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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Reflexão - Retiro de Carnaval - Por D. Eurico dos Santos Veloso


"No silêncio e na oração, Deus nos revela sua face e nos fortalece como fortaleceu a Cristo nas tentações."


Retiro espiritual

Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

 
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Lemos, muitas vezes, nos santos Evangelhos, que Jesus se afastava das multidões que o seguiam e retirava-se para um ermo onde pudesse entregar-se à contemplação. Antes de iniciar a sua vida pública, recolheu-se a um deserto, onde sua natureza humana foi posta à prova, sem que o demônio a pudesse dominar. A seus discípulos igualmente, ao voltarem da missão, retirava-se com eles para que pudessem na solidão estar a sós com Deus.

São Bernardo apelidava a solidão de felicidade: “O beata sollitudo, o sola beatitudo”. Momento privilegiado aquele em que afastados do burburinho dos sentidos e do mundo podemos nos encontrar conosco mesmos e com Deus. 

Foi no silêncio e na solidão que Elias ouviu a voz de Deus na suavidade de uma brisa. Na contemplação, os profetas, em recolhimento, sentiram o chamado e deixaram-se impregnar pelo Espírito, adquirindo forças para sua missão. 

O silêncio e o recolhimento na oração foram e são marca constante na Igreja, desde quando os Apóstolos, no Cenáculo, por nove dias, na oração e no silêncio, esperaram a manifestação do Espírito Santo. Os eremitas fugiam e fogem das concupiscências da carne e da soberba da vida, indo para o deserto onde entregam-se ao conhecimento de si próprios e à união com Deus, para irradiarem a vida na Igreja com sua sabedoria.

Santa Tereza afirmava que Deus sempre quer nos falar, mas o mundo faz tanto barulho que não o podemos ouvir. “Tudo o que é definitivo nasce e amadurece no seio do silencio: a vida, a morte, o além, a graça e o pecado. O palpitante está sempre latente”, escreve Inácio Larrañaga.

Nas atividades do dia a dia nós nos perdemos. Deixamos até de pensar, como escreveu Pascal em um fragmento, um rascunho, talvez perdido em uma gaveta: “O homem foi feito para pensar; nisto a sua dignidade e seu mérito. Seu único dever consiste em pensar bem ; e a ordem do pensamento está em começar por si, por seu autor e por seu fim. Ora em que pensa o mundo? Jamais nessas coisas...” e conclui Sertillages, que cita o texto: “É preciso meditar muitas vezes sobre Deus, conceber a unidade da vida e a sua exigência de progresso, ter uma visão simples de nossas relações e do nosso destino tão confusos pelo movimento habitual do mundo”. O espírito foi feito para pensar e julgar no Espírito de Deus. 

O retiro nos leva às condições para a realização desta grandeza humana:”pouco menor que os anjos fizeste o homem”, reza o salmo. No silêncio, vamos nos encontrar, primeiro conosco mesmos. Saber que somos criaturas privilegiadas e como temos respondido a essa nossa dignidade. Por atos penitenciais e de fé, no arrependimento, encontraremos a misericórdia de Deus no perdão. Nele apoiados planejamos uma vida nova. No silêncio e na oração, Deus nos revela sua face e nos fortalece como fortaleceu a Cristo nas tentações.

Sistematizando esses movimentos, Santo Inácio de Loiola, escreveu um roteiro, chamado “Exercício Espirituais”. Não é um roteiro para ser lido apenas, ainda que com muita atenção, mas para ser vivenciado. Por quarenta dias se estendem os exercícios, levando-nos da primeira semana na conscientização de nossa fraqueza e da falta de correspondência à graça, ao pedido de perdão pela misericórdia e, em vista do nosso destino eterno, à resoluções firmes de uma nova vida. Foi a própria experiência que traduziu nestas páginas. Foi a experiência que exigia de todos os que queriam alcançar uma vida de humana perfeição na adesão à bandeira de Cristo.

Esse esquema é o seguido nos retiros que se fazem na Igreja em busca de um crescimento espiritual necessário para todos nós. Longe do barulho, procuramos examinar nossa vida e nosso atos confrontando-os com o Evangelho e, confiados na bondade divina, partir para uma vida nova, consciente de que o Reino de Deus está dentro de nós, Reino que é paz e alegria no Espírito Santo (Cf. Rm 14, 17).

Vivemos hoje um mundo de muitas solicitações. Não temos tempo para nada, tal o volume e velocidade de informações. Somos desviados pelas imagens e cultura para as concupiscências alheias ao espírito. Então o retiro, o recolhimento e a oração tornam-se mais necessários para superarmos as forças negativas e nos realizarmos como pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, nos tornarmos à imagem de Cristo.

fonte : www.catequisar.com.br



Jesus pediu a Sor Faustina e por meio dela a todo o mundo que veneremos sua Paixão e Morte às três da tarde, hora em que morreu na cruz.

Suas palavras foram: "Às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão."

Orações para as três da tarde

1. Expiraste, Jesus, mas Vossa morte fez brotar um manancial de vida para as almas e o oceano de Vossa misericórdia inundou todo o mundo. Oh! Fonte de Vida, insondável misericórdia divina, abraça o mundo inteiro derramando sobre nós até Vossa última gota de Sangue.

2. Oh!, Sangue e água que brotaste do Coração de Jesus, manancial de misericórdia para nós, em Vós confio.

Jaculatória:

O Salvador ordenou a Sor Maria Faustina que escrevesse, e a rezasse com freqüência, esta pequena jaculatória: "Oh! Sangue e Água, que brotastes do Sagrado Coração de Jesus como uma Fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós".

Oração da Misericórdia Divina

Oh! Deus de grande misericórdia, bondade infinita, desde o abismo de seu abatimento, toda a humanidade implora hoje vossa misericórdia, vossa compaixão. Oh! Deus, clamamos com potente voz. Deus de Benevolência, não deixe de ouvir a oração deste exílio terreno! Oh! Senhor, Bondade que escapa nossa compreensão, que conheces nossa miséria a fundo e sabes que com nossas forças não podemos elevar-nos a Vós, imploramos: Sustentai-nos com vossa graça e continuai aumentando vossa misericórdia em nós, para que possamos, fielmente, cumprir vossa santa vontade, ao longo de nossa vida e na hora da morte. Que a onipotência de tua misericórdia nos defenda das flechas que atiram os inimigos de nossa salvação, para que com confiança, como filhos vossos, aguardemos a última vinda (dia que somente Vós sabeis). E esperamos obter o que Jesus nos prometeu a pesar de nossa mesquinhez. Porque Jesus é nossa esperança: Através de seu coração misericordioso, como no Reino dos céus.Amém.

Oração:

Oh! Deus, cuja misericórdia é infinita e cujos tesouros de compaixão não tem limites, olhai-nos com vosso favor e aumentai vossa misericórdia dentro de nós, para que em nossas grandes ansiedades não desesperemos, mas sim que sempre, com grande confiança, nos conformemos com vossa Santa vontade, a qual é idêntica a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei de misericórdia, quem Convosco e o Espírito Santo manifestam misericórdia por nós para sempre. Amém.

Jaculatória:

O Salvador ordenou a Sor Maria Faustina que escrevesse, e a rezasse com freqüência, esta pequena jaculatória:

"Oh! Sangue e Água, que brotastes do Sagrado Coração de Jesus como uma Fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós".


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Carnaval - D. Fernando Arêas Rifan




                  “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19)                                  

Dom Fernando Arêas Rifan* 

Estamos próximos do Carnaval, atualmente uma festa totalmente profana e nada edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor, presencia-se paralelamente uma verdadeira bacanal de orgias e festas mundanas, cheias de licenciosidade, onde se pensa que tudo é permitido. Nesses dias, a moral vem abaixo: até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia. 

Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, o acaba abafando e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado. 

A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, que precede a Quarta-Feira de Cinzas, caindo sempre este 47 dias antes da Páscoa.

Devido à devassidão que acontecem nesses dias de folia, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales. 

Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos! 
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 




domingo, 23 de fevereiro de 2014

HOMILIA DO DOMINGO DA SEXAGÉSIMA




Leituras: Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios, 11, 19-33 e 12, 1-9.
              Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo 
segundo São Lucas, 8, 4-15.

   "Naquele tempo, tendo-se reunido uma grande multidão, como tivessem ido a Jesus os habitantes de várias cidades, propôs-lhes Ele esta parábola: Saiu o semeador a semear sua semente; e ao semeá-la, parte caiu junto ao caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra parte caiu sobre a pedra, e quando nasceu, secou logo, por não haver umidade. Outra parte caiu entre espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, a sufocaram. E outra parte caiu em boa terra, e depois de nascer, deu fruto, cento por um. Dito isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Seus discípulos perguntaram-Lhe, pois, que significava essa parábola. E Ele lhes respondeu: A vós é dado conhecer o Mistério do Reino de Deus, porém aos outros se fala em parábolas, para que olhando, não vejam, e ouvindo, não entendam. Este é, pois, o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão ao longo do caminho, são os que a ouvem, mas vindo depois o diabo, tira-lhes a palavra do coração, para que se não salvem, crendo nela. Os de sobre a pedra, são os que recebem com gosto a palavra, quando a ouviram. porém estes não têm raízes: até certo tempo creem, mas, no tempo da tentação, desviam-se. A que caiu entre os espinhos: são estes os que ouviram, porém indo, afogam-se com cuidados, riquezas e deleites da vida, e não dão fruto. E a que caiu em boa terra: são os que, ouvindo a palavra, guardam-na com o coração bom e perfeito e dão fruto na paciência". 

   Caríssimos e amados leitores em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   É a parábola do semeador. De todas as parábolas de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma das mais importantes e instrutivas; porque contém em figura o mistério da Encarnação, a obra da pregação evangélica e toda a economia da nossa salvação. Faz-nos ver, de um lado, a bondade inefável de Deus abaixando-se até nós, e semeando a sua palavra e a sua graça com uma liberalidade sem limites; e, do outro lado, a dureza e ingratidão dos homens, dos quais a maior parte são infiéis e inutilizam os dons de Deus. Mostra ainda a sua importância o cuidado caritativo de Nosso Senhor em explicá-la por si mesmo aos seus discípulos, o que só fez com esta e com a parábola da cizânia.

   Quem é o semeador? É o próprio Verbo, o Filho de Deus. Desceu à terra para semear em nossos corações e fecundá-los, para lançar neles a semente do seu Evangelho, isto é, para   revelar-nos os mistérios do reino dos Céus, para derramar em nós as suas graças e as suas misericórdias e para transformar os homens, de terrenos estéreis que eram, em homens celestes, capazes de produzirem frutos de santidade dignos da vida eterna.
 

   Qual é a semente? Jesus no-lo diz: É a palavra de Deus. É Nosso Senhor, pois que o Verbo de Deus é, ao mesmo tempo, semeador e semente depositada nos sulcos das nossas almas. Ele se semeia por assim dizer a si mesmo em nós, pela sua doutrina divina, pelas suas santas inspírações, pelos seus Sacramentos, sobretudo pela adorável Eucaristia. Nosso Senhor é ainda semeado pela pregação dos Apóstolos e de todos os seus sucessores legítimos de todos os tempos e de todos os lugares, isto é, pelo ensino, legislação e Liturgia da Igreja Católica; pelos bons livros e pelos exemplos dos santos. Quem poderia exprimir o preço e a virtude desta divina semente? que graça e que força íntima e oculta ela possui para regenerar o mundo e santificar os homens! foi por esta palavra que Deus tudo criou do nada. Foi ela que extirpou os vícios grosseiros do paganismo e que fez florir por toda a parte as belas virtudes do Cristianismo. Ela conserva sempre a mesma eficácia soberana; e, se é mais ou menos frutuosa, isso provém das nossas disposições.

   Justamente os diferentes terrenos significam os corações dos homens que recebem a palavra divina, com muito diversas disposições. A semente que caiao longo do caminho, segundo explica o próprio Jesus, designa aqueles que ouvem a palavra; mas em seguida vem o demônio e lhes retira essa palavra do coração.

  Essa classe de pessoas é a das almas dissipadas, levianas, frívolas, preguiçosas; corações indiferentes, semelhantes a uma estrada larga, onde o ruído é  ensurdecedor, o terreno muito batido e endurecido sob os pés dos viandantes que passam em todos os sentidos. A palavra de Deus depressa é calcada e esmagada pelas paixões más, o orgulho, os ressentimentos, os ódios, etc... Ou não é acolhida por essas almas dissipadas e endurecidas, ou só é ouvida com desdém e indiferença. O demônio rouba esta semente, semelhante nisto às aves do céu, que, no tempo das sementeiras, comem os grãos que não ficam cobertos pela terra. 

   A semente que cai sobre terreno pedregoso, explica Jesus, designa aqueles que, tendo ouvido a palavra de Deus, a recebem com alegria; mas, como não têm raízes, não crêem senão por algum tempo e, no momento da tentação, retiram-se e sucumbem.

   Essa classe de homens é a das almas superficiais que, ouvindo a palavra de Deus, a recebem com alegria, isto é, começam a converter-se, formam as mais belas e úteis resoluções, e parecem prontas a tudo para Deus. Mas falta-lhes vontade firme e séria: não há nelas senão vaidade, presunção e inscontância; não têm raízes bastante profundas; não são bem arraigadas na fé. Não têm suficiente fundo de humildade, de desconfiança de si mesmas e de confiança em Deus. Por isso, a mais pequena tentação as abala; as cruzes desta vida, as tribulações, algumas leves perseguições pela justiça e pela fé, as prostram e fazem perecer a sua virtude sem raízes; sucumbem, deixam o caminho direito, e acabam por se afastar miseravelmente.

   A semente que cai entre os espinhos, explica Jesus, figura aqueles que ouviram a palavra, mas indo, em pouco tempo esta palavra é abafada pelos cuidados e embaraços do mundo, pela ilusão das riquezas, pelos prazeres do mundo e pelas outras paixões, de sorte que não produzem fruto nenhum.
   Esta categoria é a das almas divididas, embaraçadas pelos prazeres e pelos cuidados excessivos dos bens da terra, que quereriam servir ao mesmo tempo a Deus,  ao prazer e ao  dinheiro. Esta sede insaciável das riquezas, das honras e dos prazeres abala a boa semente nestes corações carnais ou terrestres, isto é, destrói neles todos os bons sentimentos, a vontade de trabalhar na salvação, e mesmo todos os pesares ou remorsos que a palavra de Deus faz brotar neles.

   A semente que cai em terra boa, segundo a explicação de Nosso Senhor Jesus Cristo, são aqueles que tendo ouvido a palavra, a conservam num coração bom e excelente, e produzem frutos pela paciência.

   A esta categoria pertencem as almas bem preparadas, as almas humildes e piedosas, libertas dos laços do pecado, cheias de generosidade, desapegadas das coisas do mundo e ávidas de agradar a Deus, de O servir e de O glorificar. Estas almas ouvem a palavra de Deus com atenção, respeito e amor.

   Produzem frutos pela paciência, isto é, são obrigados, para se santificarem, a vigiar, trabalhar, sofrer, combater sem cessar, porque esta é a nossa condição neste mundo.

   Umas  produzem trinta por um, outras sessenta, outras cem, segundo a proporção dos talentos e das graças recebidas, ou segundo a perfeição da cultura, ou segundo os diversos graus da sua caridade para com Deus.

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! Tomemos a resolução de ler e escutar doravante a palavra divina sempre com mais atenção e devoção a fim de que nos guarde, nos santifique e nos torne dignos da recompensa do Céu. Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática! Amém!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

DOMINGO DA SEPTUAGÉSIMA - HOMILIA DOMINICAL


"os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 


 Leituras: Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, 9, 24-27; 10, 1-5.
Evangelho segundo São Mateus, 20, 1-16. 

"Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã a contratar operários para a sua vinha. Tendo ajustado com alguns por um dinheiro ao dia, mandou-os para a sua vinha. Saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também, para minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu outra vez perto da sexta e da nona hora, fez o mesmo. E saindo quase à undécima hora, ainda achou outros por ali, e disse-lhes: por que ficais aqui ociosos todo o dia? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos contratou. Ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha. Caindo já a tarde, disse o Senhor da vinha a seu feitor: Chama os trabalhadores e paga-lhes a diária, a começar dos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham vindo perto da undécima hora, cada um recebeu um dinheiro. vindo, depois, os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; receberam, porém, um dinheiro cada um. Tomando-o murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes últimos trabalharam uma hora, e os igualastes conosco que suportamos o peso e o calor do dia. Ele, porém, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injustiça: não te ajustaste comigo por um dinheiro? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura não é lícito a mim fazer o que eu quiser [dos meus bens]? Ou é invejoso o teu olho porque eu sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Neste mundo nos manda Deus trabalhar na sua vinha para merecermos o salário, isto é, a recompensa prometida, a felicidade do Céu. Esta vinha do Senhor é a nossa alma, que Ele pode seguramente chamar sua, porque ela Lhe pertence por todos os títulos. Foi Ele quem a plantou. Tendo-a o demônio assolado e devastado, Ele resgatou-a, não com ouro ou prata, mas com o seu sangue precioso e restaurou-a com infinitos cuidados. Deus plantou-a e regou-a, resta-nos cooperar e acabar o resto do trabalho para que produza frutos.

A vinha, sendo a mais preciosa das árvores pelo seu fruto, e dele tirando o seu valor, é também de todas as árvores a que exige mais cuidados e trabalhos. A nossa alma em virtude da sua origem divina e do seu destino sublime, é a mais preciosa coisa do mundo. 

Os cuidados que exige a vinha são a figura dos cuidados que devemos ter com a nossa alma:
1º - Cavá-la e adubá-la. Relativamente à alma, quer isto dizer que deve ser cultivada com a prática das virtudes: humildade, compunção e penitência.

2º - Podá-la, isto é, libertá-la de todos os ramos inúteis que absorvem e esgotam a seiva sem proveito. Para a alma é renunciar a tudo o que é supérfluo e prejudicial, quer para ela, quer para os outros com quem se covive. É o trabalho custoso da mortificação, da abnegação e do sacrifício. E é um trabalho de sempre.

3º - Especá-la, isto é, escorá-la para evitar que as tempestades a derrubem, tanto mais que as cepas, por sua natureza, não têm consistência para se conservarem direitas. Para a alma o Senhor dignou-se multiplicar-lhe os sustentáculos, ou sejam, a fé e confiança em Deus, a lembrança da Cruz e Paixão de Jesus e os Sacramentos.

4º - Cercá-la com um muro para a preservar do assalto dos ladões e dos animais. Para a alma isso significa a observação da lei de Deus, a vigilância contínua, a fuga das ocasiões perigosas, a modéstia, a mortificação dos sentidos, a oração, a devoção a Nossa Senhora.

5º - Chuva e o sol que dependem não da vontade do viticultor, mas do céu. Do mesmo modo é necessário que desça até à alma o orvalho celeste, isto é, a graça de Deus, a suave influência do sol, isto é, a infusão do Espírito Santo, do amor divino. E isto depende da nossa vontade, do nosso fervor na oração e na frequência dos Sacramentos.

Em compensação, o Pai de família nos dará, na tarde do nosso dia, o justo salário que merecemos. 

Ao contrário, a vinha estéril, que dizer, a alma infiel, deve recear que Deus execute a sua ameaça e lhe recuse a chuva fecunda da sua graça e das suas bênçãos.

Uma vinha abandonada enche-se em pouco tempo de silvas e só dá cachos azedos. Assim é a alma; se é mal cultivada ou abandonada, depressa se enche de defeitos, de vícios, de toda a espécie de pecados e ficará incapaz de produzir bom fruto. 

Ao contrário, uma vinha bem cultivada dá uvas suculentas, o melhor talvez de todos os frutos. Do mesmo modo, uma alma bem cuidada produz a virtude por excelência, a caridade, que é o vínculo da perfeição e a plenitude de toda a lei. Depois a caridade, por sua vez, produz todas as virtudes cristãs.

Irmãos caríssimos, possivelmente passamos muitos anos em dissipação espiritual, apressemo-nos a recuperar e reparar algum deste tempo perdido. Talvez que esta homilia seja o supremo apelo divino, o convite da undécima hora. 

Pelas entranhas de misericórdia do Senhor Deus, reflita cada um, vença as suas repugnâncias e queira, com a graça poderosa e infalível de Deus, ser do pequeno número dos eleitos. Amém!

Fonte : Via Veritas Vita
http://jesusviaveritasetvita.blogspot.com.br

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

11 de Fevereiro - Festa de Nossa Senhora de Lourdes " A saúde e a Doença" por D. Fernando Rifan

A SAÚDE E A DOENÇA

Dom Fernando Arêas Rifan* 


Hoje, dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, se comemora também o Dia Mundial do Enfermo, ocasião propícia para refletirmos sobre a saúde e a doença. 
Jesus, durante a sua vida pública, como apoio para a sua evangelização e demonstração da sua divindade, curou alguns doentes, cegos, aleijados, surdos, epiléticos, leprosos. Mas não curou todos os doentes do seu tempo. Porque para alguns Deus quer que se salvem e façam o bem com a saúde; outros, com a sua doença. A doença pode ser uma graça de Deus. O que não dispensa, quando estivermos doentes, de procurarmos os cuidados médicos. “Doentes precisam de médico”, disse Jesus no Evangelho (Lucas 5,31). Não estão de acordo com o Evangelho, os que, pensando confiar em Deus, dispensam o recurso aos médicos. 


Belíssima foi a mensagem legada pelo médico santo Dr. José Moscati: “Os doentes são a figura de Jesus Cristo. Muitos comprovadamente delinquentes, blasfemos, chegam inesperadamente ao hospital por disposição última da misericórdia de Deus, que os quer salvos. Nos hospitais, a missão das irmãs, dos médicos, dos enfermeiros, consiste em colaborar com esta infinita misericórdia, ajudando, perdoando, sacrificando-se... Bem-aventurados nós, médicos, tantas vezes incapazes de remover uma enfermidade, felizes de nós, se levarmos em conta que, além de corpos, estamos em face de almas imortais, para as quais urge o preceito evangélico de amá-las como a nós mesmos”. 

Ele também nos deixou consoladoras reflexões sobre a vida e a morte: “A vida é um piscar de olhos: honras, triunfos, riquezas e ciências tombam... Mas a vida não acaba com a morte, continua de um jeito melhor. Para todos é prometido, após a redenção do mundo, o dia que nos reunirá a nossos entes queridos falecidos, e que nos reconduzirá ao supremo Amor... A vida foi definida como um relâmpago no eterno. E nossa humanidade, por mérito da dor que a recheia, e da qual se saciou Aquele que vestiu a nossa carne, transcende a matéria e nos leva a desejar uma felicidade além do mundo. Bem-aventurados aqueles que seguem essa tendência da consciência e olham para o além, onde os afetos terrenos, que pareciam precocemente quebrados, serão reunidos”. 


Em sua mensagem deste ano para o XXII Dia Mundial do Doente, com o tema “Fé e Caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1 Jo 3, 16), diz o Papa Francisco: “A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz, destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele”.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Catequese do Papa Francisco : "Os cristãos devem luz para o mundo"




Aos fiéis que enchiam a Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus neste V Domingo comum o Papa Francisco recordou que no Evangelho (que vem logo depois das bem-aventuranças) Jesus diz aos seus discípulos: "Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo", coisa que tanto nos surpreende se pensarmos que, quando pronunciava estas palavras, Ele tinha diante de si apenas pescadores, gente simples. Mas Jesus os olha com os olhos de Deus, esclareceu, e a sua afirmação entende-se como consequência das bem-aventuranças, como quem diz: se fordes pobres em espírito, mansos, puros de coração, misericordiosos ... sereis o sal da terra e a luz do mundo!


A própria lei judaica – continuou o Papa - prescrevia para colocar um pouco de sal sobre cada oferta apresentada a Deus, como sinal de aliança. E a luz, para Israel, era o símbolo da revelação messiânica que triunfa sobre as trevas do paganismo. E daqui o Papa tira as consequências para o cristão de hoje:

“Os cristãos, o novo Israel, recebem portanto uma missão em relação a todos os homens: com a fé e a caridade podem orientar, consagrar, fazer fecunda a humanidade. Todos nós os baptizados somos discípulos missionários e somos chamados a nos tornarmos no mundo um evangelho vivo: com uma vida santa daremos "sabor" aos diferentes ambientes e os defenderemos da corrupção, como faz o sal; e levaremos a luz de Cristo com o testemunho de uma caridade genuína. Mas se os cristãos perdem o sabor e se apagam, a sua presença perde a eficácia”.

É, pois, muito bela a missão do cristão no mundo, acrescentou espontaneamente o Papa, ser sal e ser luz, sublinhando que o cristão não deve sê-lo apenas de nome. “Como quereis viver, perguntou aos presentes, como lâmpadas apagadas ou como lâmpadas acesas? E concluindo que “ser lâmpada acesa é a vocação do cristão.

Depois do Angelus o Papa recordou que no dia 11 de Fevereiro Festa de Nossa Senhora de Lourdes celebra-se o Dia Mundial do Doente, uma ocasião propícia para colocar no centro da comunidade as pessoas doentes, para rezar para elas e com elas, ficar perto delas. E a este propósito o Papa recordou o trabalho precioso dos operadores sanitários que diariamente encontram nos doentes não apenas corpos marcados pela fragilidade, mas pessoas, a quem prestar atenção e dar respostas adequadas: E disse:

“A dignidade da pessoa nunca se reduz às suas faculdades ou capacidades, e não termina quando a própria pessoa é fraca, deficiente e necessitada de ajuda. Penso também nas famílias, onde é normal cuidar de quem está doente, mas por vezes as situações podem ser mais pesadas ... Muitas pessoas me escrevem, e hoje gostaria de assegurar uma oração por todas estas famílias, e dizer-lhes: não tenhais medo da fragilidade! Ajudai-vos uns aos outros com amor, e sentireis a presença reconfortante de Deus – concluiu o Papa, reiterando uma vez que “a atitude generosa e cristã para com os doentes é sal da terra e luz do mundo” e implorando a Virgem Maria para que nos ajude a praticá-lo, e obtenha a paz e conforto para todos os que sofrem.

A concluir este momento de oração o Papa dirigiu o pensamento nos Jogos Olímpicos de Inverno que decorrem por estes dias em Sochi, na Rússia, e quis estender a sua saudação aos organizadores e a todos os atletas, com a esperança de que o evento seja uma verdadeira festa do desporto e da amizade. 




Fonte : Rádio Vaticano
http://pt.radiovaticana.va/news

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Purificação de Maria e da Apresentação de Jesus no Tempo – 02 de Fevereiro 2014

"Maria: purificada segundo a Lei, consagrada pelo amor"




Desde séculos, o dia 02 de fevereiro figura no calendário cristão com vários motivos de celebração: purificação de Maria, apresentação de Jesus no Templo, festa das candeias, procissão e bênção das velas. São referências à página bíblica de Lucas, capítulo 2, sobre a entrada de Jesus recém-nascido nos ritos de socialização da lei judaica: circuncisão, resgate do primogênito, purificação da mãe parturiente etc. O texto realça a menção a duas pessoas idosas, Simeão e Ana, habituais frequentadores do Templo. Pessoas representativas da grande esperança messiânica acalentada pelo povo humilde em profundo sentido religioso. Não por acaso, mas por moção interior do Espírito de Deus, Simeão e Ana compareceram ao Templo no 40º dia do nascimento de Jesus, prazo legal para o cumprimento dos rituais acima. Acolheram o bebezinho dos braços de Maria e falaram do futuro dele e dela. Interpretaram o ato em chave profético-libertadora: a salvação e luz chegavam para todos os povos; o menino era a glória do povo eleito; mas, definiria a opção por Deus ou contra.


A meditação mais consciente do mistério da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria nos leva a perceber o quanto ela entrou intimamente na história da salvação. (Luz dos Povos, 65). Aos olhos das pessoas e perante as normas da Lei mosaica tudo parecia costumeiro e normal na convivência de Maria, José e Jesus: na família e nas questões religiosas atinentes aos costumes do povo. Mas, quem poderia imaginar o intercâmbio de dons, a interiorização e partilha das graças do projeto salvador do Pai naquela família ali no Templo? Purificar-se implica o querer entrar em comunhão com Deus. Não é neste sentido que se cumpriu a purificação de Maria descrita no texto de Lucas. Ela foi ao Templo sendo já a Imaculada Conceição! A seiva da videira, símbolo da subsistência espiritual com Jesus, pressupunha a consagração daquela que lhe deu sua carne e sangue. E Jesus já viera ao mundo como o Cristo, isto é, o “consagrado de Deus”, seu inocente cordeiro.

As celebrações litúrgicas marianas não são repetidas todos os anos por rotina. Dialogando com a piedade popular que vive a fé, pretendem renovar e atualizar em cada época tudo o que Maria é à luz da tradição bíblico-eclesial. O culto católico distribuiu ao longo do ano o mistério total de Cristo. Isso permitiu fazer memória mais viva da íntima participação de Maria nele. Há uma disponibilidade infinita nas mãos de Deus em sua postura de fé: Faça-se em mim segundo a Palavra anunciada! Para quem aceitou o batismo de Jesus na sua Igreja e lhe é fiel, tudo é consagrado. Não só alguns momentos marcantes ou gestos festivos na Igreja. Tudo é consagração a todo instante. Somos o Povo de Deus em todo o tempo, nos projetos, desejos e desafios da história. (LG 10).



Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR
Diretor da Academia Marial de Aparecida

Pedidos de Oração