luz da eternidade, a luz do dia. Este Dia não é um dos nossos dias, mas o Dia eterno, o Dia sem fim, que é o Cristo nosso Senhor, Dia e Sol que não tem ocaso. Isto requer do cristão uma contínua atitude de conversão.

Desde agora devemos vestirmo-nos do Cristo. Já fomos revestido dele no batismo; mas é necessário sempre colocar na vida o dom que recebemos no sacramento.

8. Vinda Gloriosa de jesus 

Na mesma linha da segunda leitura, exorta: a Vinda gloriosa do Cristo será num momento inesperado, como o dilúvio, quando estivermos entregues aos nossos afazeres. É aí, na vida cotidiana, que devemos viver nossa fidelidade ao Senhor, procedendo como quem sabe que caminha ao encontro do Senhor que vem. Esta Vinda será de julgamento e separação de bons e maus: uns serão levados com o Senhor, outros, deixados na perdição. A única atitude correta é a vigilância e a conversão contínua.

sábado, 26 de novembro de 2016

São João da Cruz - 24 de Novembro (Ordus Administração Apóstólica S. J. Ma.Vianney)

Representação da Noite Escura
(Artista Desconhecido) 


Nesta santa missa (...) na qual a liturgia da palavra nos apresenta o profeta João Batista que chama à conversão neste período de advento, gostaria de refletir com vocês sobreo profeta São João da Cruz que nos apresenta o mesmo apelo evangélico: convertei-vos!

Queridos irmãos e irmãs, hoje celebramos um santo que brilha com um brilho todo especial no céu iluminado da Igreja: S. João da Cruz, fundador junto com Santa Teresa de Jesus, da Ordem dos Carmelitas descalços.

Nasceu em 1542 em Fontiveros (Espanha) de família rica empobrecida. O pai morre e deixa a mãe viúva com três filhos para criar. Até os 21 anos S. João da Cruz vai fez um pouco de tudo para ganhar a vida honestamente: alfaiate, carpinteiro, entalhador e enfermeiro. Teve sorte de conseguir estudar com os jesuítas, devido à caridade de pessoas bondosas que admiravam seu esforço, e assim pode entrar para o seminário.

Tornou-se carmelita indo estudar na Universidade de Salamanca. Em 1567 ao celebrar sua primeira missa encontra-se com Santa Teresa de Jesus e com ela inicia a reforma da Ordem Carmelita. Trabalhou muito e foi um religioso exemplar em todos os sentidos. Morreu aos 49 anos nos primeiros momentos do dia 14 de dezembro de 1591. Foi canonizado em 1726.

É grande a constelação de estrelas no firmamento de Deus, que com sua santidade nos reproduzem o brilho do único Santo, Deus Criador, que se revelou em seu Filho Jesus. Jesus é a imagem do Deus vivo e nele nós podemos contemplar a santidade de Deus. Preparando-nos para celebrar o Natal é bom pensarmos que em Jesus se manifesta a bondade e santidade de Deus.

João da Cruz foi enamorado da Sabedoria eterna de Deus, o Verbo que se fez carne. Por amor a Jesus Cristo temos que deixar tudo, até mesmo a própria pele, nos diz ele. 

“Que lhe baste Cristo crucificado, com Ele sofra e descanse! Uma palavra disse o Pai que foi seu Filho Jesus e a diz no eterno silêncio e em silêncio ela deve ser ouvida” 

S. João da Cruz recorda-nos a primazia de Jesus Cristo. Ele nos recorda o que ensinava outro grande santo, São Bento; Que nada devemos antepor ao amor de Cristo. É amando verdadeiramente Jesus Cristo que encontraremos tudo o que procuramos.

Destaco aqui duas lições de S. João da Cruz :

O mestre João da Cruz aponta a meta que é a união transformante em Deus.

Talvez em nenhuma época da história humana tenhamos tido tanto conforto, tanta abundância e bem-estar. A ciência progrediu muito e a tecnologia encanta o mundo. O consumismo toma conta de tudo e de todos. Estamos em uma época de narcisismo na qual o Eu toma todos os espaços. Mas o vazio no íntimo das pessoas também nunca foi tão grande. O desprezo por Deus e seus mandamentos são uma marca de nossa civilização. Desprezando-se Deus, despreza-se o homem. Por isso o famoso filósofo francês Jean Paul Sartre, que se declarava ateu, vai definir o homem como “uma paixão inútil”.

João da Cruz nos ensina o primado de Deus. Deus acima de tudo, pois, fomos criados para Ele. Deus é nossa pátria verdadeira. 

“Só Deus importa, só Ele está na pupila da alma, enquanto o resto como um borrão indistinto, desaparece do campo visual.”

O que nos santifica é renegar-nos com toda a energia. Deixar de buscar a nós mesmos, nosso “ego”, para buscar a Deus: este é o ensinamento da fé que S. João nos recorda. “Quem não renunciar a si mesmo e não tomar sua cruz para me seguir, não pode ser meu discípulo…” A fé nos manda cumprir a vontade de Deus e busca-lo antes de todo e qualquer prazer e criatura. Como Jesus é a porta para o Pai, devemos alimentar o desejo constante de imitar a Jesus Cristo e fazer tudo por amor a Ele.

A grande tentação hoje não é o ateísmo, negar a existência de Deus, mas o indiferenteismo: viver como se Deus não existisse. O mundo sem Deus não tem futuro. Se Deus não é amado como se deve em nossa vida, todos os outros nossos amores se desequilibram e acabam nos ferindo e ferindo os outros.

2.O mestre João da Cruz nos indica a ação de Deus em nós para nos purificar através da noite escura.

Os sofrimentos e contrariedades, fazem parte da vida e nos lembram que nossa pátria não é aqui, mas no céu onde não terá nem choro nem lágrimas. Deus é tão bom e nos ama tanto que nos introduz na noite escura, para nos purificar a fim de caminharmos para Ele com mais decisão. É a noite dos sentidos e a noite do espírito.

Para mergulhar em Deus, devemos estar totalmente despojados de nós mesmos. Isto implica num processo de conversão muito exigente, mas que transforma tudo em vida, em plenitude. É a morte para o egoísmo e o nascimento para Deus e o próximo. Cria-se em nós a necessidade vital de orar, descobrimos que não buscamos algo, mas Alguém.

A proposta é mudar de vida, mudar a partir de dentro. Fazer uma opção fundamental e radical pelo Evangelho. É necessário nascer do alto como disse Jesus a Nicodemos… Em meio à noite há uma luz que nos guia; a Palavra de Deus. Uma das características mais admiráveis de S. João da Cruz é que seus escritos são fundamentados na Bíblia. Todo o edifício de sua espiritualidade tem uma sólida fundamentação no AT e no NT. A fé na Palavra de Deus é a lâmpada para caminhar na Noite até que chegue a aurora.

Nossa transformação em Deus pelo cumprimento de sua vontade é a meta. Nossa conversão e purificação através da noite escura na qual só a Palavra de Deus pode nos guiar, é a metodologia.

Em uma realidade de tanto consumismo e de tanta insatisfação, S. João da Cruz nos traz uma mensagem de libertação. S. João da Cruz oferece às pessoas, nos seus escritos, o que mais elas desejam hoje; liberdade. Os seus ensinamentos místicos são um itinerário para a liberdade. Deus nos torna livres, livres de tudo e de todos, livres de nós mesmos. Livres para amar e servir.

A lição que S. João nos dá é que Deus ama-nos antes que nós o amemos. Nossa vocação é estarmos unidos a Ele de forma íntima e vital. Deus quer nos transformar em amor se nós o deixarmos, esta é a vocação do ser humano: onde não há amor coloque amor e encontrarás amor. (...)  Somos convidados a termos uma confiança ilimitada em Deus. É ele o autor de nossa santificação. Que possamos venerar verdadeiramente os santos de Deus imitando-lhes os exemplos. Que assim Deus nos ajude. Amém

+Dom Pedro Carlos Cipollini – Bispo de Santo André



terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de Novembro - Solenidade de Todos os Santos da Ordem Carmelita

Todos os Santos Carmelitas - Santa Teresa de Ávila como Modelo.



Todos os santos carmelitas têm uma relação especial com Maria, a mãe de Jesus. E não poderia ser diferente, afinal de contas nós, os carmelitas, fazemos parte da família da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Trazemos o nome de Maria expresso em nosso próprio nome. A origem de nossa Ordem está associada à pessoa de Maria. No séc.XIII ( o movimento das Cruzadas já está no fim) alguns ex-cruzados que viviam na região do Monte Carmelo (na Terra Santa) decidiram permanecer ali como eremitas. Pouco depois, em torno de uma devoção à “Senhora do Lugar” (era o título que os primeiros carmelitas atribuíram à Virgem Santa), resolveram espontaneamente trilhar um caminho juntos, tendo como motivação particular aquela devoção à Virgem Maria.

Portanto, podemos dizer que nascemos do amor que aqueles eremitas nutriam pela Virgem Santíssima.

No séc.XVI, quando a Ordem do Carmo (o Carmelo) já estava bem organizado e instituído na Europa (é bom recordar que os carmelitas já haviam migrado, há muito tempo, do Extremo Oriente para terras europeias), surgiu Santa Teresa. Teresa percebeu que o mosteiro em vivia já não tinha mais o vigor original. Toda a Igreja passava por um momento crítico. Era a época da Reforma Protestante, das inquisições, de maus exemplos das lideranças católicas, mas também de testemunhos belíssimos, como os de Teresa. Inspirada pelo Espírito Santo, ela reuniu um pequeno grupo de jovens piedosas que comungavam do mesmo ideal de viver uma vida mais simples e pobre.

Teresa de Jesus, ao empreender sua reforma no Carmelo reforçou a dimensão mariana da Ordem.

“Vi então realizada, de acordo com meus desejos, uma obra que eu sabia ser para o Senhor e para honra do hábito de sua gloriosa mãe” (V36,6)

No livro das Moradas (ou Castelo Interior), escrito por Santa Teresa, ela descreve como deve ser a relação das carmelitas com Nossa Senhora:

“E vós que o trazeis também louvai-O, pois verdadeiramente sois filhas dessa Senhora. Assim não tendes de vos perturbar por eu ser ruim, já que possuís tão boa mãe. Imitai-a e considerai a imensa grandeza dessa Senhora, bem como a vantagem de tê-la como padroeira.”

“Louvai-o…” : Sentimento de gratidão. Louvar, agradecer ao Senhor por nos ter dado como Mãe a sua própria. Gratidão é um sentimento próprio das boas almas. Saber agradecer é uma virtude que nasce do coração humilde que reconhece que tudo nos vem de Deus. Tudo o que temos e somos não é somente resultado do nosso esforço, mas em primeiro lugar, fruto da imensa misericórdia divina que nos envia muitos sinais da sua providência e bondade.

“verdadeiramente sois filhas desta Senhora…”: Teresa tem consciência de que as carmelitas (os carmelitas) são filhos e filhas da Virgem Maria. Para Santa Teresa, o Carmelo é propriedade da Virgem. Esta consciência da pertença, de pertencermos e fazermos parte das coisas que são próprias da Virgem Santa é afirmada por Teresa diversas vezes. O Carmelo é todo de Maria.

“não tendes de vos perturbar…” A perturbação nasce de um coração inseguro e duvidoso. O contrário da perturbação é a confiança. A confiança na materna proteção da Virgem deve gerar em nosso coração uma profunda paz. Se, de fato, acreditamos que ela é nossa mãe e não nos abandonará (como não abandonou seu Filho Jesus, pois quando todos os discípulos o abandonaram, ela continuou ao seu lado, de pé em frente a cruz) se acreditarmos que nas horas difíceis ela estará ao nosso lado, essa confiança fará com que os desafios e dificuldades que enfrentamos em nossa vidas sejam exatamente aquilo que são: nem mais, nem menos. Na maioria das vezes nos perturbamos porque consideramos nossos problemas grandes demais e não confiamos na nossa capacidade de resolvê-los.

“por eu ser tão ruim…” Como pode uma santa tão virtuosa, como Teresa, considerar-se “tão ruim”. Perfeccionismo? Falsa modéstia? Exagero de mulher? Nada disso. Teresa tem à sua frente um grande ideal e percebe que precisa caminhar sempre (de bom a melhor). Sente-se diante da grande aventura e ventura de seguir a Jesus, como uma aprendiz. Por ser uma mulher sábia, sabe exatamente onde estão suas limitações. Os santos são os que mais consciência têm de seus pecados.

“Imitai-a…” Devemos imitar a Virgem Maria em suas inumeráveis virtudes. Santa Teresa propõe com muita frequência em seus escritos, a Virgem Maria modelo de união com Deus, como exemplo de vida orante e como mestra de todas as virtudes. Para Teresa 4 virtudes são particularmente especiais na Virgem Santa: a fé, a caridade (amor), a humildade e a pobreza.

Essas 4 virtudes marianas precisam ser urgentemente resgatadas no mundo em que vivemos.

FÉ: A fé é algo que relegamos ao plano das decisões e opções particulares de cada pessoa. Cada um tem sua fé e quem não tem, tudo bem… A cultura tecnológica de nossos dias parece cada vez mais excluir Deus de nossas vidas. Muitas vezes sentimos que somos ridicularizados, em certos ambientes simplesmente pelo fato de sermos pessoas que professamos nossa fé. Parece que nossa opinião tem menos valor, ou carece de realismo porque defendemos nosso ponto de vista a partir da fé.

Por outro lado, estamos assistindo a tantas violências e injustiças justamente por conta de distorções daquilo que seja a verdadeira fé. Guerras e assassinatos em nome da fé, aumento de seitas que fazem verdadeiras lavagens cerebrais em seus adeptos, a transformação da religião como fonte de lucro e negócio altamente rentável, movimentos estranhos e fundamentalismos dentro e fora da Igreja.

CARIDADE: Quanto à virtude da caridade, vista como amor a Deus e amor ao próximo, é a síntese da vida cristã. Para Teresa, a caridade é tudo e nada se explica sem o amor (a Deus e aos irmãos, representa também o cume da santidade e manifesta a autenticidade da vida contemplativa. Para Santa Teresa, a caridade dá sentido a todas as coisas, como escreveu Paulo na Carta aos Coríntios (1Cor 13,4-13) e recomendava insistentemente que as suas filhas amassem umas às outras. Se não cumprimos o mandamento do amor, de nada vale a nossa consagração a Deus. Se não conseguimos nos amar então falhamos naquilo que é o mais básico e fundamental de nossa fé. Amar significa concretamente, ceder, ter paciência, perdoar, renunciar à vingança, ter compaixão, estar disposto a carregar a fragilidade do outro. Ver no outro o meu irmão e não um rival. A convivência comunitária (em nossos grupos, famílias, comunidades religiosas, no trabalho…) será muito mais feliz formos testemunhas desta caridade.

HUMILDADE: Para Santa Teresa, a humildade é a “rainha que derrota o Rei”, ou seja, Deus (o Rei) não resiste a um coração humilde. Foi pela humildade que a Virgem Maria atraiu os olhares de Deus para si. Deus é o primeiro humilde. Teresa define a humildade como caminhar em Deus. Ela diz: “Humildade é caminhar na verdade”. “Deus é a Suma Verdade.”

POBREZA: Deus se revela na pobreza. Talvez não estejamos encontrando a Deus porque o buscamos de modo errado em milagres estupendos, em coisas e situações arrebatadoras, em sinais extraordinários. Quem sabe Ele esteja gritando aos nossos ouvidos na pobreza e simplicidade do nosso cotidiano aparentemente batido e monótono. Quando o Cristo veio ao nosso meio pobre e despojado como uma criança, somente os pobres pastores conseguiram perceber o seu nascimento. Maria é a Virgem dos pobres, porque ela mesma viveu o abandono em Deus. Tudo o que ela possuía estava em Deus. Teresa, do mesmo modo abandona-se no Senhor. “Vossa sou, para vós nasci. Que quereis fazer de mim:” ou em outras palavras: “Que queres que faça, Senhor:” O coração do verdadeiro pobre nada possui, nem sequer a própria vontade, tudo o que quer é fazer a vontade de Deus… Foi isso o que nos ensinou Jesus: fazer a vontade do Pai é isso que nos ensina a Virgem Santíssima: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”


Frei Marcos Matsubara
http://carmelotrindadegoias.com.br/

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ressuscitatemos com Cristo - Por D. Fernando Rifan



Dom Fernando Arêas Rifan*

O dia de hoje é dedicado à memória dos fieis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Uma nova vida começou eternamente.

Em sua última instrução – “Ad resurgendum cum Christo” –, a propósito da sepultura dos defuntos e da conservação das cinzas da cremação, a Congregação para a Doutrina da Fé dá as razões doutrinais e pastorais da preferência cristã em dar sepultura aos corpos. 

“A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da fé cristã, anunciada como parte fundamental do Mistério Pascal desde as origens do cristianismo... Pela sua morte e ressurreição, Cristo libertou-nos do pecado e deu-nos uma vida nova... Por outro lado, Cristo ressuscitado é princípio e fonte da nossa ressurreição futura: 

''Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram...; do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida’ (1 Cor 15. 20-22)”.

“Se é verdade que Cristo nos ressuscitará ‘no último dia’, é também verdade que, de certa forma já ressuscitamos com Cristo. De fato, pelo Batismo, estamos imersos na morte e ressurreição de Cristo e sacramentalmente assimilados a Ele... Unidos a Cristo pelo Batismo, participamos já, realmente, na vida de Cristo ressuscitado”.

“Graças a Cristo, a morte cristã tem um significado positivo. A Liturgia da Igreja reza: ‘Para os que creem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna’. Na morte, o espírito separa-se do corpo, mas na ressurreição Deus torna a dar vida incorruptível ao nosso corpo transformado, reunindo-o, de novo, ao nosso espírito. Também nos nossos dias a Igreja é chamada a anunciar a fé na ressurreição: ‘A ressurreição dos mortos é a fé dos cristãos: acreditando nisso somos o que professamos’”.

“Seguindo a antiga tradição cristã, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado. Ao lembrar a morte, sepultura e ressurreição do Senhor, mistério à luz do qual se manifesta o sentido cristão da morte, a inumação é, antes de mais, a forma mais idônea para exprimir a fé e a esperança na ressurreição corporal”. 

“Embora não proíba a cremação, “a Igreja continua a preferir a sepultura dos mortos, uma vez que assim se evidencia uma estima maior pelos defuntos. Enterrando os corpos dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressurreição da carne, e deseja colocar em relevo a grande dignidade do corpo humano... A Igreja, que como mãe acompanhou o cristão durante a sua peregrinação terrena, oferece ao Pai, em Cristo, o filho da sua graça e entrega a terra os restos mortais na esperança de que ressuscitará para a glória”.

Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney




Oração pelas Almas do Purgatório

Dignai-Vos, adorável Salvador meu, por vosso precioso Sangue, por vossa dolorosa Paixão e cruelíssima morte; Pelos tormentos que vossa augusta Mãe sofreu ao pé da cruz quando vos viu exalar o último suspiro; Dignai-Vos dirigir um olhar de piedade ao seio profundo do Purgatório e tirar dali as almas que gemem privadas temporariamente de vossa vista, e que suspiram pelo instante de reunir-se convosco no paraíso celestial. Principalmente vos peço pela alma de N..., e daqueles por quem mais particularmente devo pedir. Não desprezes, Senhor meus rogos, que uno aos rogos que por todos os fiéis defuntos vos dirige nossa Santa Mãe a Igreja Católica, a fim de que vossa misericórdia as leve onde com o Pai e o Espírito Santo vives e reinas por todos os séculos dos séculos. Amém

sábado, 15 de outubro de 2016

15 de Outubro - Santa Teresa de Ávila

Imagem de Santa Teresa de Ávila
Venerada na Igreja da V.O.T. do Carmo
Campos dos Goytacazes - RJ

Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu no dia 28 de março de 1515, em uma nobre família de Ávila, na Espanha, filha de Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz de Ahumada.

Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa, apesar da resistência de seu pai. Em sua biografia, diz que ela saiu de sua casa em uma manhã para entrar no mosteiro carmelita da Encarnação. Lá, viveu por 27 anos, com uma grande comunidade religiosa composta por cerca de 180 freiras, suportando e superando uma grave doença, que marcou sua vida.

Por volta dos 40 anos, Teresa sentiu o chamado que ficou conhecido como “experiência mística”, o que mudou o curso de sua vida. Aos 47 anos, começou uma terceira fase, empreendendo sua tarefa de fundadora andarilha.

As carmelitas, como a maioria das religiosas, tinham decaído muito do primeiro ardor no começo do século XVI. As religiosas podiam sair da clausura com o menor pretexto, de sorte que o convento se converteu no lugar ideal para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram extremamente numerosas, o que era causa e efeito do relaxamento. Por exemplo, no convento de Ávila havia 140 religiosas.

Santa Teresa empreendeu o desafio de levar a cabo a iluminada ideia de fundar uma comunidade mais reduzida e reformada. A Santa estabeleceu a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. O convento carecia de rendas e reinava nele a maior pobreza; as religiosas vestiam hábitos rudimentares, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas descalças) e eram obrigadas à perpétua abstinência de carne.

Santa Teresa não admitiu no princípio mais do que 13 religiosas, mas logo aceitou que houvesse 21. Em 1567, o superior geral dos carmelitas, João Batista Loiro (Rossi), visitou o convento de Ávila e ficou muito satisfeito com o trabalho realizado ali pela santa. Assim, concedeu a esta plenos poderes para fundar outros conventos do mesmo tipo e até a autorizou fundar dois conventos de frades reformados (carmelitas contemplativos).

Caracterizada por sua simplicidade, prudência, amabilidade e caridade, Santa Teresa tinha uma profunda vida de oração e, em obediência a seu confessor, porque ela não era uma pessoa culta e se expressava com um castelhano singelo, escreveu suas visões e experiências espirituais. Essas obras são agora um grande presente para a Igreja.

Os escritos de Santa Teresa sublinham, sobretudo, o espírito de oração, a maneira de praticá-lo e os frutos que produz. Como a santa escreveu precisamente na época em que estava dedicada à difícil tarefa de fundar conventos de carmelitas reformadas, suas obras, prescindindo de seu conteúdo e natureza, dão testemunho de seu vigor, laboriosidade e capacidade de recolhimento.

Escreveu o “Caminho de Perfeição” para dirigir a suas religiosas e o livro das “Fundações” para animá-las e as edificar. Quanto ao “Castelo Interior”, pode-se considerar que escreveu para a instrução de todos os cristãos.

Santa Teresa morreu nos braços da Beata Ana, em Alba de Tormes no dia 4 de outubro de 1582, pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Sua canonização se realizou em 1622. Foi proclamada Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970 pelo Papa Paulo VI.

Mais Artigos Sobre a Santa Madre Teresa


Estudo das obras menores De Santa Teresa de Jesus -apostila

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

12 de Outubro - A Senhora "Aparecida" - por D. Fernando Arêas Rifan



Dom Fernando Arêas Rifan*

Hoje celebramos a Padroeira do Brasil. Em suas caravelas, ornadas com a Cruz da Ordem de Cristo, os portugueses trouxeram-nos a devoção à Mãe de Jesus: Pedro Álvares Cabral, em sua nau capitânia, transportava a imagem de Nossa Senhora da Esperança. 


Mas a devoção a Nossa Senhora Aparecida começou em 1717, quando, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.


É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?


Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa SenhoraAparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.


A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira. 


Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica.



*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Bem Aventurados os Pobres - Por D.Fernando Arêas Rifan - Adapostólica.



                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*

No Brasil, celebra-se hoje (05 de Outubro) a festa de São Benedito, o Preto. Nascido na Sicília, Itália, por volta do ano 1526, filho de negros que haviam sido escravos ou que descendiam de outros que o tinham sido, ingressou num convento franciscano de Palermo, capital da Sicília. Foi um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade e pela obediência. Embora simples irmão leigo e analfabeto, a sabedoria e o discernimento que possuía fizeram com que fosse nomeado mestre de noviços e mais tarde fosse eleito superior do convento. 

Atendia a consultas de muitas pessoas que o procuravam para pedir conselhos e orientação segura. Foi favorecido por Deus com o dom dos milagres. Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara. E assim, na mais sublime indiferença pela sua própria pessoa, faleceu com fama de santidade, para receber de Deus a recompensa prometida aos humildes e pobres de coração. 

Que São Benedito nos ensine a humildade e a pobreza do coração, isto é, o desapego do egoísmo e das riquezas deste mundo, quer as tenhamos ou não. E que ele nos ajude a vencer o racismo, a discriminação das pessoas pela cor da sua pele ou da sua etnia, reconhecendo sempre em todas as pessoas nossos irmãos, dignos de nosso apreço e respeito. 

Numa época em que o apego desordenado às riquezas se espalhava e contaminava a espiritualidade cristã na Idade Média, Deus suscitou Francisco de Assis, que festejamos ontem. Ele é o santo da pobreza e simplicidade evangélicas e, como o desapego de si mesmo e de todas as coisas, chegou a ser imagem viva do Crucificado.

Este grande santo, admirado por todos, até pelos não cristãos, não nasceu santo, pois até aos 25 anos viveu como os outros jovens, amigo de festas e esbanjador. Mas Deus mudou o seu coração. Seguindo a radicalidade do Evangelho, própria dos santos, Francisco renunciou à rica herança paterna e decidiu viver sem nada. 

Quando rezava um dia, ouviu de Jesus Crucificado essa mensagem: “Francisco, vai e repara a minha igreja”. Ele pensava tratar-se da igreja de São Damião, em Assis. Mas a sua vocação era mais universal. Deserdado pelo pai, rico comerciante, e expulso de casa, começou a cuidar dos leprosos, frequentava suas cabanas e levava-lhes esmolas, beijando sempre essas mãos repelentes. Fundou a Ordem dos Frades Menores, uma das maiores da Igreja, e, com Santa Clara de Assis, o ramo feminino da mesma Ordem, as irmãs Clarissas.


Esses santos, São Benedito e São Francisco de Assis, vêm nos ensinar o espírito de pobreza e a humildade, virtudes básicas do cristianismo. Não são virtudes fáceis, pois contrariam o nosso egoísmo e nosso apego aos bens materiais. Não são para os fracos, mas para os heróis, como deve ser todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


O Direito de Nascer, por D. Fernando Arêas Rifan - Adapostólica.


                                
                   
        

Dom Fernando Arêas Rifan*

Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, celebra-se, em todo o Brasil, de 1 a 7 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). 

Uma data esquecida, mas que vale a pena recordar.Nascituro, o que está para nascer, é o que todos fomos um dia, no útero de nossa mãe, onde teve início nossa existência, graças a Deus.


Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).


A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina 

S. João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana):

 É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. 

Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). 

E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).


Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nossocompromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Oração pelos Nascituros



Nós vos louvamos, Senhor, Deus da Vida, Bendito sejais, porque nos criastes por amor.Vossas mãos nos modelaram desde o ventre materno. Nós vos agradecemos pelos nossos pais, famílias e todas as pessoas que cuidam da vida humana desde o seu início até o fim.

Em Vós somos, vivemos e existimos.Abençoai todos e todas que zelam pela vida humana e a promovem.

Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde. Daí às pessoas e às famílias o pão de cada dia, a luz da fé e do amor fraterno.

Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossos nascituros, nossas crianças, nossos jovens,  nossos adultos e nossos idosos, para que tenham vida plena em Jesus,  que ofereceu sua vida em favor de todos.
Amém.

sábado, 8 de outubro de 2016

Nossa Senhora do Rosário


Nossa Senhora do Rosário 


“Eis a escrava do Senhor”
“Fazei tudo o que Ele vos disser”
“Per Mariam ad Jesum”


I- “Eis a Escrava do Senhor”, respondeu ela ao Anjo da Anunciação para proclamar a sua total disponibilidade nas mãos de Deus. Assim, de forma rápida e clara, pôs-se ela, de forma voluntária, na mesma situação em que ficavam, de forma forçada, aquelas cativas ou aqueles cativos de guerra, em total dependência dos captores, sem outra vontade que não fosse a vontade do dominador, sem outra actividade que não fosse a ordenada pelo patrão, sem outro modo de vida que não fosse o indicado pelo proprietário, sem outro lugar senão aquele que o proprietário indicasse. Enfim, eram gente-objecto que se comprava ou vendia no mercado como qualquer animal ou instrumento de lucro; que, inclusivamente, se matava quando pela idade ou doença deixasse de ser instrumento de lucro.

De forma voluntário pôs-se a Virgem Maria sob a exclusiva vontade de Deus como, de outra forma o declarou: “Faça-se em mim segundo a Sua vontade”. E a mesma disponibilidade pede ela a todos nós ao recomendar aos serventes de mesa nas Bodas de Cana: fazei tudo o que Ele vos disser.


II-“Sou a Senhora do Rosário”. Ao proclamar-se tal, quis indicar o mesmo que dissera ao proclamar-se “Escrava do Senhor”; quis repetir que a sua função é fazer a vontade do seu Senhor e incutir em cada ser humano a mesma total disponibilidade nas mãos de Deus; levar cada crente a rezar o Rosário.


E o que é o Rosário? O que é o Rosário senão a meditação das diversas fases da vida de Jesus desde o anúncio do seu próximo nascimento anunciado na terra pelo Arcanjo, até à sua morte, ressurreição e ascenção ao Céu? Em cada mistério do Rosário meditamos uma etapa da vida de Cristo. Enquanto a boca vai expressando o desejo de que “seja feita a vontade de Deus assim na terra como no céu”, vai pedindo que o “pão nosso de cada dia nos dê hoje”, vai suplicando que nos conceda “o perdão das nossas ofensas”, vai louvando aquela a quem Deus, pelo anjo, declarou “cheia graça” em atenção ao “bendito fruto do seu ventre Jesus”,enquanto isso, a mente vai recordando cada uma das passagens da vida de Jesus; vai recordando “tudo o que Jesus e Maria viveram e sofreram para nos resgatarem do pecado e nos assegurarem a salvação eterna”

Na verdade, nos mistérios gozosos recordamos e meditamos as cenas da infância de Jesus desde a anuciação do anjo e sua gestação por obra do E. Santo no seio de Maria;acompanhámo-lo, no ventre de Maria, na visita que fez a sua parente Isabel em cujo seio João Baptista, ainda no sexto mês de gestação , saltou de alegria; cantamos com os anjos o seunascimento na gruta de Belém; acompanhámo-lo até à sua apresentação no templo nos braços de sua Mãe e admiramos a sua sabedoria ao encontrá-lo no templo, criança ainda, a discutir com os doutores da Lei. Assim vamos recordando a infância de Jesus.


Nos mistérios da Luz que se seguem, admirámo-lo na sua vida pública desde a cena do seu Baptismo no Rio Jordão onde o Pai O apresenta como seu Filho querido e o E. Santo desce sobre Ele em forma de pomba; vemo-lo nas Bodas de Canã a manifestar o seu poder divino transformando a água em vinho a pedido de sua mãe; escutámo-lo na sua pregaçãodurante três anos pelas ruas da Palestina, apelando para a conversão e salvação das gentes;extasiámo-nos contemplando a sua transfiguração no Monte Tabor onde novamente nos fala o Pai e nos aparecem os profetas David e Elias que séculos antes haviam anunciado a sua vinda; e ao concluir os mistérios da luz, pasmamos quando, na ceia da despedida, consagra o pão e o vinho tornando-se aí presente com seu corpo, sangue, alma e divindade e deixando-nos o poder de fazermos o mesmo para, como Divino e Humano, poder ficar connosco neste vale de lágrimas que é a Terra. E não só ficar connosco mas ficar em nós: “comei, é o meu corpo; bebei, é o meu sangue”. Ò admirável mistério do amor de Deus! Admirável mistério!!!


Nos mistérios dolorosos, vemos, compungidos, quanto a nossa salvação lhe custou, a começar pela antevisão do terrível martírio por que ia passar causando-lhe uma agonia aterradora no Jardim das Oliveiras a ponto de o fazer transpirar suor de sangue; pasmamos, logo a seguir , como um dos seus discípulos o atraiçoou entregando-o aos inimigos e como estes logo parodiaram um julgamento, o condenaram à frequente pena da flagelação, o ridicularizaram coroando-o de duros espinhos, e depois à morte ignominiosa da Crucifixão,com a agravante de ser ele a ter de transportar a sua cruz. 


Nos mistérios gloriosos exultamos de alegria verificando como, afinal, Jesus venceu a morte, venceu o pecado e venceu os inimigos. Ele ressuscitou. Ressuscitou; coisa que os inimigos logo aceitaram acreditando imediatamente no testemunho dos sentinelas do sepulcro a quem conseguiram subornar com apetecível conta, e coisa que aos discípulos tanto custou a reconhecer. Mas para que não restassem dúvidas, Ele conviveu, comeu, percorreu caminhos com os Discípulos durante 40 dias. A ressurreição tinha de ficar bem clara, bem constatada. E assim foi.


Foi depois a ascenção ao Céu. Cristo, veio do Céu e ao Céu voltou. Do Céu, veio enquanto Deus e na ascenção subiu enquanto Deus e enquanto homem. Mas esta subida não correspondeu a qualquer abandono. Cristo havia dito que seria bom para os discípulos que Ele fosse porque, após sua ida, Ele e o Pai enviariam o E. Santo que lhes ensinaria todas as coisas. Assim aconteceu. É isso que nós contemplamos no 3º mistério glorioso: a vinda do E. Santo sobre N. Senhora e os Apóstolos. E os dois últimos mistérios nos recordam que Jesus não deixa sem recompensa a quem O serve generosamente. É isso o que eles nos querem dizer ao lembrar-nos que a Virgem Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma (A Assunção) e aí foi coroada como Rainha dos anjos e dos homens.


Eis a função do Rosário: meditar a Vida de Cristo para agradecermos quanto fez por nós epedir a graça de sermos fiéis ao que Ele espera de nós. Eis a missão de N. Senhora do Rosário: levar-nos a Cristo. A Virgem Maria não é meta onde tudo acaba mas ponto de arranque onde tudo começa. Por outras palavras, Nossa Senhora é ponte. Ponte por Deus construída para que Jesus viesse até nós e ponte que Deus nos oferece para que nós vamos até Ele. É ponte de ligação entre partes que antes estavam separadas; inacessíveis: a Terra e o Céu; o homem e Deus. Ou, se quiserem, N. Senhora é escada por onde Cristo desceu à Terra e por onde nós subiremos para o Céu. Ou ainda, N. Senhora é farol a indicar a pista de aterragem segura ao avião ou a indicar a rota que o barco deve seguir para não encalhar e chegar ao porto seguro. O farol não atrai para si; indica caminho a seguir; a ponte é feita para irmos além e não ficarmos nela; e a escada é feita para subirmos e não para ficarmos a contemplá-la. 


Ponte, escada, farol. Se não usarmos a ponte, não atravessaremos o precipício que nos separa da meta; se não utilizarmos a escada não subiremos ao Céu; se não obedecermos à indicação do farol despenhar-nos-emos em qualquer montanha ou encalharemos nos baixios ou rochedos do mar. Nunca chegará á meta quem rejeitar a ponte ou a escada ou o farol.


Tal como o Verbo de Deus quis precisar de Maria para descer até nós, assim quer aproveitar de Sua Mãe para irmos seguramente até Ele. Mas também não chegará à meta quem não for até ao fim da ponte, quem não subir a escada até ao cimo, quem interromper a orientação do farol. Não quer N. Senhora que paremos nela como muitos fazem. Não falta quem diga: “Nossa Senhora me basta”. Não falta quem vá a Fátima, até com bastante sacrifício, já pela distância, já pelo modo como aí vai (de pé, de joelhos, a pão e água ou até sem água nem pão, etc), mas não vai à Missa ao domingo apesar do local ser de fácil acesso e onde Cristo vem oferecer-se a nós, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sem falhar. É esse engano que N. Senhora quis desfazer, quer na sua vida terrena quer depois da subida aos céus em todas as suas aparições. Antes como depois, nos ensinou ser ela caminho para ir a Jesus e não obstáculo para a Ele chegar. “Por Maria até Jesus” diziam os antigos Padres da Igreja.


Ainda na Terra nos foi dizendo por palavras e por obras que é a vontade de Deus que deve contar na nossa vida: “faça-se em mim segundo a sua vontade”; “fazei tudo o que Ele vos disser, “que seja feita a Sua vontade assim na terra como no céu” respondeu ela ao anjo, aconselhou ela os serventes e rezou ela diariamente; que é de Deus que tudo recebemos e a quem devemos tudo agradecer: “a minha alma engrandece ao Senhor porque Ele fez em mim maravilhas; a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem; derrubou os orgulhosos de seus tronos e exaltou os humildes.

Fazer a vontade de Deus até ao fim da vida, nas boas e nas más horas; na doença e na saúde; na tristeza e na alegria. Sempre. Como Ela. Ela acompanhou Jesus até ao Calvário,“Ela permaneceu junto à cruz”, Ela recebeu Jesus no seu regaço, ao ser descido da cruz ; Ela acompanhou-o ao sepulcro que José de Arimateia prodigalizou. Quanta dor!, quanta angústia!, quanta apreensão!! Mas sempre com Jesus. Sempre! Sempre!!

Enfim, na terra viveu para Jesus, recomendou a que obedecessem a Jesus; que agradecessem a Jesus; que perseverassem com Jesus: fiat, magnificat, stabat.

Uma vez no Céu, parece ter aumentado a sua preocupação de nos atrair para Jesus, ou seja, de levar-nos para o Céu. As muitas aparições na terra não tiveram senão esse fim. Absolutamente todas elas. Tudo para levar a Jesus, indicar o caminho que leva a Jesus e anunciar os perigos provenientes do abandono de Jesus. Basta lembrar as mensagens de Fátima. Ela remata a série de aparições, a 6ª , exactamente naquela em que se designouSenhora do Rosário, com um repetido e veemente 


l: “Pede à Mãe que o Filho atende”.


. Vamos, pois a Maria, N. S. do Rosário, na certeza de que, por ela, chegaremos a Jesus, ao Céu, à salvação.

-Senhora do Rosário, Rogai por nós. Rogai por nós que repedido: “não ofendam mais a N. Senhor que já está muito ofendido” (6ª ap.).

E às inocentes crianças e, através delas, a todos nós, Ela continua a pedir que desagravemos o Coração de Jesus: aceitai os sofrimentos da vida “em acto de reparação pelos pecados com que Deus é ofendido (1ª ap); para que Deus seja amado; sacrificai-vos por amor a Jesus; não ofendam mais a Deus que já está muito ofendido( 6ª ap.) E se N. Senhora alguma coisa pede para ela, é porque essa é a vontade de Deus: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”(2ª ap.) Ele quer que o Imaculado Coração de Maria seja desagravado dos pecados cometidos contra Ele (3ªap.).

Enfim, tanto na terra como no céu a preocupação única de Maria foi e é levar-nos para Jesus. Foi e é a sua preocupação confirmar os dizeres bíblicos sobre a função salvadora de Jesus. É que é em Jesus, e só em Jesus, que está a salvação. Por isso é que o anjo indicou a José que desse ao Filho de Maria e do E. Santo o nome de Jesus, que quer dizer, “Salvador,porque salvará o seu povo” (Mt.1,21); por isso, o mesmo anjo anunciou aos Pastores que “na cidade de David nascera o Salvador que é Cristo, o Senhor” (cf. Lc. 2,11); por isso cantou Zacarias que o “Senhor visitou e redimiu (salvou) o seu povo”(Lc. 1,69) e por isso os habitantes de Samaria puderam dizer à sua conterrânea que já não era pelo que ela lhes dissera mas “porque nós mesmos o vimos e ouvimos, «sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo”» (Jo. 4,42); Aquele “ Em nenhum outro há salvação” (Act. 4,12); O “Cristo que veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tim.1,15)


Para Jesus é que ela nos aponta e guia. Mas também é certo o ditado de que “quem meus filhos beija, mina boca adoça”; e o outro: “quem honra meus pais, meu coração alegra”. É assim. Nada se faz aos filhos, de bom ou de mau, que não faça vibrar o coração dos pais e nada se faz aos pais que não faça eco no coração dos filhos. Em famílias unidas, assim é.


Vamos, pois a N. Senhora que Ela nos levará a seu Filho ou vamos ao Filho e faremos vibrar o coração da Mãe. 


Por isso gostei muito do letreiro que li à entrada do enorme recinto do Santuário de N. Senhora Aparecida no Estado de S. Paulo, no Bracorremos a vós. Rogai também por aqueles filhos (as) desta terra que mourejam por esse mundo além ou que, por qualquer motivo sério não puderam estar hoje aqui; rogai pela nossa Pátria, a antiga e justamente proclamada “Terra de Santa Maria”, mas hoje tão desorientada, tão de costas para vós e vosso Filho, onde, por isso, se aprovam leis aberrantes de extermínio de inocentes, de anti-natureza no homosexoalismo, da prática, ainda não aprovada mas já executada, da eutanásia, da destruição de famílias por dá cá aquela palha), rogai pelos nossos governantes para que saibam que estão para servir e não para servir-se; rogai pela hierarquia da Igreja para que tenha sempre a coragem de denunciar o abuso de todas as ordens (políticos, sociais, morais, económicos, etc.)– Rogai por nós, Senhora, Mãe, que recorremos a vós. AMEM.

Igreja Matriz de Gondomar/S. Cosme e Damião


02 de Outubro de 2011

+Abílio Ribas, Bispo Emérito de São Tomé e Príncipe
fonte:http://www.saocosme.com/

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