Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Cruz, a Foice e o Martelo




Dom Fernando Arêas Rifan*

Em sua visita à Bolívia, no começo deste mês, o Papa Francisco recebeu do presidente Evo Morales uma cruz em forma de foice e martelo, símbolo do comunismo, tendo nela Jesus Crucificado, símbolo do cristianismo. Era uma réplica da escultura criada pelo jesuíta espanhol Padre Luis Espinal, ligado à Teologia da Libertação, como forma de diálogo ou mesmo simbiose entre o comunismo e o catolicismo.

Ao ver o rosto constrangido do Papa, lembrei-me do constrangimento de Dom Antônio Santos Cabral, arcebispo de Belo Horizonte, ao ser convidado por Juscelino Kubicheck para benzer a Igreja da Pampulha, em forma de foice e martelo. O arcebispo recusou, dizendo que a obra modernista de Oscar Niemeyer ia de encontro ao aceitável pela Igreja.

Deixando de lado a análise da impertinência do insólito presente de Evo Morales, consideremos apenas o significado de tal crucifixo em forma de foice e martelo.

Na entrevista no avião, o Papa explicou que o Pe. Luis Espinal pertencia à linha da Teologia da Libertação que utilizava a análise marxista da realidade. Segundo o Papa, Espinal era um entusiasta dessa análise da realidade marxista e também da teologia usando o marxismo. O Papa lembrou que, nesse tempo, o Superior Geral da Companhia de Jesus mandou uma carta a toda a Companhia sobre a análise marxista da teologia, dizendo que isso não podia, não era justo, pois são coisas diferentes. E o Papa Bergoglio lembra os documentos da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o assunto (CDFLibertatis nuntius e Libertatis conscientia).

Alguns tentaram justificar a amálgama entre marxismo e cristianismo, alegando que se poderia “batizar Marx” assim como Santo Tomás de Aquino “batizou” Aristóteles. Mas esses se esquecem de que Aristóteles era pagão, tinha uma filosofia natural, mas não era anticristão, ao passo que Marx, sua filosofia, sociologia, materialismo dialético, negação da propriedade, etc. são visceralmente antinaturais e anticristãos. Impossível ser batizado! Coisas irreconciliáveis!

O documento citado pelo Papa Francisco relembra a advertência do Papa Paulo VI: “Seria ilusório e perigoso o esquecimento do íntimo vínculo que os une de forma radical, aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária que conduz esse processo” (Octogesima adveniens, 34).

“Essa concepção totalizante (de Marx) impõe sua lógica e leva ‘as teologias da libertação’ a aceitar um conjunto de posições incompatíveis com a visão cristã do homem... A nova hermenêutica, inserida nas ‘teologias da libertação’ conduz a uma releitura essencialmente política da Escritura... A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre asexperiências históricas amargas às quais ele conduziu...” (Libertatis nuntius).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Autoridade da Encíclica


A versão em .pdf da Encíclica pode ser baixado aqui:  http://w2.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si_po.pdf

Clique Aqui para o DOWNLOAD da Encíclica 
de S. Santidade o  Papa Francisco

Dom Fernando Arêas Rifan* 

A última encíclica do Papa Francisco, “Laudato si”, sobre o cuidado da casa comum, contém importantes ensinamentos para o mundo de hoje. Alguns, porém, poderiam contestar, dizendo que não se trata de um dogma de fé e seus ensinamentos são discutíveis.

Há diversos graus de autoridade nos ensinamentos da Igreja. No primeiro grau, estão as verdades divinamente reveladas, ensinadas de forma solene pelo Magistério infalível, que exigem de nós assentimento pleno e irrevogável de fé. No segundo grau, estão as verdades relacionadas com o campo dogmático ou moral, necessárias para guardar e expor o depósito da fé, propostas de modo definitivo pela Igreja, a que devemos também um assentimento pleno e irrevogável, baseado na fé da assistência do Espírito Santo ao Magistério. No terceiro grau, estão os ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o magistério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los com um ato definitivo.


É nesse terceiro grau que se enquadra a Encíclica “Laudato si”, do Papa Francisco.

A esses ensinamentos do terceiro grau do Magistério, ou seja, do Magistério simplesmente autêntico, ainda que não tenham sido definidos com um juízo solene nem propostos como definitivos pelo Magistério ordinário e universal, “é exigida uma religiosa submissão da vontade e da inteligência. Esta não pode ser puramente exterior e disciplinar (silêncio respeitoso), mas deve colocar-se na lógica e sob o estímulo da obediência da fé” (Donum Veritatis, 23). Infelizmente há uma pressuposta equação falsa em voga: ensinamento magisterial não definitivo é igual a não obrigatório.

“Porque o ensinamento não infalível da Igreja, embora não de maneira absoluta, é também assistido pelo Espírito Santo. Muito se enganaria, pois, quem cuidasse que ele nos deixa inteiramente livres de assentir ou de discordar. Não obrigar sob pena de heresia, está longe de equivaler a não obrigar de todo... Nem basta acolher este ensinamento com um silêncio respeitoso; impõe-se uma adesão intelectual” (Penido – O Mistério da Igreja, VII).

“Nem se deve crer que os ensinamentos das encíclicas não exijam, por si, assentimento, sob alegação de que os sumos pontífices não exercem nelas o supremo poder de seu magistério. Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: ‘Quem vos ouve a mim ouve’ (Lc 10,16)” (Pio XII, Humani Generis, 20)

“Com relação ao ensinamento do Magistério em matéria em si não irreformável, a vontade leal de se submeter deve ser a regra... Neste âmbito de intervenções de tipo prudencial, aconteceu que alguns documentos magisteriais não fossem isentos de carências. Os Pastores nem sempre colheram prontamente todos os aspectos ou toda a complexidade de uma questão. Mas seria contrário à verdade se, a partir de alguns casos determinados, se inferisse que o Magistério da Igreja possa enganar-se habitualmente nos seus juízos prudenciais, ou não goze da assistência divina no exercício integral da sua missão” (Donum Veritatis 24/5/1990, 24).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney






domingo, 19 de julho de 2015

Nossa Senhora do Carmo (Recordando a Festa Celebrada em 16 de Julho)

 
Festa de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra a cada 16 de julho, é ainda símbolo do encontro entre a Antiga e a Nova Aliança porque foi no monte Carmelo (vocábulo hebreu que significa jardim) onde o profeta Elias defendeu a fé do povo escolhido contra os pagãos.

Elias e Eliseu permaneceram no Monte Carmelo e com seus discípulos viveram de maneira contemplativa, como eremitas em oração. Em meados do século XII de nossa era, São Bertolo fundou a Ordem do Carmelo e vários sacerdotes foram viver no Carmelo como eremitas.

Por volta de 1205 São Alberto, patriarca de Jerusalém, entregou aos eremitas do Carmelo uma regra de vida, que foi passada pelo Papa Honório III em 1226. Eles tinham a missão de viver como Elias e da Maria Santíssima, a quem veneravam como a Virgem do Carmo.

No Século XIII, o Papa Inocêncio IV concedeu aos carmelitas o privilégio de ser incluídos entre as ordens mendicantes junto com os franciscanos e dominicanos. Os carmelitas passaram por algumas reformas, sendo a maior delas a realizada por Santa Teresa d´Ávila (Santa Teresa de Jesus) e São João da Cruz. Através dos séculos esta espiritualidade deu muitos santos à Igreja.

O penhor do Santo Escapulário


Quem não o trará consigo como penhor de salvação eterna e proteção nos perigos, se Deus o concedeu ao mundo para honrar Sua Mãe e ajudar a salvar e proteger os seus filhos justos e pecadores? 


Foi em 16 de julho de 1251 que Nossa Senhora, aparecendo a S ão Simão Stock, superior geral dos Carmelitas, lho entregou dizendo:

"Recebe meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas". 

Setenta anos mais tarde, aparece a Vírgem ao Papa João XXII, confirma esta promessa e acrescenta outra, chamada a do privilégio sabatino, em que, mediante determinadas condições, a alma do confrade Carmelita será livre do Purgatório se lá estiver, no sábado a seguir à sua morte. Os Soberanos Pontífices consideram como pertencentes à Ordem do Carmo, todos os que recebem o seu escapulário. Para que todos possam usufruir das graças inerentes ao Escapulário, Sua Santidade, o Papa PIO X, em 16 de Dezembro de 1910, concedeu que o Escapulário, ema vez imposto, pudesse ser substituído por uma medalha que tenha dum lado Nossa Senhora sob qualquer invocação (Carmo, Dores, Conceição, Fátima, etc.) e do outro lado, o Coração de Jesus, e benzida com o simples sinal da cruz, na intenção de substituir este Escapulário. 

Em 28 de Janeiro de 1964, o Papa Paulo VI concedeu ainda que todos os Sacerdotes pudessem impor o Escapulário e substitui-lo pela respectiva medalha, pois até aí era um privilégio dos Padres Carmelitas e de outros Sacerdotes que o pedissem à Santa Sé, e nisto se mostra o desejo da Santa Igreja de que todos o tragam. 


fonte : ACI Digital

domingo, 12 de julho de 2015

Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo

Dom Fernando Arêas Rifan* 




Celebraremos a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo, devoção antiquíssima na Igreja, muito difundida pelo uso do Escapulário em sua honra.

Quase na divisa com o Líbano, o monte Carmelo, com 600 metros de altitude, situa-se na terra de Israel. “Carmo”, em hebraico, significa “vinha” e “El” significa “Senhor”, donde Carmelo significa a vinha do Senhor. Ali se refugiou o profeta Elias, que lá realizou grandes prodígios, e depois o seu sucessor, Eliseu. Eles reuniram no monte Carmelo os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado.

Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo.

No século XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa e começaram a perseguir os cristãos, entre eles os eremitas do Monte Carmelo, muitos dos quais fugiram para a Europa. No ano 1241, o Barão de Grey da Inglaterra retornava das Cruzadas com os exércitos cristãos, convocados para defender e proteger contra os muçulmanos os peregrinos dos Lugares Santos, e trouxe consigo um grupo de religiosos do Monte Carmelo, doando-lhes uma casa no povoado de Aylesford. Juntou-se a eles um eremita chamado Simão Stock, inglês de família ilustre do condado de Kent. De tal modo se distinguiu na vida religiosa, que os Carmelitas o elegeram como Superior Geral da Ordem, que já se espalhara pela Europa.

No dia 16 de julho de 1251, no seu convento de Cambridge, na Inglaterra, rezava insistentemente o santo para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem do Carmo, por ela tão amada, mas então muito perseguida. A Virgem Santíssima ouviu essas preces fervorosas de São Simão Stock, dando-lhe, como prova do seu carinho e de seu amor por aquela Ordem, o Escapulário marrom, como veste de proteção, fazendo-lhe a célebre e consoladora promessa: 


“Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo aquele que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção”. 


O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, em 11 de fevereiro de 1950, escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem “devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”. Mas faz uma advertência sobre sua eficácia, para que não seja usado como superstição: “O sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus; mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”.

* Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney


Tags : Festa do Carmo, Nossa Senhora do Monte Carmelo, Santo Escapulário, Odem do Carmo, Ordem Carmelita, Ordem Carmelitana, Ordem Terceira do Carmo, Leigos Carmelitas, Igreja do Carmo - Campos - RJ



https://www.facebook.com/www.flordocarmelo.org

terça-feira, 7 de julho de 2015

Julho - Mês de Nossa Senhora do Carmo

Festividades de Nossa Senhora do Carmo

Estão todos convidados a participar da solene festividade de Nossa Senhora do Carmo que se inicia hoje, com a Santa Missa e, em seguida, Novena Solene em honra de Nossa Mãe e Rainha, a partir das 19 horas, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo à rua 13 de Maio, Campos dos Goytacazes, RJ
Participe!
 — with Sodalício De Campos Carmelita and 4 others.
visite a página oficial da Ordem Terceira do Carmo



 jesuíta Pe. Antonio Vieira foi o maior orador de Portugal e Brasil durante o período do Barroco. No dia 16 de Julho de 1659 ele fez um famoso sermão na Igreja do Carmo de São Luís do Maranhão, norte do Brasil.

Sua argumentação começou com uma afirmação do Papa Xisto Quarto: “A formosíssima Virgem Maria, que por virtude admirável do Espírito Santo gerou a Nosso Senhor Jesus Cristo, essa mesma Virgem produziu a Ordem de Nossa Senhora do Monte do Carmo.” O Pontífice usa a palavra genuit (gerou) para Cristo e produxit (produziu) para a Ordem e família carmelitana.

Filho gerado e natural, não tem nem pode ter a Virgem Maria mais que um, aquele que juntamente é Filho unigênito do Pai; filhos, porém, produzidos e adotivos, pode a mesma soberana Mãe ter muitos, e estes são, por especial prerrogativa e filiação, os religiosos carmelitas, aos quais produziu ad extra,dando-lhes o nome e adoção de filhos, e ad intra, que assim se pode dizer, comunicando-lhes e produzindo neles seu próprio espírito.

O pregador português afirma: “A maior excelência que se pode dizer desta sagrada religião é que os carmelitas e Cristo sejam filhos da mesma Mãe. Nem Deus podia fazer mais a Maria, que dar-lhe a seu Filho por Filho, nem Maria podia fazer mais aos carmelitas, que dar-lhes a seu Filho por irmão.”

Dirigindo-se diretamente aos carmelitas disse: “Sois filhos da Virgem Maria, mas que Filhos? Filho do seu entendimento, da sua vontade, do seu juízo e do seu amor. O seu juízo vos preferiu, e o seu amor vos elegeu”. Portanto, para o pregador jesuíta nós, carmelitas, somos filhos de Maria porque o seu amor nos elegeu como tal.

Aqui surge uma dificuldade: Se todos os cristãos e todos os dedicados ao serviço da Virgem são e se chamam verdadeiramente seus filhos, que prerrogativa é esta da Ordem Carmelitana? Se há tantas congregações e comunidades que debaixo do mesmo nome servem e veneram a Mãe de Deus, e os devotos como é que ficam? Se na cruz Jesus deu sua mãe como mãe de toda a humanidade (Jo 19,25-27), como os carmelitas podem ser filhos especiais?

É certo que todos os cristãos, todos os devotos da Virgem, todos os que por instituto se dedicam a seu serviço, debaixo do nome e patrocínio de Maria Santíssima, são e se chamam verdadeiramente filhos de Nossa Senhora. Por isso que prerrogativa é esta da Ordem carmelitana de ser especial?
Pe. Antonio Vieira busca uma explicação nas Escrituras. Aponta que entre os discípulos de Jesus havia um discípulo amado; que Jacó tinha 12 filhos, mas o seu filho especial e amado era José. Assim porque entre os filhos da Mãe de Deus não pode haver filhos especiais?

Por isso ele afirma que os carmelitas são “Filhos COM os demais, mas não são filhos COMO os demais; são com especial eleição, com especial amor, com especial nome, com especial prerrogativa, enfim, com especial filiação.”
Pe. Vieira apresenta uma jerarquia de 3 graus entre os filhos Nossa Senhora. No primeiro grau entram todos os cristãos – todos são filhos; no segundo entram todos os devotos da Virgem; fazem parte do terceiro e supremo grau todos os dedicados a seu serviço numa Congregação ou Ordem. “Mas sobre todas estas jerarquias verdadeiramente angélicas, a especialmente escolhida, e, como escolhida, amada da Rainha dos Anjos, é a sua família carmelitana.”

Pe. Antonio explicita melhor: “De todos os povos, e gentes do mundo escolheu o povo cristão, que são os seus filhos por fé; de todos os cristãos escolheu os seus devotos, que são os seus filhos por afeto; de todos os seus devotos escolheu as congregações que a servem debaixo de seu nome e patrocínio, que são os seus filhos por instituto; e, finalmente, de todos os institutos passados, presentes e futuros, escolheu a Ordem do Monte Carmelo, para que ela fosse a única e escolhida entre todos os outros filhos, e, sobre todos eles, sua; Matri suae, electa genitrici suae. Todos os outros com mais ou menos prerrogativa, e sempre com grande dignidade, são filhos da Virgem Maria; mas os carmelitas são os seus filhos, os seus: Matri suae, genitrici suae.”

Qual o motivo para esta predileção e escolha? Afirma o pregador jesuíta: “Digo que foram preferidos os carmelitas pela grande semelhança que esta sagrada religião, desde seus antiquíssimos princípios, teve com Cristo. E era razão que aqueles fossem preferidos na eleição de filhos adotivos, que mais semelhantes e mais conformes eram ao Filho natural. Governou-se a Mãe de Deus neste decreto da sua eleição pelas mesmas idéias das eleições e decretos divinos.”
Assim, de acordo com o pensamento do grande pregador Pe. Antonio Vieira, os carmelitas são filhos especiais de Maria, e foram escolhidos por causa da grande semelhança que a Ordem do Carmo teve com Cristo.

Olhando a história do Carmelo vamos encontrar um grande número de santos e místicos. A nossa Ordem pode se orgulhar de seus santos e autores espirituais, como Teresa de Ávila, João da Cruz, Teresinha do Menino de Jesus, Edith Stein, Tito Brandsma, Alois Erhlich, etc.

Em sua carta II por ocasião dos 750 anos do Escapulário, o Papa João Paulo II reconhece este aspecto do Carmelo: “Desta espiritualidade mariana, que molda interiormente as pessoas, configurando-as com Cristo, o Primogênito entre muitos irmãos, são exemplo preclaro os testemunhos de santidade e de sabedoria de tantos Santos e Santas carmelitas, os quais cresceram, todos eles, à sombra e sob a tutela da Mãe (n. 6)”.

Mas se no momento atual não houver carmelitas que tenham “grande semelhança com Cristo”, de nada adiantará um passado glorioso. Em outras palavras, o Carmelo deve ter seus santos também nos tempos atuais e não só os do passado.

Este é um dos desafios que a Solenidade de Nossa Senhora do Carmo nos apresenta cada ano: darmos uma resposta positiva ao chamado à santidade na ótica da mística e da espiritualidade carmelitanas(...)


Homilia de Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm., na Igreja dos Carmelitas (Karmelitenkirche) em Bamberg, Alemanha. 15 de julho de 2012.

fonte: www.ocarmelo.blogspot.com

Tags: Ordem do Carmo,m Festa do Carmo, Nossa Senhora do Carmo, Carmelitas, Família Carmelita, Novena do Carmo, OTC Campos - RJ, Sodalício da Ordem Terceira do Carmo - Campos dos Goytacazes

Pedidos de Oração