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quarta-feira, 30 de março de 2011

Reflexão para a Quaresma - A Devoção à Santa Face de Jesus

"A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas..."

(Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face)

"Na terça-feira de carnaval, muitas igrejas celebram a festa da Sagrada Face de Jesus. Devoção calcada nas Sagradas Escrituras, inspirada especialmente nos salmos e nos cânticos do "Servo Sofredor", encontrou, no decorrer da história, místicos conhecidos ou menos conhecidos, que se encarregaram de propagá-la.


A "Sagrada Face" ou "Santa Face" (para ser mais fiel ao termofrancês), foi objecto de especial afeição por parte de santa Teresinha. Vejamos porque a Sagrada Face participa activamente do "corpus" da espiritualidade de nossa padroeira. Entender o amor de Teresa à Sagrada Face poderá nos ajudar a enriquecer nossa compreensão da caminhada teresiana, a passos largos, rumo à santidade.


As famílias Martin e Guérin (tios de santa Teresinha) nutriam uma grande devoção à Santa Face de Jesus, incentivados pelo "santo homem de Tours", o Sr. Dupont e pela espiritualidade de Irmã Maria de São Pedro e da Santa Face, carmelita na mesma cidade de Tours, na França (1816-1848). O Sr. Isidoro Guérin, tio de nossa santa, ao ler a vida do famoso homem de Tours, tornou-se devoto da Santa Face e, por seu intermédio, foi instalado um quadro da Sagrada Face em uma das capelas laterais da catedral de São Pedro, em Lisieux. Teresinha amava muito este quadro. No coro do Carmelo havia também um quadro da Sagrada Face e nossa padroeira fará dela uma reprodução que será colocada no cortinado do seu leito de enfermo para, assim, contemplar com amor a Face querida do seu Bem-Amado (CA 5.8.9).


Aos 12 anos, Teresa se inscreve na Confraria reparadora de Tours (26.04.1885). A partir de 19.01.1889, data de sua tomada do hábito, Irmã Teresa do Menino Jesus completará seu nome religioso, passando a assinar "da Santa Face". Deu tanta importância este acréscimo, que ora escreve "Ir. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face", ora escreve "Ir. Teresa do Menino Jesus da Santa Face". No segundo modo de assinar, ela retira a preposição, talvez para ressaltar sua íntima ligação com a Sagrada Face. Provavelmente queira também mostrar o profundo nexo que une o mistério da Encarnação (Belém) ao da Paixão e Morte (Calvário), único e arrebatador mistério da bondade misericordiosa do Senhor.


Aos diversos sofrimentos próprios à vida religiosa, vividos por Teresa desde os 15 anos, deve-se acrescentar os advindos pela enfermidade mental de seu pai. Em 12,02,1889, o Sr. Martin precisa ser hospitalizado. Nesta situação de dor, Teresa escreve à sua irmã Celina: "Jesus arde em amor por nós... Olhe sua face adorável!... Olhe estes olhos fechados e abaixados!... Olhe essas chagas... Olhe Jesus na sua Face. Lá você verá como ele nos ama." (Carta 87).

 Comentários sobre a Santa Face em outras cartas:

"Sim, a face de Jesus é luminosa, mas se em meio às feridas e às lágrimas ela já é tão bela, como não o será quando a virmos no céu?... Oh, o céu, o céu! (Carta 95) "Seu rosto estava escondido!... Ele o está ainda hoje, pois quem é que compreende as lágrimas de Jesus?" (Carta 105)


"Jesus me pegou pela mão, fez-me entrar em um subterrâneo onde não faz frio nem calor, onde o sol não brilha, e que não é visitado nem pela chuva nem pelo vento; um subterrâneo onde não vejo nada senão


uma luz meio apagada, o brilho que espalham ao seu redor os olhos da Face de meu Noivo!..." (Carta 110) "Após ter sorrido para Jesus no meio das lágrimas, você gozará dos raios de sua Face divina... " (Carta 149)


Em 1895, evocando seus anos de sofrimento, assim resumirá suas intuições: "A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas...


Até então não sentira a profundidade dos tesouros escondidos da santa Face... Aquele cujo reino não é deste mundo me mostrou que a verdadeira sabedoria consiste em "querer ser ignorada e tida por  nada" - em "por sua alegria no desprezo de si mesmo"... Ah, como o de Jesus, eu queria que "Meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que na terra ninguém me reconhecesse".


Celina (Irmã Genoveva), a respeito do amor de Teresa à Sagrada Face, escreveu: "Esta devoção foi o coroamento e o pleno desabrochar de seu amor pela sagrada Humanidade de Jesus. A Santa Face era o espelho no qual contemplava a Alma e o Coração de seu Amado, em que ela o contemplava em sua inteireza" (Conselhos e Lembranças).(MA 77v)


A Santa Face não foi para Teresa uma simples devoção privada: encontra-se no coração de sua Cristologia, de seu amor apaixonado pelo Jesus escondido. Contudo sabia que o Desfigurado seria um dia Transfigurado na Sua Ressurreição. No Processo Informativo Ordinário, Irmã Maria do Sagrado Coração irá afirmar: "Desde muito tempo, ela tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus e à Sagrada Face, mas esta última devoção se desenvolveu sobretudo no Carmelo". (PO 250)"


O Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores. Neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo:


``Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Síndone. A Festa, ainda não instituída pela Igreja, foi pedida através da Madre Maria Pierina. Também Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face muito se regozijava na contemplação da Face Adorável e recomendava a todos essa devoção.``
 
 "Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!" - (Sl 8)
 
 "Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas"

Nosso Senhor a Irmã Maria Pierina, 1945, em Milão






domingo, 27 de março de 2011

Meditação da Quaresma: Deus encherá o que está vazio !

"Irmãs e Irmãos,

Sem dúvida nenhuma estes 40 dias que nos são dados pela Igreja têm como ponto mais importante prepararmo-nos para o centro da vida da humanidade: a Páscoa do Senhor. Cristo entra na morte por amor ao ser humano, assume as suas dificuldades e ressuscita, ou melhor dizendo, abre-nos um caminho para tirar o homem do poder das trevas e do domínio do pecado, levando-o à felicidade plena que é ter vida eterna dentro de si. Essa preparação leva-nos a colocarmo-nos com verdade e analisar como está a nossa casa (coração).


No Evangelho segundo São Mateus, Cristo afirma: “Quando o espírito impuro sai de alguém fica vagando por lugares áridos à procura de repouso e não encontra”. Então diz: Vou voltar para a minha casa de onde saí. Quando chega, ele encontra a casa limpa e arrumada, varrida… Ele vai tomar consigo outros sete espíritos piores e a situação da pessoa fica pior do que antes (Cf. Mt 12, 43-45). Por isso a insistência de perguntarmos ou entrarmos no profundo do nosso coração para saber como está a nossa vida.


Uma realidade é importante neste tempo: o Senhor quer livrar-nos do demônio, limpar a nossa casa, deixá-la pronta para que na sua Páscoa Ele possa habitar em nós. Porém, é impossível ou até mesmo incompatível querer seguir a Deus e ao mesmo tempo o mundo.Percebemos uma luta muito grande dentro do nosso “eu”. Muitos gostam da vida que vivem, outros estão dispostos a mudar, porém não querem abrir mão de nada daquilo que nos separa de Deus. Aqueles que amam o mundo sempre estão procurando grandezas, posições sociais, riquezas (dinheiro)… Deixam até de ir à Missa para trabalharem mais e ganharem o dobro, gostam dos prazeres, sua vida não tem limites, (...) tudo para satisfação própria.


Buscam também consolações materiais e nunca estão satisfeitos com aquilo que têm porque sempre querem mais e mais… Quanta infelicidade o mundo traz ao coração e, por isso, Você experimenta que sua vida morre espiritualmente, cai nas trevas, torna-se escravo do pecado. Com essa situação a vida fica no poder das trevas. E o fruto das trevas é o vazio, ou seja, a falta de sentido. Não há forças para sair desta situação porque o pecado dominou-te e tornou-te cego. Tu não enxergas o outro lado da vida. Tudo é cinza e tens que beber para esquecer a vida que tens, aproveitar o máximo das coisas, porque no fundo o vazio em que vives te leva a viver num profundo inferno. Nada te sai bem. Tudo é uma catástrofe.


Como percebemos nas palavras de Jesus ao longo destes quarenta dias, ele pretende preencher o nosso vazio. Claro, se Você quiser, porque pode ser que Você goste de viver nesta mediocridade. Ele quer limpar a nossa casa e nos propõe uma única coisa: experimentar que uma mudança radical de vida vem da busca de um Deus que não suporta ver o ser humano nesta situação.


Jesus mesmo, podemos observar nas escrituras, desprezou as satisfações do mundo. No deserto, durante quarenta dias, Cristo foi tentado pelo diabo que lhe ofereceu riquezas, prestígio, poder, etc. Como homem disse “não” porque sabia que o seu Pai havia lhe preparado um projeto para a sua vida e, também como homem, tomou a decisão firme de fazer a vontade do seu Pai. Aqui encontramos um ponto importante: Cristo, para tomar essa decisão tem que combater, tem que lutar e, radicalmente, diz “não” às propostas do demônio.
O Senhor, como eu dizia, te faz uma proposta para entrar no teu vazio, limpar a tua casa (coração), te tirar do pecado, mas é preciso que Você tome uma decisão radical de querer ser transformado (a). Essa decisão é de lutar, jejuar do pecado e querer fazer a vontade de Deus, porque corremos o perigo de darmos uma resposta insuficiente ao Senhor e como diz a Palavra: “o demônio volta com mais sete demônios à casa que estava limpa e arrumada pelo Senhor e a tua situação fica pior que antes.


Por isso, é preciso se colocar na verdade. Eu quero nesta Páscoa ressuscitar com Cristo? Eu quero mudar radicalmente? Eu quero que Cristo preencha o meu vazio que é fruto e conseqüência da vida que eu estou levando?


Muitos personagens na Escritura, através de um encontro com Cristo, mudaram radicalmente de vida. Um deles foi Zaqueu, um homem rico e pecador. Jesus entrou na sua casa, viu a bagunça que era a sua vida sem sentido e o amou. Imediatamente saiu da boca de Zaqueu o desejo de seguir a Cristo.


É verdade que é uma luta tomar essa decisão, porém é mais verdade que não podemos continuar brincando com a nossa vida. Não estamos nos preparando para um teatro ou uma estória. Estamos falando de uma realidade que tem mudado a vida de muita gente. E por que não pode mudar a sua vida? Talvez a sua resposta seja a seguinte: “eu sou um grande pecador; eu tenho medo…” Queres continuar a viver na futilidade, não experimentar o sabor de viver o céu aqui na terra e nem o habitar dentro de ti Cristo ressuscitado?


Jejum: pedir ao Senhor a graça de neste tempo quaresmal jejuar de pecado. Mas é possível? Sim! Apóia a tua vida Nele e combate!  Rezar: fazer alguns momentos de oração individual durante o dia, se possível diante do Santíssimo Sacramento.


Esmola: quando o combate for grande, faça uma esmola ao pobre, à Paróquia, a alguma instituição de caridade e Você verá que o Senhor preencherá o seu vazio."


"Foi  Ele  que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados"
 (1Jo 4,10).

segunda-feira, 21 de março de 2011

Mensagem do Santo Padre Bento XVI: Eclipse do pecado, Eclipse de Deus

"Queridos irmãos e irmãs:

Hoje é o primeiro domingo da Quaresma, tempo litúrgico de quarenta dias que constitui, na Igreja, uma jornada espiritual de preparação para a Páscoa. Trata-se, em suma, de seguir Jesus, que se dirige decididamente até a cruz, ponto culminante de sua missão de salvação.


Se nos perguntarmos: por que a Quaresma? Por que a cruz?, a resposta, em termos radicais, é esta: porque existe o mal, e mais ainda, o pecado, que, de acordo com as Escrituras, é a raiz de todo mal. Mas esta afirmação não é algo que pode ser dado por certo, e a própria palavra "pecado" não é aceita por muitos, porque pressupõe uma visão religiosa do mundo e do homem. De fato, é verdade: quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado.


Da mesma maneira que, quando o sol se esconde, desaparecem as sombras - a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado. Por esta razão, o sentido do pecado - que é algo diferente do "sentimento de culpa", como é entendido pela psicologia - é adquirido redescobrindo o sentido de Deus. Isso se expressa no salmo Miserere, atribuído ao rei Davi por ocasião do seu duplo pecado de adultério e assassinato: "Contra vós - diz Davi, dirigindo-se a Deus -, só contra vós pequei" (Salmo 51,6).


Diante do mal moral, a atitude de Deus é opor-se ao pecado e salvar o pecador. Deus não tolera o mal, pois é Amor, Justiça, Fidelidade; e precisamente por esta razão, não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Para salvar a humanidade, Deus intervém: nós o vemos na história do povo judeu, a partir da libertação do Egito. Deus está determinado a libertar seus filhos da escravidão para conduzi-los à liberdade. E a escravidão mais severa e profunda é precisamente a do pecado. Por este motivo, Deus enviou seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, "origem e causa de todo pecado". Enviou-o à nossa carne mortal para se tornar vítima de expiação, morrendo por nós na cruz.


Contra este plano de salvação definitiva e universal, o Diabo se opôs com toda sua força, como evidenciado em particular pelo Evangelho das tentações de Jesus no deserto, proclamado anualmente no primeiro domingo da Quaresma. De fato, entrar neste período litúrgico significa colocar-se cada vez mais do lado de Cristo contra o pecado, para enfrentar - seja como indivíduos, seja como Igreja - a batalha espiritual contra o espírito do mal (Quarta-Feira de Cinzas, oração coleta).



Por esta razão, invocamos a ajuda materna de Maria Santíssima para o itinerário quaresmal, que acaba de começar, para que esteja repleto de frutos de conversão. Peço uma especial lembrança na oração por mim e meus colaboradores na Cúria Romana, que nesta noite começaremos a semana de Exercícios Espirituais."



[Tradução: Aline Banchieri.
©Libreria Editrice Vaticana]



sexta-feira, 18 de março de 2011

19 de Março - Festa de São José - Protetor da Ordem Carmelita


Hoje a liturgia faz-nos honrar São José, “homem justo e amparo de Jesus”. É pouco o que dele nos diz o Evangelho; todavia, é suficiente para compreender a importante função que lhe foi confiada no desígnio salvífico divino. A sua “justiça” está intimamente ligada à sua docilidade radical no que diz respeito ao projecto de Deus. Foi mesmo assim ele se tornou o “guardião generoso” do Filho do Altíssimo, para usar as mesmas palavras com que rezamos no início da Santa Missa na colecta. São José é Pai. Porém, é uma paternidade que não nasceu do desejo da carne e nem sequer da vontade do homem; uma paternidade que foi encontrada, não procurada, concedida inesperadamente, providencialmente e totalmente gratuita. Deus tencionava tornar-se o Emanuel, isto é, o Deus-connosco e por isso quis que José tomasse consigo a Mãe de Jesus.


Deus queria dar um Salvador ao seu povo e por isso quis que José acolhesse o Filho de Maria como o próprio filho e o chamasse Jesus. E Deus serve-se também da paternidade de José para salvar a a humanidade. E ainda hoje, como no curso da história, Deus procura “pais” para os seus filhos. Caros Irmãos, de um certo modo também nós fomos escolhidos pelo Senhor para fazer de pais aos seus filhos, especialmente aos jovens e aos jovens que se encontram em dificuldade. Não é precisamente esta a vocação específica e o carisma de cada um de nós, como salesianos, seguindo o exemplo e os ensinamentos de Dom Bosco?


Paremos a meditar sobre a figura bíblica de São José, muito cara à tradição cristã e ao Papa Pio IX proclamando-o patrono da Igreja universal. Em 8 de Dezembro de 1870. A sua grandeza reside na enorme graça que Deus lhe fez, quando põe na suas mãos e sob a sua autoridade as pessoas mas amadas por Ele: o seu Filho, feito homem, Jesus, a sua virgem Mãe, Maria. Comenta São João Crisóstomo: “Maria é confiada agora a José, como mais tarde Cristo a confiará ao seu discípulo: (Homilias sobre o Evangelho de Mateus 4,6). Nenhum outro homem teve nem terá jamais um tal encargo: cuidar e guardar o Filho de Deus, conviver com Ele e educá-lo.


Erraríamos, porém, se admirássemos apenas a familiaridade que José teve com Jesus. Uma veneração, que brota somente de uma simples admiração, não faria justiça ao caminho de fé percorrido por ele. Como nos recorda o apóstolo Paulo na segunda leitura, Deus não dá uma graça sem fazer contas com a fé daquele que chama: o crente não se torna justo pelo que consegue fazer por si mesmo, com os seus próprios esforços, mas “em virtude da justiça, que vem da fé”. Isto significa que ao que e chamado, antes de mais nada, é-lhe pedido para se entregar totalmente a Deus e à sua graça. Assim fez José: confiou em Deus mesmo sem compreender os acontecimentos que o esperavam.


É óbvio que confiar-se sempre e totalmente a Deus não é simples, nem é fácil. Quem percorre este caminho atravessa muitas vezes momentos de escuridão e deve afrontar provas dolorosas. Na narração evangélica, que escutamos pouco antes, fala da “noite” de José. Esposo prometido a Maria, antes de passar a viver com ela, vem a descobrir a misteriosa maternidade da sua futura esposa e se pergunta o que deve fazer. Sendo justo, sublinha o evangelista Mateus, por uma parte não quer cobrir com o seu nome um filho de quem ignora a paternidade, mas, ao mesmo tempo, convencido da virtude de Maria decide não entregá-la a um processo rigoroso previsto pela lei (Cf Dt 22,20 ss). Em sonho o anjo fez-lhe compreender que Maria tinha concebido por obra do Espírito Santo e, fiando de Deus, José consente e coopera no plano de salvação. Certo, Deus não lhe pede antecipadamente o seu consentimento. A “ingerência” – por assim dizer – divina na sua vida matrimonial, a intromissão na mais intima relação pessoal com a sua esposa, a mudança do projecto de vida, não puderam senão suscitar nele dúvidas, interrogações e, porque não, também um justificado desconcerto.


Com efeito, quem confia em Deus, não por isso vê tudo claro. Quem acolhe Deus e os seus projectos, é chamado inevitavelmente a esvaziar-se de si e a renunciar aos próprios sonhos e desejos. Deus não chama, sem exigir; nem enche, sem esvaziar; não dá, sem tirar. Só quem aceita voluntariamente a perda de si, pode entrar na lógica de Deus. Mais uma vez, é a lei bíblica do êxodo, as condições exigentes do seguir a Cristo. Diz Jesus: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo… quem quiser salvar a própria vida, a perderá , mas quem perder a própria vida por mim, a salvará” (Lc 9, 23-24)(...)
Voltemos a São José: a sua justiça reside no seu silencioso assumir os projetos de Deus. Não calculou quanto lhe custaria conformar-se a eles, nem perdeu tempo a valorizar as consequências da sua decisão. Deus o chamava, e ele dócil obedeceu. Acordado do sonho, precisa o Evangelista, fez como lhe tinha sido dito pelo anjo. Assim José é homem justo, não por ter exercido a justiça, segundo os seus próprio direitos, mas por ter permitido a Deus entrar na sua vida. Deus, que lhe tinha tirado a família em que tinha pensado, pô-lo à frente da sua própria família; provou-o do direito à paternidade física, mas fê-lo protagonista de uma paternidade quanto mais responsável. No sonho, José, antes do que na vida quotidiana, torna-se familiar com aquela vontade divina, que dia após dia deveria realizar. E este “sonhar a vontade de Deus” preparou-o a vivê-la, iluminando os acontecimentos da sua existência familiar e facilitando-lhe o quotidiano cumprimento. " (...)

 Autor: Cardel Tarcisio Bertone



"Os Santos Padres e Doutores da Igreja concordam em dizer que São José foi escolhido para esposo de Maria pelo próprio Deus.É eloqüente o testemunho de Santa Teresa de Jesus (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No "Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu: "Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir.

Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus... De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida.


Santa Teresa dizia que Deus fez de São José o plenipotenciário, o tesoureiro geral para aliviar e socorrer as almas em todas as necessidades, especialmente os pecadores. Aos 26 anos ela foi curada milagrosamente de uma paralisia pela intercessão de São José; assim se tornou uma incansável propagandista do Santo. Ela distribuía imagens e orações de São José. Deu o seu nome a treze conventos que ela fundou; e aconselhava que os católicos o tomassem como Advogado nas adversidades e mestre na vida interior."


Extraido de " O Glorioso São José do Prof. Felipe Aquino" Prof. Felipe Aquino.

 

sexta-feira, 11 de março de 2011

I Domingo da Quaresma


 Homilia do D. Henrique Soares da Costa

( Gn 2,7-9; 3,1-7;  Sl 50;  Rm 5,12-19;  Mt 4,1-11)


Logo no início deste santo caminho para a Páscoa, a Palavra de Deus nos desvenda dois mistérios tremendos: o mistério da piedade e o mistério da iniqüidade! Esses dois mistérios atravessam a história humana e se interpenetram misteriosamente; dois mistérios que nos atingem e marcam nossa vida, e esperam nossa decisão, nossa atitude, nossa escolha! Um é mistério de vida; o outro, mistério de morte.



Comecemos pelo mistério da iniqüidade: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Eis! A vida que vivemos, a vida da humanidade é uma vida de morte, ferida por tantas contradições, por tantas ameaças físicas, psíquicas, morais… Viver tornou-se uma luta e, se é verdade que a vida vale a pena ser vivida, não é menos verdade que ela também tem muito de peso, de dor, de pranto, de fardo danado. Mas, como isso foi possível? Escutemos a primeira leitura: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente”. Somos obra de Deus, do seu amor gratuito: do nada ele nos tirou e encheu-nos de vida. Mais ainda: “O Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado”. Vede: o Senhor não somente nos tirou do pó do nada, não somente nos encheu de vida; também nos colocou no jardim de delícias, pensou nossa vida como vida de verdade toda banhada pela luz do oriente. E mais: nosso Deus passeava no jardim à brisa do dia (cf. Gn 3,8), como amigo do homem.



Eis o mistério da piedade, o projeto que Deus concebeu para nós desde o início, apresentado pela Palavra de modo poético e simbólico: um Deus que é Deus de amor, de ternura, de carinho, de respeito pela sua criatura, com a qual ele deseja estabelecer uma parceria; um homem chamado a ser plenamente homem: feliz na comunhão com Deus, feliz em ter no seu Deus sua plenitude e sua vida; homem plenamente homem nos limites de homem. O homem é homem, não é Deus! Somente o Senhor Deus é o Senhor do Bem e do Mal. Por isso as duas árvores no Éden: a do conhecimento do Bem e do Mal (isto é, o poder de decidir por si mesmo o que é bem ou mal, certo ou errado) e a árvore da Vida (da vida plena, da vida divina). Se o homem confiasse em Deus, se cumprisse seu preceito, se reconhecesse seus limites, um dia comeria do fruto da árvore da Vida…



Mas, o homem foi seduzido; é seduzido inda agora: deseja ser seu próprio Deus, sem nenhum limite, sem nenhuma abertura à graça! Somente sua vontade lhe importa, somente sua medida! Hoje, como no princípio, ele pensa que é a medida de todas as coisas! Eis aqui o seu pecado! O Diabo o seduz: primeiro distorce o preceito de Deus (“É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim’?”), semeando no coração do homem a desconfiança e o sentimento de inferioridade; depois, mente descaradamente:“Não! Vós não morrereis! Vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal!” Ser como Deus, decidindo de modo autônomo o que é certo e o que é errado; decidindo que a libertinagem é um bem, que as aventuras com embriões humanos, que o aborto, que a infidelidade feita de preservativos, são um bem… Decidindo loucamente que levar a sério a religião e a Palavra de Deus é um mal… Ser como Deus… Eis nosso sonho, nossa loucura, nossa mais triste ilusão! Tudo tão atraente, tudo tão apto para dar conhecimento, autonomia, felicidade… O resultado: os olhos dos dois se abriram: estavam nus… estamos nus… somos pó e, por nós mesmos, ao pó tornaremos, inapelavelmente!



Então, nosso destino é a morte? Não há saída para a humanidade? O mistério da iniqüidade destruiu o mistério da piedade? Não! De modo algum! Ao contrário: revelou-o ainda mais: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte; ma foi de modo bem superior que a graça de Deus… concedida através de Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Por um só homem a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça”. Eis aqui o mistério tão grande, o mistério da piedade, o centro da nossa fé: em Cristo revelou-se todo o amor de Deus para conosco; pela obediência de Cristo a nossa desobediência é redimida; pela morte de Cristo na árvore da cruz, nós temos acesso ao fruto da Vida, da Vida plena, da Vida em abundância, da Vida que nunca haverá de se acabar! Pela obediência de Cristo, pelo dom do seu Espírito, nós temos a vida divina, nós somos divinizados, somos, por pura graça, aquilo que queríamos ser de modo autônomo e soberbo! Assim, manifestou-se a justiça de Deus: em Jesus morto e ressuscitado por nós – e só nele! – a humanidade encontra vida!



Mas, esta salvação em Jesus teve alto preço: a encarnação do Filho de Deus e sua humilde obediência, até a morte e morte de cruz. O Senhor desfez o nó da nossa desobediência, da nossa auto-suficiência, da nossa prepotência, renunciando ser o senhor de sua existência humana: ele acolheu a proposta do Pai, ele se fez obediente: à glória do pão (dos bens materiais, dos prazeres, do conforto) ele preferiu a Palavra do Pai como único sentido e única orientação de sua vida; à glória do sucesso (a honra, a fama, o aplauso), ele preferiu a humildade de não tentar Deus; à glória do poder (da força, das amizades poderosas e influentes, do prestígio político para impor e conseguir tudo) ele preferiu o compromisso absoluto e total com o Absoluto de Deus somente. Assim, Cristo Jesus, o Homem novo, o novo Adão (de quem o primeiro era somente figura e sombra) abriu-nos o caminho da obediência que nos faz retornar ao Pai!



Este é também o nosso caminho. Nossa vocação é entrar, participar, da obediência de Cristo pela oração, a penitência e a caridade fraterna para sermos herdeiros de sua vitória pascal! Este sagrado tempo que estamos iniciando é tempo de combate espiritual, para que voltemos, pelo caminho da obediência Àquele de quem nos afastamos pela covardia da desobediência. Convertamo-nos, portanto! Deixemos a teimosia e a ilusão de achar que nos bastamos a nós mesmos! Sinceramente, abracemos os sentimentos de Cristo, percorramos o caminho de Cristo, convertamo-nos a Cristo!



Concluamos com as palavras da Coleta de hoje: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”. Amém."



D. Henrique Soares da Costa
Fonte : http://www.presbiteros.com.br/

segunda-feira, 7 de março de 2011

Preparação para o Tempo da Quaresma - 2011

Quaresma - Tempo de Conversão

"Eis-nos de novo na Quaresma que nos prepara e conduz à celebração da Páscoa da Ressurreição. É um tempo litúrgico muito precioso e importante para cuidar da qualidade da nossa vida espiritual; tempo especial de recolhimento e de oração para discernir a presença de Deus na nossa vida, para aferir a verdade e a autenticidade das nossas opções, dos nossos comportamentos, do nosso estilo de vida à luz da Palavra de Deus e dos desafios do nosso tempo.


"Hoje corremos o risco de nos deixar seduzir pelo estilo consumista, na busca de um bem estar meramente material, que um autor descreve de modo acutilante: “O consumismo converteu-se na ‘nova religião’ do homem moderno. A meta absoluta consiste em possuir e gozar: eis a sua doutrina. Para isso é necessário trabalhar e ganhar dinheiro: eis a sua ética e os seus valores. As grandes superfícies são as novas catedrais: eis os seus lugares de culto. Os praticantes acodem à sua compra semanal: eis o preceito de fim de semana. Vivem com devoção intensa as grandes festas (Natal, Ano Novo, férias, casamentos, dia dos pais, das mães, dos namorados...)... Temos de tudo e carecemos de paz e de alegria interior” ( J. A. Pagola). 


"Neste horizonte cultural, o Santo Padre na sua mensagem de Quaresma convida-nos a reavivar – a viver de novo ou mais intensamente – a graça do nosso batismo, a vida nova em Cristo, nestes termos: “deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo, como São Paulo, no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo”. (1)


"O Santo Padre ainda nos diz que a quaresma “apresenta a caminhada real de Jesus, desde a sua entrada em Jerusalém até à ressurreição” recordando que, quem aclama Jesus como Messias nesta entrada “não são os habitantes da cidade, mas os peregrinos que se juntam a Ele”.


 “Se é verdade que a nossa peregrinação começou na ressurreição do Senhor, em que participamos pelo batismo, é também verdade que somos chamados a viver como o primeiro grupo de peregrinos, a dureza da Cruz, a tristeza da negação e do abandono, a dificuldade de continuar a ser discípulo”, observa.


A Quaresma “educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo”, leva-nos a “redescobrir o nosso Batismo”, a fazer “uma conversão profunda da nossa vida”, a “deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo”, a “orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus”, a “libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo”, a “reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo”. Deixando-nos perdoar, aprendemos também “a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo”.



O Sacramento da Confissão  
  
"Apelando aos Sacerdotes para que dêem o melhor do seu tempo ao atendimento das pessoas no Sacramento da Confissão, recordo, para todos nós, o que dizia o Cardeal Arcebispo de Colónia numa conferência sobre conversão e missão: “Ter negligenciado o Sacramento da Penitência é a raiz de muitos males na vida da Igreja e na vida do sacerdote. E a chamada crise do Sacramento da Penitência não se deve apenas ao fato de as pessoas terem deixado de se confessar, mas também ao fato de nós, sacerdotes, já não estarmos presentes no confessionário. Um confessionário em que um sacerdote está presente, numa igreja vazia, é o símbolo mais tocante da paciência de Deus que espera. É assim que é Deus. Ele nos espera a vida inteira”.
 

"Os próprios confessionários, que muitas igrejas, em nome da estética, esconderam ou deitaram fora, deixaram eles mesmos de ser um sinal catequético, pedagógico e interpelativo. Gostaria que, mesmo assim, alguns a darem nas vistas porque inestéticos, regressassem aos seus lugares como, aliás, a Igreja nos manda, para serem utilizados dentro da liberdade de escolha dos filhos de Deus (cân. 964). São sinais. A conversão também passará por aí." (2)



(1) D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima- Março 2011 - Ag. Ecclesia)"

(2) D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco - Portugal - Março 2011 - Ag. Ecclesia )

terça-feira, 1 de março de 2011

Prepação para o Tempo da Quaresma - 2011



 
"Os três domingos  consecutivos da  septuagésima, sexagésima e  quinquagésima (70, 60 e 50 dias  antes da Páscoa), tem por fim encaminhar  os  fiéis à preparação próxima da festa pascal.  Chama-se  Quaresma os 40 dias  de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa.  Essa preparação existe  desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus  Cristo no deserto. Durante esse tempo a  Igreja  veste seus  ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória",  o "Aleluia" e o "Te Deum". 


Na  4ª.  feira depois do domingo da quinquagésima, dia que começa a Quaresma, a Igreja  faz  imposição das cinzas (quarta-feira de cinzas), para lembrar os fiéis que são pó  e  em pó hão de tornar. 


Nesse  tempo santo, convém:  fazer penitência, observando a lei do jejum ( obrigatório na Quarta-Feira de Cinzas e Sexta da Paixão para os que possuem  21 anos completos até 60 anos de  idade), abstinência de  carne todas as sextas-feiras, ouvir com freqüência a  Palavra de Deus, reparar-se por uma boa confissão para comunhão pascal. 


O quinto domingo da Quaresma chama-se o Domingo da Paixão. A partir  deste  dia a  Igreja,  em sinal de luto, encobre com um véu as  imagens de Nosso Senhor e  dos  santos.


A última  semana  celebra-se a Semana  Santa;   chama-se santa, porque nesses dias se  comemoram os maiores mistérios praticados por Jesus Cristo para a redenção do gênero humano.  

No Domingo de Ramos, o sacerdote inicia as cerimônias benzendo solenemente os ramos e  depois os distribui ao clero e aos  fiéis, que os levam primeiro em procissão e depois para as  suas  casas.  Esta cerimônia simboliza a entrada  triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes de  sua paixão. Durante a missa canta-se ou lê-se  a narrativa da  Paixão, segundo  São Mateus,


Na terça-feira lê-se o a Paixão segundo São Marcos;  na quarta a de São Lucas e  na sexta a de São João),  que exprime claramente  quais devem ser os sentimentos e afetos do verdadeiro cristão durante toda a semana  santa. 


"Na  quarta, quinta e  sexta-feiras, realizam-se, à tarde, ofícios chamados trevas, porque antigamente eram cantados à noite. Findos, apagavam-se  as  luzes para simbolizar o luto da Igreja e a  escuridão que baixou à terra  quando Nosso  Senhor  morreu.  Conservou-se  esse costume até  hoje, apagando as  velas do candeeiro triangular e  as do altar, uma  por uma, no fim de cada  salmo.  Durante o ofício das trevas  cantam-se as lamentações do Profeta Jeremias sobre Jerusalém.  Os três últimos  tem igualmente, cada um,  ofícios  e  cerimônias peculiares para os atos religiosos." 


A quinta-feira  santa é consagrada  à  solene comemoração da  instituição da Santíssima Eucaristia e  do sacerdócio católico.  As principais  cerimônias  desse dia  são:  Missa in Coena Domini (Missa da Ceia do Senhor), recondando que Nosso Senhor após ter anunciado a sua Paixão, e preparado um lugar digno para a sua "última ceia", realizou pela primeira vez  a transubstanciação do pão e do vinho em seu Corpo e Sangue sacrosantos, dando aos apóstolos em comunhão, ao mesmo tempo que lhes conferiu o munus sacerdotal, lhes dizendo "Fazei isto em memória de mim".


"Em memória da humildade de  Jesus, que neste dia lavou os pés dos Apóstolos, o bispo em sua catedral, os sacerdotes em suas paróquias, os superiores em seus conventos, lavam os pés de doze pobres (ou ministros), beijam-nos com respeito, enxugam-nos  com as próprias  mãos, compenetrados dos mesmos sentimentos de humildade e  caridade  que tinha o Salvador. (É a cerimônia de "Lava-pés").


"A Igreja parece esquecer sua dor por um instante para festejar o grande mistério da Eucaristia. Os paramentos sacerdotais e  o véu da cruz do altar-mor são de  cor  branca;  ouve-se o canto do "Glória",  durante  o qual repicam solenemente  todos os sinos, emudecendo depois até  ao Sábado de Aleluia.  O padre consagra duas Hóstias grandes, uma das quais  conserva para o ofício da sexta-feira  santa porque  naquele dia,  em  que Jesus  ofereceu o sacrifício cruento no monte Calvário, não há consagração nas santas funções." 


Terminada a Santa Missa , as Sagradas Espécies são  trasladadas para outro altar, ficando lá até o momento da comunhão durante as cerimônias da Sexta-Feira Santa, onde comungam os sacerdotes, e em seguida os fiéis, conforme a forma litúrgica. Nesta noite da Quinta-Feira Santa faz-se vigílias nas igrejas diante de Jesus Sacramentado, costume piedoso e muito querido entre os fiéis.  


"Depois  da  cerimônia  precedente, retiram-se do altar-mor o Santíssimo, adornos, panos, etc., enquanto o sacerdote, com os ministros, reza o salmo 21, no qual Davi profetizou a  Paixão do Salvador com as circunstâncias de sua morte no Calvário." 


"Também na Quinta Feira-Santa, Os  bispos consagram nas catedrais, durante a Missa, os  Santos Óleos que devem servir  para a administração do Batismo e  da Extrema-unção, e em seguida o Santo Crisma, usado no Batismo, na Confirmação e na Ordem." 


"Sexta-feira Santa. As cerimônias desse  dia são todas lúgubres e  tristes, porque visam representar o seu fundador. O celebrante e os ministros aproximam-se do altar. Chegados lá, prostram-se, estendidos no chão; depois erguem-se e  procede-se à leitura de  uma lição da Sagrada Escritura e da Paixão. Seguem as orações solenes que a Igreja faz por todo o mundo, mesmo por seus maiores inimigos,  para imitar Nosso Senhor, que morreu por todos os homens. Ao concluí-las o celebrante, despindo a casula, dirige-se ao lado da epístola e  descobre sucessivamente os braços e a cabeça da cruz; coloca-a no degrau do altar e, de pés descalços, prostra-se três vezes, adorando Jesus Cristo representado sobre a cruz. Finda  esta  cerimônia, traz-se ao altar, em procissão solene, a Hóstia Consagrada, que desde a véspera achava-se no santo sepulcro. Chegado o préstito ao altar, o sacerdote a levanta, para ser adorada, e comunga." 


 "Sábado de Aleluia: este dia é consagrado especialmente a  honrar a  sepultura de Nosso  Senhor. As principais  cerimônias são:    Bênção do fogo novo, que se tira de um silex, e com o qual se acende um círio de três bicos, outras velas  e  a lâmpada do santuário." 


"Bênção do Círio Pascal;   Leitura das profecias;  Bênção da Água Batismal; Ladainha de todos os  santos; e  Missa  solene  com glória,  durante  a  qual se tocam os sinos e  se cantam as aleluias.  Ao meio dia  acaba-se o tempo de Jejum, portanto, fim do tempo quaresmal." 


"Domingo de Páscoa: Lembra  a  Ressurreição de Nosso  Senhor Jesus  Cristo. Como o predissera, ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, provando assim sua divindade e a  verdade  da doutrina  que ensinou." 


"Aproveitemos o tempo que nos é concedido viver  nesta terra, para que possamos cumprir todos  os preceitos do Senhor.  Com muito empenho, especialmente neste  tempo quaresmal,  fujamos  das más  inclinações e peçamos a Deus forças para podermos proporcionar frutos da mais digna  penitência e sincera conversão."  







Pedidos de Oração