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domingo, 20 de dezembro de 2009

IV Domingo do Advento - "Faça-se em mim segundo a sua Palavra"

"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. "
( S.Lucas 1,35)
Estamos às portas do Santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor.

São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38) De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva.


Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”

Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranqüila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado... O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho... que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!

Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça... mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.

Reflexão

Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.

autor : Dom Henrique Soares da Costa

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

III - Domingo do Advento - Aqui no Blog Flos Carmeli !

Neste III Domingo do Advento, a Igreja celebra como todos os anos neste período, o chamado "Domingo gaudete", o domingo da alegria. O seu significado nos é oferecido por São Paulo na epístola aos Filipenses, repetida na liturgia, quando afirma: "Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos... O Senhor está próximo!" (Fil 4, 4-5).Em seu pontificado, Bento XVI sempre ofereceu pontos de reflexão durante as orações do Angelus dedicadas a esse domingo da alegria.O cristão é o homem da alegria e o Advento lhe dá o motivo porque – escreve São Paulo – "O Senhor está próximo".

A esse propósito, no Angelus de 16 de dezembro de 2007, o papa afirmou o seguinte:"A alegria cristã brota, portanto, desta certeza: Deus está próximo, está comigo, está conosco, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece na provação, no próprio sofrimento, e permanece não superficialmente, mas no profundo da pessoa que confia em Deus e se confia a Ele."Também em nossas ruas, particularmente das nossas sociedades ocidentais, o Advento é um período de alegria. Iluminações e adornos, alimentos e presentes especiais respondem todos os anos à necessidade humana de enfatizar com os sinais a espera de uma grande festa, respondem à necessidade de criar a sua atmosfera.

E todos os anos a alegria espiritual do Deus que vem corre o risco de ser um detalhe de fundo no quadro de uma mais coletiva e efervescente alegria "mercantil".

O pontífice falou disso claramente no Angelus de 11 de dezembro de 2005:"Na atual sociedade de consumo este período sofre, infelizmente, uma espécie de "poluição" comercial, que corre o risco de alterar o seu autêntico espírito, caracterizado pelo recolhimento, pela sobriedade, por uma alegria não exterior, mas íntima."Se ademais a alegria superficial que aquece muitos corações não é nem mesmo o fruto de um entusiasmo momentâneo – a euforia da festa – mas de um hedonismo procurado e perseguido como estilo de vida, então se torna quase impossível a compreensão autêntica do Natal.

Se "se faz da felicidade um ídolo – observou o papa no referido Angelus – toma-se o caminho errado e torna-se realmente difícil encontrar a alegria da qual fala Jesus":"Infelizmente, essa é a proposta das culturas que colocam a felicidade individual no lugar de Deus, mentalidade que encontra um seu efeito emblemático na busca do prazer a todo custo, no difundir-se do uso de drogas como fuga, como refúgio em paraísos artificiais, que depois ser revelam totalmente ilusórios."O III Domingo do Advento fala de uma alegria que não precisa ser perseguida ou fabricada, preenchida com cores ou objetos.

Trata-se de uma alegria que não faz de modo que o homem a deseje, mas que o alcança, que lhe se faz próxima a partir da penumbra de uma estrebaria de Belém.Bento XVI o explicou muito bem no Angelus de 14 de dezembro de 2008:"Porque a "proximidade" de Deus não é uma questão de espaço e de tempo, mas uma questão de amor: o amor aproxima! O próximo Natal nos recordará essa verdade fundamental da nossa fé e, diante do Presépio, poderemos saborear a alegria cristã, contemplando no recém-nascido Jesus a face de Deus que por amor se fez próximo a nós." (RL)

fonte: Rádio Vaticano

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tempo do Advento - Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas"

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

Neste segundo domingo de Advento, ecoa no Evangelho a voz de João Baptista, profeta enviado por Deus como precursor do Messias. Ele apresenta-se no deserto da Judeia e, fazendo eco de um antigo oráculo de Isaías, brada: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas". Esta mensagem atravessa os séculos e chega até nós, repleta de extraordinária actualidade convidando-nos, também a nós, a preparar o caminho do Senhor no nosso coração e na nossa vida. (Lc 3, 1-6)

II Domingo de Advento


No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


Por que nos alegramos?


Os textos litúrgicos nos apresentam várias razões: Deus revogou a sentença pronunciada contra nós. Sofonias imagina Javé como o presidente de um tribunal que, depois de ter proferido a sentença condenatória, a revoga. Como não se alegrar? Historicamente, a passagem se refere à enorme pressão que o império assírio exercia sobre o Reino de Judá no tempo do rei Josias, e da qual Javé o libertou.


Alegramo-nos também porque Javé está no meio de nós. Esta presença divina de poder e de salvação nos livra de qualquer medo, e renova o Reino de Judá com seu amor. É uma presença protetora e segura.
c. Alegramo-nos porque o cristão possui a paz que supera toda inteligência. Esta é a fé de Deus, que é fruto da fé do batismo, que se experimenta de modo eficaz na celebração litúrgica, quando "apresentamos a Deus nossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças".


E finalmente, alegramo-nos porque João Batista, o precursor, proclama a Boa Nova de Cristo e, com ele e como ele, todos os precursores de Cristo na sociedade e no mundo. É por tudo isto que podemos dizer que o cristianismo é a religião da alegria. Mas alegria no Senhor, como nos lembra são Paulo.


A alegria do precursor


A alegria de João Batista é expressa em três imagens. A imagem do patrão e do servo, com a qual indica a superioridade de Jesus sobre João. Jesus é o patrão que, quando chega do campo ou da cidade, tem um servo à sua disposição (João Batista) para desatar as correias de suas sandálias. João está alegre porque o Messias, seu patrão, está quase chegando. Usa também a imagem de um agricultor que no verão, tem a pá na mão e limpa a sua eira, recolhendo o trigo nos celeiros, e queimando as palhas no fogo inextinguível. A alegria de João é a alegria de quem acolhe o fruto de seu trabalho, o fruto de tantos outros profetas que prepararam junto com ele a vinda do Messias. Em último lugar, João se alegra porque, enquanto ele batiza na água, o Messias batizará no Espírito Santo e no fogo. Ou seja, no Espírito Santo, fogo purificador do pecado, fogo difusor de grandes empreendimentos. No batismo, o cristão recebe o Espírito Santo, cujo primeiro fruto é a alegria.


O evangelho da alegria.

Refletindo sobre a perícope, o evangelho da alegria se dirige a qualquer tipo de pessoas: ao povo em geral, aos publicanos, aos próprios soldados. Este evangelho consiste, sobretudo, na doação e amor ao próximo, que cada categoria deve viver segundo as suas circunstâncias próprias. Desta forma, as pessoas são convidadas a compartilhar com os demais a roupa e a comida. Os publicanos vivam o amor fraterno cobrando os impostos com exatidão e justiça, sem adicionais egoístas de lucro pessoal. Os soldados devem se contentar com o soldo, não praticar a violência nem defraudar ninguém. Em resumo, no evangelho da alegria se implantam e produzem frutos magníficos onde quer que se viva o mandamento do amor, cada um segundo a própria profissão e condição de vida.


Reflexão


A legrar-se desde já pelo futuro. Sofonias anuncia a libertação de Jerusalém e Judá. Libertação que ainda não aconteceu, mas que deve ser causa de alegria. João Batista se regozija antecipadamente pela vinda do Messias, apesar dela ainda não ter se realizado. Os cristãos devem viver com alegria este período de advento, apesar de saber que o Natal ainda não chegou. Os cristãos estão arraigados no presente, mas de olhar no futuro, que sempre deve ser fonte de alegria. Existe um velho refrão que diz que "todo o tempo passado foi melhor". Não é verdade, menos ainda para o cristão. O cristão, homem de esperança, deve dizer: "O futuro será melhor", e isto deve infundir uma grande alegria. E não por causa dos homens, mas por causa da ação misteriosa e eficaz do Espírito Santo na história e nas almas (...)

Por que não pedimos ao Espírito Santo que nos conceda mais abundantemente estes dons da paz e da alegria para nos prepararmos para o Natal?



Alegremo-nos no Senhor. Vivamos a paz de Deus.

O Natal já está batendo às nossas portas.

Pedidos de Oração