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domingo, 28 de novembro de 2010

28 de Novembro de 2010 - Abertura do Ano Liturgico


 "O Santo Padre Bento XVI celebrou na tarde de ontem, sábado, na Basílica de São Pedro, as Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento. As vésperas foram inseridas no âmbito da vigília pela vida do nascituro, na perspectiva do Tempo de Advento e do Natal que se aproxima. Várias paróquias, comunidades, movimentos e associações de todo o mundo aderiram ao convite do Papa de rezar pela vida nascente.

Em sua homilia, o Santo Padre exortou os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a promoverem uma cultura de respeito pela vida, buscar condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento e desenvolvimento da vida. "A vida, uma vez concebida, deve ser protegida com o máximo cuidado" – frisou Bento XVI.

O Papa agradeceu a todas as pessoas que aderiram ao convite de celebrar uma vigília pela vida do nascituro. "O início do Ano Litúrgico nos faz viver novamente a espera do Deus que se fez homem no seio da Virgem Maria, o Deus que se fez pequeno, se tornou uma criança" disse ainda o pontífice.

Bento XVI ressaltou os problemas que afetam as crianças após o nascimento como abandono, fome, miséria, doença, abusos, violência e exploração. "As muitas violações dos direitos das crianças que se comentem no mundo ferem dolorosamente a consciência de toda pessoa de boa vontade" – frisou o Papa.

"Diante deste triste cenário de injustiças perpetradas contra a vida humana, antes e depois do nascimento, faço minhas as palavras do Papa João Paulo II em favor da responsabilidade de todos e de cada um: respeita, defende, ama e serve a vida, toda vida humana. Somente neste caminho encontrarás justiça, desenvolvimento, verdadeira liberdade, paz e felicidade" – disse Bento XVI.

A vigília pela vida do nascituro marcou também a conclusão do Congresso Internacional da Família promovido pelo Pontifício Conselho para a Família. Um encontro que abordou o tema da família como sujeito ativo na pastoral e no anúncio missionário e que contou com a participação e o testemunho de vida de muitas famílias. (MJ)"


Fonte :Pastoralis

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Reflexão

"Com a vinda de Cristo tudo muda em relação ao velho testamento. Cristo abre as portas do céu que estavam fechadas. Imaginem que antes não se entrava no céu, os justos tiveram que esperar a vinda de Cristo.

Nós já nascemos cristãos. Muitas vezes não valorizamos este presente que Deus Pai nos deu. Comportamo-nos como se o nascimento de Cristo não significasse nada para nós.

Que este tempo de Advento nos ajude a tomar consciência do grande amor de Deus por nós. Ele enviou seu próprio Filho por amor a mim, a ti, por amor a cada homem.

Imaginemos um Deus humilhando-se para fazer-se homem. Difícil não é? Uma imagem mais simples pode nos ajudar. Imagine se nesse momento nos fizéssemos formigas. Que humilhante. Para Cristo deve ter sido muito mais. Um Deus Todo-Poderoso que se faz uma criança frágil e indefesa.

Despertemos para a vida com Cristo. Quem está com Cristo vive de verdade. Sem Cristo a vida é um engano. O Verbo se fez carne para nos ensinar esta verdade.

FEZ TUDO ISSO POR AMOR. POR AMOR A TI, POR AMOR A MIM, POR AMOR AOS HOMENS.

Quanta expectativa não existe quando se espera um bebê. Todos estão ansiosos. O Advento é como a espera de uma criança. Uma criança que quer entrar na sua vida."

Fonte :Pastoralis

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

24 de Novembro - São João da Cruz


Festa de São da Cruz
(celebrada hoje no Rito Tridentino)

No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro.” (Mateus 25,6)

"A todos é dada a chance de alcançar a santidade. Deus nos indica os caminhos que podemos percorrer para tal fim, e isto podemos perceber das mais diversas maneiras, seja através de uma leitura bíblica, uma experiência vivida, seja de forma clara ou implícita, etc. Isto porque os propósitos do Senhor não são em vão, e seus caminhos não são impossíveis. Obter os méritos da santidade não é algo fora de nossas possibilidades, como costumeiramente enxergamos. À primeira vista realmente, não nos parece palpável este ideal, mas sim algo abstrato, até mesmo utópico ou romântico. Supomos ser apenas um pretexto, uma manobra para nos tornarmos pessoas melhores. Porém, ao nos distanciarmos da visão de Deus como um mero “transformador de caráter” e ao retornarmos à visão correta de Deus como o Senhor de tudo e de todos, percebemos que a imitação de Deus é a pauta única que deve reger nossa vida, e da qual jamais devemos desviar.



Caminhando sobre esta pauta, vamos vivendo como que num mar, no qual não devemos nos deter à margem, e sim avançar sempre para as águas mais profundas (Lc 5,4), para que não caiamos facilmente na tentação de retornar a terra. Uma vez lançados ao mar de Cristo, devemos querer mais e mais desta água viva, água que jorra do trono celestial (cf. Ap 22,1).



Como obter tal avanço, se somos frívolos, superficiais, se convertemos nossa natureza em debilidade e entrega ao pecado? O avanço se consegue com o desejo, a renúncia e a perseverança. Ora, se não se quer aprofundar no mar da santidade, se não se troca o “eu” pela Vontade Divina, se não há persistência frente às quedas, o espírito jamais conseguirá evoluir, encontrar a verdadeira luz.



São João da Cruz (1542 – 1591) vem nos mostrar de um modo bem particular, que devemos passar por sobre as nossas dificuldades a fim de sermos perfeitos, algo que o próprio Deus deseja: “O que Deus pretende é fazer-nos deuses por participação, sendo-o Ele por natureza, como o fogo que tudo converte em fogo.” (Ditos de Luz e Amor cap.2, 106b) Independente da vocação, ou mesmo da espiritualidade do homem, o convite à perfeição está entremeado em sua vida desde o seio materno, pontilhado e evidenciado pelos sacramentos, a começar pelo batismo. De alguma forma, sempre seremos lembrados de que há algo mais além no mar da nossa vida.



E é então que surge a “Noite Escura da alma”, um fase difícil, temida pelos descrentes, desejada pelos fiéis, e louvada pelos que por ela já passaram: “Oh! Noite, que me guiaste, Oh! Noite, amável mais que a alvorada, Oh! Noite, que juntaste amado com amada...” (Noite Escura da alma, livro 2) É o período característico dos sofrimentos mais profundos, do despojamento do ego, do calar gradativo dos sentimentos e sentidos, dando lugar à cruz, que se tornará o leito nupcial da alma, que anseia pelas bodas, pelo encontro com o Noivo.



A Noite Escura é o momento de união, de verdadeira fusão com Jesus, pois através dela, provamos da Cruz, da dor redentora de Cristo, escada que nos leva ao céu. É um doce penar, pois nos mostrará a aurora, cuja claridade é infinitamente maior que os degraus que tivemos que subir para avistá-la.



Mas, quando se dá este processo? A que altura da noite avistaremos o Noivo? Não existe um marco, um momento único para todos. A evolução espiritual é pessoal, se dá de maneira diferente em cada ser. Cabe a todos, porém, vigiar.



Podemos nos comparar com as Dez Virgens da parábola (cf. Mt 25): muitas vezes somos com as imprudentes, isto é, nos preocupamos demais em “aproveitar a vida” e nos esquecemos do essencial. Outras vezes, porém, pela graça de Deus, somos como as virgens prudentes que, mesmo que houvessem cochilado (cf. Mt 25,5) durante a vigília, trouxeram consigo o óleo que manteria acesa a chama de suas lâmpadas e, portanto, não perderão o encontro com o noivo.



“No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas.”(Mt 25, 6-7)



Nossos reservatórios de óleo devem estar cheios, pois não sabemos quando se iniciará e muito menos quanto tempo durará a noite antecedente às núpcias. Tratemos, pois, de ir ajuntando enquanto há tempo, este combustível que nos clareará os passos em meio ao deserto e às trevas que a alma há de atravessar.



Tratamos de “noite” e de “escura” este período que, com efeito, é de sofrimento para alma, mas é ao mesmo tempo de gozo, pois o sofrer, para a alma que deseja Cristo, é imitar o amor de Jesus – a renúncia total: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.” (Jo 15,13) E como foi caro este amor!



Diz-se que o sofrer é gozo, não em um sentido masoquista, pois aí seria uma forma de satisfazer a carne, e logo uma via oposta à santidade. O sofrimento que nos traz a Noite Escura da alma é como um remédio que possui gosto ruim, mas que é indispensável para sarar o corpo, e assim conservar a vida. É como uma muralha que impede a visão de uma bela cidade, mas que a protege dos ataques do inimigo numa guerra.



Quem busca entender este mistério, mas não busca atingi-lo, jamais poderá encontrar a verdadeira alegria, que é estar pregado à cruz de Cristo (cf. Gl 2, 19b).



Não devemos nos assustar quando o sol começar a se pôr. Pelo contrário! A vigília da Grande Noite é mais simples do que se supõe. Ela consiste em se fazer como uma pequena criança, como o menor dos filhinhos de Deus, preocupado apenas em deitar em seu colo, e se deixar conduzir até o leito. É por isto que devemos procurar o Senhor desde muito cedo (cf. Ecl 12, 1), para desde então nos prepararmos para o encontro com Ele, sem nos preocuparmos com as dores e as tribulações, “porque o Senhor sabe livrar das provações os homens piedosos e reservar os ímpios para serem castigados no dia do juízo” (II Pd 2, 9).



Oh! Noite transformadora! Por ela vamos nos voltado para o centro da alma, onde habita a Santíssima Trindade; por ela mudamos nossa forma de orar; por ela abdicamos aos velhos sentimentos, imagens, lembranças e pensamentos, e nos focamos apenas em Deus; por ela passamos dos sentidos para o espírito. Oh! Noite, que juntaste Amado com amada!



São João da Cruz nos fala desta belíssima escuridão, porque ele mesmo a vivenciou. Foi para o calvário com Cristo, e com Ele ressurgiu. Não o fez por mérito próprio, mas pela graça de Deus. Ele ergueu todo o seu ensinamento sobre o de Jesus; nada disse de novo. Permaneceu fiel às Escrituras, à Tradição e à Santa Igreja, e se tornou mais uma estrela a nos lembrar do Sol Invencível que sempre reaparece, mesmo após as mais tenebrosas noites...



"Confiem em Deus, pois Ele não abandona aos que O buscam com simples e reto coração. Não lhes deixará de dar o necessário para o caminho até conduzi-los à clara e pura luz do amor".

(São João da Cruz)


Extraído de  :http://www.sociedadecatolica.com.br/

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

15 de Novembro - Todos os Fieis Defuntos da Ordem do Carmo


<< O amor a Cristo e a comum vocação que unem todos os Carmelitas como irmãos, enquanto, vivem nesta terra, não terminam com a morte, mas levam-nos a interceder com amor de solicitude fraterna pelos Carmelitas que terminaram a sua carreira nesta vida e ainda esperam a gloriosa e imperturbável visão do Senhor Deus da glória.

A oração comum de toda a Ordem implora ao Senhor a misericórdia para todos aqueles que nesta vida foram da família do Carmo, religiosos, religiosas, leigos no mundo, e todos quantos estiveram ligados à Ordem por laços de vocação, de amizade, benfeitores, ou simplesmente unidos pelo Escapulário.


Rezamos para que por intercessão de Maria a, Virgem do Escapulario, sinal de esperança certa e de consolação segura, se associem nos Céus, à grande família carmelitana dos santos e eleitos que já contempla Deus face a face. É também de notar que para além desta comemoração especial, cada comunidade carmelita, um dia por mês, dedica-o a rezar pelos defuntos da Ordem, e, todas as noites, depois da ceia, reza pelos familiares, amigos benfeitores e irmãos da Ordem, vivos e defuntos.>>

Porque rezar pelas almas do Purgatório?

O purgatório é um lugar de sofrimentos em que as almas se purificam, solvendo suas dívidas, antes de serem admitidas no céu, onde só entrará quem for puro. Sua existência se baseia no testemunho da Sagrada Escritura e da Tradição. Vários Concílios o definiram como dogma; Santos Padres e Doutores da Igreja o atestam a uma voz. Há uma prisão da qual não se sairá senão quando tiver pago o último centavo. (Mal. 18).

A Igreja, querendo que não nos esqueçamos das almas, consagrou um dia inteiro todos os anos à oração pelos finados. Determinou que em todas as missas houvesse uma recomendação e um momento especial pelos mortos. Ela aprova, sustenta e estimula a caridade pelos falecidos.

Como são esquecidos os mortos! Exclamava Santo Agostinho! E no entanto acrescenta S. Francisco de Sales, em vida eles nos amavam tanto. Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu... acabou-se!

Se cremos na vida eterna, cremos no purgatório. E se cremos no purgatório, oremos pelos mortos. O purgatório é terrível e bem longo para algumas almas, por isso devemos rezar muito pelas almas, socorrendo as almas, praticando a caridade em toda sua extensão. A devoção as almas do purgatório diz São Francisco de Sales encerra todas as obras de misericórdia, cuja prática, elevada ao sobrenatural nos há de merecer o céu.

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do calvário, que salvou o gênero humano. A cada Missa, diz São Jerônimo, saem muitas almas do purgatório. Depois da Missa...

A Comunhão. A Eucaristia é um Sacramento de descanso e paz para os defuntos, diz Santo Ambrósio. E o mesmo afirmam São Cirilo e São João Crisóstomo. Procuremos fazer boas comunhões lembrando-nos que quanto melhor as fizermos tanto mais aliviaremos os mortos. O Papa Paulo V estimulou a prática das comunhões pelas almas padecentes. Temos também as indulgências que entregamos a Deus para solver as dívidas das almas. Recitemos pequenas jaculatórias indulgenciadas. É tão fácil repeti-las em toda hora.

É uma mina de ouro que está a nossa disposição. Nossas orações são um meio de ajudar a salvar almas do purgatório. São João Damasceno diz que há muito testemunho encontrado na vida dos Santos que provou claramente as vantagens da oração que se fazem pelos defuntos. Nossos sofrimentos junto a prece tem uma eficácia extraordinária para obter de Deus todas as graças. Aliviemos as almas do purgatório', com tudo que nos mortifica. A Via Sacra é uma prática das mais ricas de piedade. O Rosário é a rainha das devoções indulgenciadas.

Santa Gertrudes afirmava que uma palavra dita do fundo do coração e animada de sólida devoção tem mais eficácia que grande número de orações, feitas com pouco fervor.

Mais uma forma de ajudar as almas é dar esmola ao pobre em sufrágio das almas benditas. As lágrimas que vossas esmolas enxugarem, o alívio que tiverdes dado aos que padecem fome, sede e frio, serão o alívio no purgatório para as almas sofredoras. É uma dupla caridade, socorrer os pobres por amor das almas. É dar duas vezes. Socorre os vivos e os mortos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Salvem as Almas !


"No mês de novembro, a Igreja convida-nos com maior insistência a rezar e a oferecer sufrágios pelos fiéis defuntos do Purgatório. Com esses irmãos nossos, que “também participaram da fragilidade própria de todo o ser humano, sentimos o dever – que é ao mesmo tempo uma necessidade do coração – de oferecer-lhes a ajuda afetuosa da nossa oração, a fim de que qualquer eventual resíduo de debilidade humana, que ainda possa adiar o seu encontro feliz com Deus, seja definitivamente apagado”(1)."

No Céu, não pode entrar nada de impuro, nem quem cometa abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida2. A alma desfeada pelas faltas e pecados veniais não pode entrar na morada de Deus: para chegar à eterna bem-aventurança, tem de estar limpa de toda a culpa. O Céu não tem portas – escreve Santa Catarina de Gênova –, e quem quiser entrar pode fazê-lo, porque Deus é todo misericórdia e permanece com os braços abertos para admiti-lo na sua glória. No entanto, o ser de Deus é tão puro que, se uma alma nota em si o menor vestígio de imperfeição, e ao mesmo tempo vê que o Purgatório foi estabelecido para apagar tais manchas, introduz-se nele e considera um grande favor que lhe seja permitido limpar-se dessa forma. O maior sofrimento dessas almas é o de terem pecado contra a bondade divina e o de não terem purificado a alma nesta vida (3) O Purgatório não é um inferno atenuado, mas o vestíbulo do Céu, onde a alma se purifica.



E se não se expiou na terra, são muitas as realidades que a alma deve limpar ali: pecados veniais, que adiam tanto a união com Deus; faltas de amor e de delicadeza com o Senhor; a inclinação para o pecado, adquirida na primeira queda e aumentada pelos pecados pessoais... Além disso, todos os pecados e faltas já perdoados na Confissão deixam na alma uma dívida, um desequilíbrio que tem de ser reparado nesta vida ou na outra. E é possível que as disposições resultantes dos pecados já perdoados continuem enraizadas na alma à hora da morte, se não foram eliminadas por uma purificação constante e generosa nesta vida. Ao morrer, a alma percebe-as com absoluta clareza, e terá, pelo desejo de estar com Deus, um anelo imenso de livrar-se delas. O Purgatório apresenta-se então como a oportunidade única de consegui-lo.


Nesse lugar de purificação, experimentam-se uma dor e um sofrimento intensíssimos: um fogo “mais doloroso do que qualquer coisa que um homem pode sofrer nesta vida”4. Mas também se experimenta muita alegria, porque se sabe que se ganhou definitivamente a batalha e que o encontro com Deus virá mais cedo ou mais tarde.



A alma que está no Purgatório assemelha-se a um aventureiro no limiar de um deserto. O sol queima, o calor é sufocante, dispõe de pouca água; divisa ao longe, para além do grande deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente. E põe-se a caminho, disposta a percorrer a pé aquela longa distância, ainda que o calor asfixiante a faça cair uma vez e outra. A diferença entre os dois está em que, no Purgatório, se tem a certeza de chegar à meta, por mais asfixiantes que sejam os sofrimentos(5).



Nós aqui na terra podemos ajudar muito essas almas a percorrerem mais depressa esse longo deserto que as separa de Deus. E ao mesmo tempo, com a expiação das nossas faltas e pecados, abreviaremos a nossa própria passagem por esse lugar de purificação. Se, com a ajuda da graça, formos generosos na prática da penitência, no oferecimento da dor e no amor ao sacramento do perdão, poderemos ir diretamente para o Céu. Isso é o que fizeram os santos. E eles nos convidam a imitá-los.



II. PODEMOS AJUDAR MUITO e de diversas formas as almas que se preparam para entrar no Céu e ainda permanecem no Purgatório. Sabemos que “a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo não se interrompe de nenhuma maneira, antes pelo contrário vê-se fortalecida pela comunicação de bens espirituais”6.



A segunda Leitura da Missa recorda-nos que Judas Macabeu, tendo feito uma coleta, enviou doze mil dracmas de prata a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados dos que tinham morrido em combate, porque considerava que estava reservada uma grandíssima misericórdia aos que tinham falecido depois de uma vida piedosa. E acrescenta o autor sagrado: É, pois, um pensamento santo e salutar orar pelos mortos, para que se vejam livres dos seus pecados7. Desde sempre a Igreja ofereceu sufrágios e orações pelos fiéis defuntos. Santo Isidoro de Sevilha afirmava já no seu tempo que oferecer sacrifícios e orações pelo descanso dos defuntos era um costume observado em toda a Igreja. Por isso – assegura o Santo –, pensa-se que se trata de um costume ensinado pelos próprios Apóstolos (8).


A Santa Missa, que possui um valor infinito, é o que temos de mais valioso para oferecer pelas almas do Purgatório9. Também podemos oferecer por elas as indulgências que lucramos na terra10: as nossas orações, de modo especial o Santo Rosário, o trabalho, a dor, as contrariedades, etc. Esses sufrágios são a melhor maneira de demonstrarmos o nosso amor pelos nossos parentes e amigos e por todos os que nos precederam e esperam o seu encontro com Deus. Os nossos pais ocuparão sempre um lugar privilegiado nessas orações. Por sua vez, as almas do Purgatório também nos ajudam muito nesse intercâmbio de bens espirituais que é a Comunhão dos Santos. “As almas benditas do purgatório. – Por caridade, por justiça e por um egoísmo desculpável – podem tanto diante de Deus! –, lembra-te delas com freqüência nos teus sacrifícios e na tua oração.


“Oxalá que, ao falar nelas, possas dizer: «Minhas boas amigas, as almas do purgatório...»”(11)


III. ESFORCEMO-NOS POR FAZER penitência nesta vida, anima-nos Santa Teresa: “Quão doce será a morte daquele que de todos os seus pecados a tem feita, e não há de ir para o Purgatório!”(12)


As almas do Purgatório, enquanto se purificam, não adquirem mérito algum. A sua tarefa é muito mais áspera, difícil e dolorosa do que qualquer outra que exista na terra: sofrem todos os horrores do homem que morre no deserto... e, no entanto, isso não as faz crescer em caridade, como teria acontecido na terra se tivessem aceitado a dor por amor a Deus. Mas no Purgatório não há rebeldia: ainda que tivessem de permanecer nele até o fim dos tempos, submeter-se-iam de bom grado, tal o seu desejo de purificação.


Nós, além de aliviá-las e de abreviar-lhes o tempo de purificação, ainda podemos merecer e, portanto, purificar com mais rapidez e eficácia as nossas tendências desordenadas.


A dor, a doença, o sofrimento, são uma graça extraordinária do Senhor para repararmos as nossas faltas e pecados. A nossa passagem pela terra, enquanto esperamos o momento de contemplar a Deus, deveria ser um tempo de purificação. Com a penitência, a alma rejuvenesce e prepara-se para a Vida. “Não o esqueçais nunca: depois da morte, há de receber-vos o Amor. E no amor de Deus ireis encontrar, além disso, todos os amores limpos que houverdes tido na terra. O Senhor dispôs que passássemos esta breve jornada da nossa existência trabalhando e, como o seu Unigênito, fazendo o bem (At 10, 38). Entretanto, temos que estar alerta, à escuta daquelas chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: Vem para junto do Pai13, vem ter com teu Pai, que te espera ansioso”(14).


Como é bom e grande o desejo de chegar ao Céu sem passar pelo Purgatório! Mas deve ser um desejo eficaz, que nos leve a purificar a nossa vida, com a ajuda da graça. A nossa Mãe, que é Refúgio dos pecadores – o nosso refúgio –, obter-nos-á as graças necessárias se nos determinarmos verdadeiramente a converter a nossa vida num spatium verae poenitentiae, num tempo de reparação por tantas coisas más e inúteis.

(1) João Paulo II, No cemitério da Almudena, Madrid, 2-XI-1982; (2) cfr. Apoc 21, 27; (3) cfr. Santa Catarina de Gênova, Tratado do Purgatório, 12; (4) Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 37, 3; (5) cfr. W. Macken, El purgatorio, em Palabra, n. 244; (6) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 49; (7) 2 Mac 12, 43-44; (8) cfr. Santo Isidoro de Sevilha, Sobre os ofícios eclesiásticos, 1; (9) cfr. Conc. de Trento, Sec. XXV; (10) cfr. Paulo VI, Const. Apost. Sacrarum indulgentiarum recognitio, 1-I-1967, 5; (11) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 571; (12) Santa Teresa, Caminho de perfeição, 40, 9; (13) Epístola de Santo Inácio aos Romanos, 7; (14) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 221.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

01 de Novembro - Festa de Todos os Santos


Uma das maiores duvida criadas com a figura dos santos é sua capacidade de serem mediadores entre Deus e os homens. Devido à passagem bíblica de 1Tim 2:5 muitos têm feito uma interpretação errada. Diz: "Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus". A primeira interpretação nos diria que não cabe dúvida de que só Jesus é o mediador entre Deus e os homens, portanto, afirmar que a intercessão dos santos é possível seria algo antibíblico, mas, a realidade é que não a contradiz.


Muitas destas interpretações se apóiam em prejuízos contra a Igreja e a grande maioria de interpretadores fundamentalistas termina contradizendo-se. Isto também se deve à ignorância sobre o que ensina a Igreja Católica.


Em 1 Tim 2, 5 se utiliza a palavra "mesités" (mediador) e também em outras passagens do Novo Testamento da Bíblia em grego, um termo que principalmente aparece junto a "aliança": Jesus é o mediador da nova aliança.


Quando na parte final de 1 Tim 2, 5 se diz " Cristo Jesus homem", nota-se a intenção do apóstolo Paulo por demonstrar que é como homem que Jesus é capaz de ser o reconciliador e mediador para o homem. Já que o pecado veio da desobediência do ser humano o único que pode redimi-lo deverá ser humano. Alguns quiseram utilizar esta mensagem de Paulo para lhe tirar o ofício de mediadora à Igreja e acrescentam arbitrariamente a entrevista de Col 1,18: "Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja", mas o caráter de mediador em Jesus é parte de sua função como homem e não como cabeça da Igreja.


É importante destacar que algo em que católicos e protestantes estão de acordo sobre o texto é que Paulo destaca que Jesus é verdadeiro homem e não só um mediador. O texto não vai a contraposição da Igreja, salvo que se busque uma quinta pata no gato.



"Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos"
 (Ap 6,9-11).


Os seguintes comentários tratam o termo mediador:


"Que Cristo seja o único mediador não significa que tenha terminado o papel dos homens na história da salvação. A mediação de Jesus reveste aqui abaixo sinais sensíveis: são os homens, a quem Jesus confia uma função para com sua Igreja; inclusive na vida eterna associa Jesus Cristo, em certa maneira, a sua mediação os membros de seu corpo que entraram na glória.


(...) Os que desempenham não são, propriamente falando, intermediários humanos com uma missão idêntica a que tiveram os mediadores do AT; não acrescentam uma nova mediação a do único mediador: não são a não ser os meios concretos utilizados por este para chegar aos homens. (...) Evidentemente, esta função cessa uma vez que os membros do Corpo de Cristo se reuniram com sua cabeça em sua glória. Mas então, em relação aos membros da Igreja que lutam ainda na terra, os cristãos vencedores exercem ainda uma função de outra índole.


Associados à realeza de Cristo (Rev 2,26s; 3,21; cf. 12,5; 19,15), que é um aspecto de sua função mediadora, apresentam a Deus as orações dos Santos daqui abaixo (5,8; 11,18), que são um dos fatores do fim da história." (Leon-Dufour, Vocabulário de Teologia Bíblica)


"Os cristãos compartilham a autoridade do rei dos reis, constituindo-se em mediadores sacerdotais no mundo da humanidade." ( Harrington, Revelation)


O cristão quando reza por outro ou a um santo, sua oração é em Cristo, não pensando que Cristo não tem nada a ver na oração. Nossa oração não exclui a mediação de Cristo mas sim é uma mediação participada de sua mediação. Assim, na Escritura se demonstra como muitas qualidades de Deus nos atribuem.


O Catecismo da Igreja Católica nos indica (956):


"Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos" (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)


Pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade... Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra... Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade.


Muitos cristãos pensam que os Santos e todos os que morrem já não podem rezar. É um engano incrível pensar que Deus não permita que o amor dos santos siga vivendo ao rezar por seus seres amados, pois se esquece que nosso Pai é Deus de vivos, e não de mortos. "Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos" (Ap 5,8).


A mediação dos Santos é real e verdadeiramente forte já que eles vivem a Glória de estar com Cristo nos Céus, e seguindo de novo o apóstolo Paulo quando diz: "Exorto, pois, acima de tudo que se façam pedidos, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens (1 Tim 2,1)", os cristãos têm a necessidade de orar para viver o amor reconciliador que nos ensinou Jesus ao nos abrir as portas da Casa do Pai.


"Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas." (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).


fonte : ACI Digital

 "Acima de tudo, recomendo que se façam súplicas, pedidos e intercessões, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade."(1Tim 2,1)



Os Santos sim intercedem pelos fiéis


Pedidos de Oração