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domingo, 16 de fevereiro de 2014

DOMINGO DA SEPTUAGÉSIMA - HOMILIA DOMINICAL


"os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 


 Leituras: Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, 9, 24-27; 10, 1-5.
Evangelho segundo São Mateus, 20, 1-16. 

"Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã a contratar operários para a sua vinha. Tendo ajustado com alguns por um dinheiro ao dia, mandou-os para a sua vinha. Saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também, para minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu outra vez perto da sexta e da nona hora, fez o mesmo. E saindo quase à undécima hora, ainda achou outros por ali, e disse-lhes: por que ficais aqui ociosos todo o dia? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos contratou. Ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha. Caindo já a tarde, disse o Senhor da vinha a seu feitor: Chama os trabalhadores e paga-lhes a diária, a começar dos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham vindo perto da undécima hora, cada um recebeu um dinheiro. vindo, depois, os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; receberam, porém, um dinheiro cada um. Tomando-o murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes últimos trabalharam uma hora, e os igualastes conosco que suportamos o peso e o calor do dia. Ele, porém, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injustiça: não te ajustaste comigo por um dinheiro? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura não é lícito a mim fazer o que eu quiser [dos meus bens]? Ou é invejoso o teu olho porque eu sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Neste mundo nos manda Deus trabalhar na sua vinha para merecermos o salário, isto é, a recompensa prometida, a felicidade do Céu. Esta vinha do Senhor é a nossa alma, que Ele pode seguramente chamar sua, porque ela Lhe pertence por todos os títulos. Foi Ele quem a plantou. Tendo-a o demônio assolado e devastado, Ele resgatou-a, não com ouro ou prata, mas com o seu sangue precioso e restaurou-a com infinitos cuidados. Deus plantou-a e regou-a, resta-nos cooperar e acabar o resto do trabalho para que produza frutos.

A vinha, sendo a mais preciosa das árvores pelo seu fruto, e dele tirando o seu valor, é também de todas as árvores a que exige mais cuidados e trabalhos. A nossa alma em virtude da sua origem divina e do seu destino sublime, é a mais preciosa coisa do mundo. 

Os cuidados que exige a vinha são a figura dos cuidados que devemos ter com a nossa alma:
1º - Cavá-la e adubá-la. Relativamente à alma, quer isto dizer que deve ser cultivada com a prática das virtudes: humildade, compunção e penitência.

2º - Podá-la, isto é, libertá-la de todos os ramos inúteis que absorvem e esgotam a seiva sem proveito. Para a alma é renunciar a tudo o que é supérfluo e prejudicial, quer para ela, quer para os outros com quem se covive. É o trabalho custoso da mortificação, da abnegação e do sacrifício. E é um trabalho de sempre.

3º - Especá-la, isto é, escorá-la para evitar que as tempestades a derrubem, tanto mais que as cepas, por sua natureza, não têm consistência para se conservarem direitas. Para a alma o Senhor dignou-se multiplicar-lhe os sustentáculos, ou sejam, a fé e confiança em Deus, a lembrança da Cruz e Paixão de Jesus e os Sacramentos.

4º - Cercá-la com um muro para a preservar do assalto dos ladões e dos animais. Para a alma isso significa a observação da lei de Deus, a vigilância contínua, a fuga das ocasiões perigosas, a modéstia, a mortificação dos sentidos, a oração, a devoção a Nossa Senhora.

5º - Chuva e o sol que dependem não da vontade do viticultor, mas do céu. Do mesmo modo é necessário que desça até à alma o orvalho celeste, isto é, a graça de Deus, a suave influência do sol, isto é, a infusão do Espírito Santo, do amor divino. E isto depende da nossa vontade, do nosso fervor na oração e na frequência dos Sacramentos.

Em compensação, o Pai de família nos dará, na tarde do nosso dia, o justo salário que merecemos. 

Ao contrário, a vinha estéril, que dizer, a alma infiel, deve recear que Deus execute a sua ameaça e lhe recuse a chuva fecunda da sua graça e das suas bênçãos.

Uma vinha abandonada enche-se em pouco tempo de silvas e só dá cachos azedos. Assim é a alma; se é mal cultivada ou abandonada, depressa se enche de defeitos, de vícios, de toda a espécie de pecados e ficará incapaz de produzir bom fruto. 

Ao contrário, uma vinha bem cultivada dá uvas suculentas, o melhor talvez de todos os frutos. Do mesmo modo, uma alma bem cuidada produz a virtude por excelência, a caridade, que é o vínculo da perfeição e a plenitude de toda a lei. Depois a caridade, por sua vez, produz todas as virtudes cristãs.

Irmãos caríssimos, possivelmente passamos muitos anos em dissipação espiritual, apressemo-nos a recuperar e reparar algum deste tempo perdido. Talvez que esta homilia seja o supremo apelo divino, o convite da undécima hora. 

Pelas entranhas de misericórdia do Senhor Deus, reflita cada um, vença as suas repugnâncias e queira, com a graça poderosa e infalível de Deus, ser do pequeno número dos eleitos. Amém!

Fonte : Via Veritas Vita
http://jesusviaveritasetvita.blogspot.com.br

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