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domingo, 20 de dezembro de 2009

IV Domingo do Advento - "Faça-se em mim segundo a sua Palavra"

"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. "
( S.Lucas 1,35)
Estamos às portas do Santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor.

São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38) De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva.


Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”

Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranqüila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado... O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho... que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!

Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça... mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.

Reflexão

Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.

autor : Dom Henrique Soares da Costa

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

III - Domingo do Advento - Aqui no Blog Flos Carmeli !

Neste III Domingo do Advento, a Igreja celebra como todos os anos neste período, o chamado "Domingo gaudete", o domingo da alegria. O seu significado nos é oferecido por São Paulo na epístola aos Filipenses, repetida na liturgia, quando afirma: "Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos... O Senhor está próximo!" (Fil 4, 4-5).Em seu pontificado, Bento XVI sempre ofereceu pontos de reflexão durante as orações do Angelus dedicadas a esse domingo da alegria.O cristão é o homem da alegria e o Advento lhe dá o motivo porque – escreve São Paulo – "O Senhor está próximo".

A esse propósito, no Angelus de 16 de dezembro de 2007, o papa afirmou o seguinte:"A alegria cristã brota, portanto, desta certeza: Deus está próximo, está comigo, está conosco, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece na provação, no próprio sofrimento, e permanece não superficialmente, mas no profundo da pessoa que confia em Deus e se confia a Ele."Também em nossas ruas, particularmente das nossas sociedades ocidentais, o Advento é um período de alegria. Iluminações e adornos, alimentos e presentes especiais respondem todos os anos à necessidade humana de enfatizar com os sinais a espera de uma grande festa, respondem à necessidade de criar a sua atmosfera.

E todos os anos a alegria espiritual do Deus que vem corre o risco de ser um detalhe de fundo no quadro de uma mais coletiva e efervescente alegria "mercantil".

O pontífice falou disso claramente no Angelus de 11 de dezembro de 2005:"Na atual sociedade de consumo este período sofre, infelizmente, uma espécie de "poluição" comercial, que corre o risco de alterar o seu autêntico espírito, caracterizado pelo recolhimento, pela sobriedade, por uma alegria não exterior, mas íntima."Se ademais a alegria superficial que aquece muitos corações não é nem mesmo o fruto de um entusiasmo momentâneo – a euforia da festa – mas de um hedonismo procurado e perseguido como estilo de vida, então se torna quase impossível a compreensão autêntica do Natal.

Se "se faz da felicidade um ídolo – observou o papa no referido Angelus – toma-se o caminho errado e torna-se realmente difícil encontrar a alegria da qual fala Jesus":"Infelizmente, essa é a proposta das culturas que colocam a felicidade individual no lugar de Deus, mentalidade que encontra um seu efeito emblemático na busca do prazer a todo custo, no difundir-se do uso de drogas como fuga, como refúgio em paraísos artificiais, que depois ser revelam totalmente ilusórios."O III Domingo do Advento fala de uma alegria que não precisa ser perseguida ou fabricada, preenchida com cores ou objetos.

Trata-se de uma alegria que não faz de modo que o homem a deseje, mas que o alcança, que lhe se faz próxima a partir da penumbra de uma estrebaria de Belém.Bento XVI o explicou muito bem no Angelus de 14 de dezembro de 2008:"Porque a "proximidade" de Deus não é uma questão de espaço e de tempo, mas uma questão de amor: o amor aproxima! O próximo Natal nos recordará essa verdade fundamental da nossa fé e, diante do Presépio, poderemos saborear a alegria cristã, contemplando no recém-nascido Jesus a face de Deus que por amor se fez próximo a nós." (RL)

fonte: Rádio Vaticano

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tempo do Advento - Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas"

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

Neste segundo domingo de Advento, ecoa no Evangelho a voz de João Baptista, profeta enviado por Deus como precursor do Messias. Ele apresenta-se no deserto da Judeia e, fazendo eco de um antigo oráculo de Isaías, brada: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas". Esta mensagem atravessa os séculos e chega até nós, repleta de extraordinária actualidade convidando-nos, também a nós, a preparar o caminho do Senhor no nosso coração e na nossa vida. (Lc 3, 1-6)

II Domingo de Advento


No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


Por que nos alegramos?


Os textos litúrgicos nos apresentam várias razões: Deus revogou a sentença pronunciada contra nós. Sofonias imagina Javé como o presidente de um tribunal que, depois de ter proferido a sentença condenatória, a revoga. Como não se alegrar? Historicamente, a passagem se refere à enorme pressão que o império assírio exercia sobre o Reino de Judá no tempo do rei Josias, e da qual Javé o libertou.


Alegramo-nos também porque Javé está no meio de nós. Esta presença divina de poder e de salvação nos livra de qualquer medo, e renova o Reino de Judá com seu amor. É uma presença protetora e segura.
c. Alegramo-nos porque o cristão possui a paz que supera toda inteligência. Esta é a fé de Deus, que é fruto da fé do batismo, que se experimenta de modo eficaz na celebração litúrgica, quando "apresentamos a Deus nossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças".


E finalmente, alegramo-nos porque João Batista, o precursor, proclama a Boa Nova de Cristo e, com ele e como ele, todos os precursores de Cristo na sociedade e no mundo. É por tudo isto que podemos dizer que o cristianismo é a religião da alegria. Mas alegria no Senhor, como nos lembra são Paulo.


A alegria do precursor


A alegria de João Batista é expressa em três imagens. A imagem do patrão e do servo, com a qual indica a superioridade de Jesus sobre João. Jesus é o patrão que, quando chega do campo ou da cidade, tem um servo à sua disposição (João Batista) para desatar as correias de suas sandálias. João está alegre porque o Messias, seu patrão, está quase chegando. Usa também a imagem de um agricultor que no verão, tem a pá na mão e limpa a sua eira, recolhendo o trigo nos celeiros, e queimando as palhas no fogo inextinguível. A alegria de João é a alegria de quem acolhe o fruto de seu trabalho, o fruto de tantos outros profetas que prepararam junto com ele a vinda do Messias. Em último lugar, João se alegra porque, enquanto ele batiza na água, o Messias batizará no Espírito Santo e no fogo. Ou seja, no Espírito Santo, fogo purificador do pecado, fogo difusor de grandes empreendimentos. No batismo, o cristão recebe o Espírito Santo, cujo primeiro fruto é a alegria.


O evangelho da alegria.

Refletindo sobre a perícope, o evangelho da alegria se dirige a qualquer tipo de pessoas: ao povo em geral, aos publicanos, aos próprios soldados. Este evangelho consiste, sobretudo, na doação e amor ao próximo, que cada categoria deve viver segundo as suas circunstâncias próprias. Desta forma, as pessoas são convidadas a compartilhar com os demais a roupa e a comida. Os publicanos vivam o amor fraterno cobrando os impostos com exatidão e justiça, sem adicionais egoístas de lucro pessoal. Os soldados devem se contentar com o soldo, não praticar a violência nem defraudar ninguém. Em resumo, no evangelho da alegria se implantam e produzem frutos magníficos onde quer que se viva o mandamento do amor, cada um segundo a própria profissão e condição de vida.


Reflexão


A legrar-se desde já pelo futuro. Sofonias anuncia a libertação de Jerusalém e Judá. Libertação que ainda não aconteceu, mas que deve ser causa de alegria. João Batista se regozija antecipadamente pela vinda do Messias, apesar dela ainda não ter se realizado. Os cristãos devem viver com alegria este período de advento, apesar de saber que o Natal ainda não chegou. Os cristãos estão arraigados no presente, mas de olhar no futuro, que sempre deve ser fonte de alegria. Existe um velho refrão que diz que "todo o tempo passado foi melhor". Não é verdade, menos ainda para o cristão. O cristão, homem de esperança, deve dizer: "O futuro será melhor", e isto deve infundir uma grande alegria. E não por causa dos homens, mas por causa da ação misteriosa e eficaz do Espírito Santo na história e nas almas (...)

Por que não pedimos ao Espírito Santo que nos conceda mais abundantemente estes dons da paz e da alegria para nos prepararmos para o Natal?



Alegremo-nos no Senhor. Vivamos a paz de Deus.

O Natal já está batendo às nossas portas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Valor da Santa Missa no Sufrágio das Almas...


A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o gênero humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.

Certa feita, celebrando a Missa em uma igreja de Roma, São Bernardo caiu em êxtase e viu uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos conduziam as almas libertadas do purgatório em virtude do santo sacrifício. Nessa Igreja - Santa Maria Escada do Céu - há um quadro que representa essa visão.

Não há maior socorro às almas, diz Guerranger, que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas. Podemos duvidar do valor de nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?

Ao Beato João D'Avila, nos últimos instantes de vida, Perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!

Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a se queixar: "Ai, já te esqueceste de mim".

- Não, meu amigo, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.
- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.

Henrique mandou celebrar inúmeras Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e lhe diz: "Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

A cada missa, diz São Jerônimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicadas.


São Vicente Ferrer tinha uma irmã frívola e vaidosa. Vindo a falecer, apareceu-Ihe em meio de chamas e sofrendo penas horríveis. "Ai de mim, meu irmão, fui condenada a estes suplícios até o dia do JuIzo. Mas tu poderás ajudar-me. É de grande valia a virtude do santo sacrifício. Oferece por mim trinta missas".

Mais que depressa, pôs-se o santo a celebrá-las. No 30° dia, apareceu-Ihe a irmã cercada de anjos a caminho do céu.

"Graças à valia da Santa Missa ficou reduzida a 30 dias uma expiação que deveria durar séculos".


Certo homem de negócios juntava a todos os meses o montante de suas despesas a soma necessária para mandar celebrar, todos os dias; missas pelas almas. Eis como dizia ele: - Fui recompensado: Desde que coloquei em minha casa um cofre destinado a estas esmolas, essas almas trabalham por mim.

Depois da Missa... A Comunhão

Não há sufrágio mais poderoso, depois da Santa Missa, para socorrer as almas, que a santa comunhão, diz São Boaventura.

A Eucaristia é um sacramento de descanso e paz para os defuntos, diz Santo Ambrósio. Eco mesmo afirmam S. Cirilo e S. João Crisóstomo. Procuremos fazer boas comunhões lembrando-nos que quanto melhor as fizermos tanto mais aliviaremos os mortos.

E célebre a sentença do Papa Alexandre VI: "Todo que reza, e muito mais ainda quem comunga pelas almas, com o desejo de ajudá-Ias, as obriga a gratidão e remuneração”.

O Papa Paulo V estimulou a prática das comunhões pelas almas padecentes.

O Venerável Luiz Blois tendo feito uma comunhão muito fervorosa por um amigo que sofria no purgatório, recebeu a sua visita, com estas palavras: "Graças, mil graças, meu amigo. Vou contemplar a face de meu Deus para sempre”.

"Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais".



fonte : almasdopurgatorio.com.br

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Luto pelo falecimento do Rev. Pe. José Paulo Vieira

Padre José Paulo Vieira

1955 + 2009


Nós os católicos tradicionais, membros da Administração Apostólica São Maria Vianney estamos de luto. Perdemos um grande sacerdote.
Nota de falecimento publicado no site oficial da Administraçâo Apostólica:

"Com muito pesar comunicamos o falecimento do Revmo. Pe. José Paulo Vieira, da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney, pároco em Bom Jesus do Itabapoana. Pe. José Paulo faleceu hoje, 02 de novembro, em Bom Jesus, por volta das 08:30, vítima de um infarto fulminante.


Os funerais serão celebrados amanhã, 03 de novembro, à 08:00, por Sua Exa. Dom Fernando Arêas Rifan, na Igreja do Senhor Bom Jesus Crucificado, em Bom Jesus do Itabapoana.Pe. José Paulo nasceu aos 04 de julho de 1955, na zona rural de Itaperuna. Foi ordenado sacerdote em 30 de novembro de 1986. Trabalhou em Santo Antonio de Pádua até 1990, quando foi para Bom Jesus do Itabapoana, como auxiliar e depois substituto de Monsenhor Franciso Apoliano.


Manifestamos à senhora sua mãe, Dona Mercedes e a todos os seus irmãos, cunhados, sobrinhos e demais familiares, bem como a todos os seus paroquianos, nossos mais sentidos pêsames, elevando ao Coração do Senhor Bom Jesus, pelo Coração de Maria, nossas orações suplicando que o zeloso Pe. José Paulo possa receber a recompensa pelo amor, dedicação e fidelidade com que viveu seu sacerdócio até o último momento.


Pela Administração Apostólica S. João Maria Vianney,

Pe. Gaspar Samuel Coimbra Pelegrini, Reitor do Seminário. "

Fidelium animae per misericordiam Dei,

Requiescant in pace.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

2 de Novembro - Fieis Defuntos

"... é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados" (2 Mac 12,46)

A comemoração dos fiéis defuntos leva aos cemitérios de todo o mundo uma multidão. Vão os que crêem e, também, os incrédulos, para reverenciar seus mortos e, quem tem fé, por eles rezar. Desde o início da Igreja os cristãos costumavam visitar os túmulos de seus mortos, muitos, mártires da Fé e na mais remota Antigüidade, durante todo o ano, há ofícios fúnebres, missas exéquias e outras simples celebrações religiosas, recordando na prece os que nos antecederam na casa do Pai. Nós lembramos nossos parentes e amigos falecidos normalmente no dia em que foram chamados para o céu. Porém, há uma outra data, a de 2 de novembro, que vigora em muitas partes do mundo, independentemente de crença religiosa.

''Orando pelos mortos, a Igreja contempla, antes de tudo, o mistério da Ressurreição de Cristo, que nos obtém a vida eterna''. A partir dessa Abadia, difundiu-se, pouco a pouco, por todo o universo o costume de, nessa data, interceder junto a Deus, solenemente, pelos defuntos ou homenageá-los. Santo Odilon chamou esse evento a ''Festa dos Mortos''.



Diz o ''Catecismo da Igreja Católica'' (nº 2635): ''Interceder, pedir em favor de outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo: é a expressão da comunhão dos santos! São Paulo assim exortava os Filipenses (2,3-5): ''Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas com humildade, considerando os outros superiores a vós mesmos''.


A Comemoração Universal dos Mortos nos adverte contra qualquer forma de reencarnação. A crença católica é clara. Lemos em Hebreus (9,27): ''É um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem o julgamento''. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática ''Lumen Gentium'' (nº 48) é categórico: ''Vigiemos constantemente, a fim de que no termo de nossa vida sobre a terra, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete (...) e ser contados entre os eleitos''. A idéia de existências sucessivas faz parte de algumas religiões orientais, como o hinduismo e o budismo, estando presente também na Grécia. Nos tempos modernos, é defendida em muitos ambientes. A doutrina cristã sobre o assunto é matéria de Fé. A obra divina da salvação dos homens tem valor infinito. Não necessita de repetição da vida humana para alcançar a salvação, oferecida a todos por Cristo, no Calvário. O Concílio (''Gaudium et Spes'', 18) reconhece: ''Diante da morte, o enigma da condição humana atinge o clímax''. O que é impossível compreender pela razão, limitada, torna-se claro à luz da Fé. Cristo, na cruz, venceu a morte. O fim terreno do ser humano se transforma em uma eternidade feliz.



A Constituição Pastoral ''Gaudium et Spes'' é clara: ''Para qualquer homem que reflete, apresentada com argumentos sólidos, a Fé dá resposta à sua angústia sobre a sorte futura'' (idem). Há uma expressão de Santa Teresinha do Menino Jesus de uma extraordinária eloqüência e valor: ''Eu não morro, entro na vida''. Na sua Mensagem por motivo da Comemoração dos Defuntos, o Papa João Paulo II diz: ''Para as almas do purgatório, a espera da felicidade eterna, do encontro com o Bem-Amado, é fonte de sofrimentos por causa da pena devida ao pecado, que mantém longe de Deus'' (nº 4). A nós que ainda não fomos chamados pelo Pai, resta a certeza de que, terminado o tempo da purificação no purgatório, dar-se-á nosso encontro definitivo com Deus. Além dessa verdade, uma outra deve ser recordada no Dia de Finados: é a possibilidade de ajudar nossos mortos.


Diz o Concílio de Trento (Decreto sobre o Purgatório): ''A Igreja acredita que as almas que estão retidas no purgatório ''são ajudadas pela intercessão dos fiéis e sobretudo pelo sacrifício propiciatório do altar''. O Santo Padre João Paulo II tem, nessa matéria, uma palavra de estímulo: ''Encorajo, pois, os católicos a orarem com fervor pelos defuntos, por aqueles das suas famílias e por todos os nossos irmãos e irmãs que morreram, a fim de obterem a remissão das penas devidas aos seus pecados e ouvirem o apelo do Senhor: ''Vem (...) ao repouso eterno''.



São Paulo (I Tessalonicense 4,14): ''Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também os que morreram em Jesus, Deus há de levá-los em sua companhia''. A certeza da morte é indiscutível. O ser humano se interessa sobre seu futuro após a existência terrena. Essa realidade, à qual ninguém pode fugir, reduz a uma dimensão extraordinariamente curta todos os bens terrenos. Em sua busca, muitos lutam com ardor, deixam de lado os valores eternos, quando somente estes podem trazer a verdadeira felicidade ao coração do homem, ainda aqui na terra.


O silêncio dos sepulcros nos fala de modo eloqüente, da vida agitada, do ruído das festas pecaminosas, do ardor das paixões que ofendem a lei de Deus. Tudo passou tão rápido! A eternidade, porém, jamais termina. Essas considerações por ocasião de Finados, quando iluminadas pela luz da Fé suscitam em nós algo de fundamental: a esperança, que traz a certeza de que temos um Pai que tudo sabe e tudo pode. Através da realidade da morte, Ele nos fala, convidando-nos a uma vida cristã, consciente e fecunda.
fonte : Universo Católico

domingo, 1 de novembro de 2009

1º de Novembro - Festa de todos os Santos



" As mensagens que a festa de todos os santos e santas deixa para os fiéis são as mais consoladoras possíveis e também profundamente instigantes para a existência dos cristãos. Os pensamentos e desejos se voltam para a Jerusalém celeste onde já se encontram todos aqueles que amaram e serviram a Deus neste exílio terreno e lá já receberam o prêmio de suas boas obras. Trata-se de uma vigorosa afirmação alicerçada na fé de que há um outro mundo bem perto de cada um, separado tão somente pela noção do tempo. Os que atingiram o céu vivem no mundo do Eterno. Pelo dogma da comunhão dos santos nesta solenidade a Igreja peregrina da terra se une ainda mais intensamente aos irmãos glorificados junto do Ser Supremo.




Eles corresponderam ao projeto salvífico do Pai através do sacrifício de Cristo e sob a iluminação do Divino Espírito santo, correspondendo sempre às graças recebidas. Deste modo a festividade dedicada aos que já se acham na posse da bem-aventurança perene é um convite a que se desprenda das veleidades terrenas e se volte inteiramente para as realidades futuras. Com a transformação dos espinhos da vida em pérolas preciosas para a eternidade, passando os dias na observância total, integral dos Mandamentos divinos, quem acredita nas promessas bíblicas não trepida, não teme a morte e vive na casa da fulgente esperança! Ecoam as palavras sublimes de São Paulo: “A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas ( 2 Cor 4,17).




Eis por que acrescenta o mesmo Apóstolo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada (Rm 8,18). São João no Apocalipse contemplou a multidão de pessoas que foram purificadas pelo sangue valiosíssimo do Cordeiro. Ultrapassada a barreira da peregrinação chegaram ao término glorioso de uma ventura sem fim. Celebra-se deste modo a Cidade do Alto onde estão reunidos os eleitos para glorificarem a Deus por todo sempre. É uma imersão no mundo maravilhoso de um amanhã feliz, no qual todos são reflexos de Cristo Ressuscitado. Da Casa do Pai parentes e amigos acenam, pedindo que não se deixe cada um levar pelas ilusões mundanas.




Eles tiveram um encontro com Cristo nos caminhos da vida terrena, foram fiéis ao chamamento do Mestre e agora gozam de sua companhia na ultravida que não acabará nunca. Eles compendiaram em si mesmos as Bem-aventuranças proclamadas por Cristo, viveram em função delas e agora recebem o galardão de sua fidelidade. Viveram continuamente na presença de Deus e atualmente O adoram numa dita sempiterna na pátria definitiva. Deste modo a solenidade de todos os Santos é um apelo à santidade existencial, afastando todos os fúteis pretextos que o Inimigo possa apresentar. A exemplo dos que conquistaram a coroa eterna é preciso confiar sempre na proteção divina. Cumpre que cada cristão se santifique no cumprimento do dever de cada dia. A todos Deus cumulou de qualidades especiais e únicas que devem ser exploradas na edificação própria e dos outros e aí está o segredo da perfeição cristã.




A meta é estar um dia na mansão celestial onde, segundo São João, “não haverá mais noite nem terão (os eleitos) necessidade da luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles e reinarão por todos os séculos” (Ap 22,4-5). Portanto, mister se faz uma luta contínua para escapar da condenação eterna e chegar ao porto da salvação. Cristo operou a redenção universal, mas quer a cooperação de cada um e todo cuidado é pouco. Santo Agostinho deixou este lembrete: “Aquele que te salvou sem ti, não te salvará sem ti”. Cumpre trabalhar pela conquista do céu como o fizeram os santos que lá já se acham, porque trilharam as veredas traçadas pelo Filho de Deus.As mensagens que a festa de todos os santos e santas deixa para os fiéis são as mais consoladoras possíveis e também profundamente instigantes para a existência dos cristãos. Os pensamentos e desejos se voltam para a Jerusalém celeste onde já se encontram todos aqueles que amaram e serviram a Deus neste exílio terreno e lá já receberam o prêmio de suas boas obras. Trata-se de uma vigorosa afirmação alicerçada na fé de que há um outro mundo bem perto de cada um, separado tão somente pela noção do tempo.




Os que atingiram o céu vivem no mundo do Eterno. Pelo dogma da comunhão dos santos nesta solenidade a Igreja peregrina da terra se une ainda mais intensamente aos irmãos glorificados junto do Ser Supremo. Eles corresponderam ao projeto salvífico do Pai através do sacrifício de Cristo e sob a iluminação do Divino Espírito santo, correspondendo sempre às graças recebidas. Deste modo a festividade dedicada aos que já se acham na posse da bem-aventurança perene é um convite a que se desprenda das veleidades terrenas e se volte inteiramente para as realidades futuras. Com a transformação dos espinhos da vida em pérolas preciosas para a eternidade, passando os dias na observância total, integral dos Mandamentos divinos, quem acredita nas promessas bíblicas não trepida, não teme a morte e vive na casa da fulgente esperança! Ecoam as palavras sublimes de São Paulo: “A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas ( 2 Cor 4,17). Eis por que acrescenta o mesmo Apóstolo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada (Rm 8,18). São João no Apocalipse contemplou a multidão de pessoas que foram purificadas pelo sangue valiosíssimo do Cordeiro.




Ultrapassada a barreira da peregrinação chegaram ao término glorioso de uma ventura sem fim. Celebra-se deste modo a Cidade do Alto onde estão reunidos os eleitos para glorificarem a Deus por todo sempre. É uma imersão no mundo maravilhoso de um amanhã feliz, no qual todos são reflexos de Cristo Ressuscitado. Da Casa do Pai parentes e amigos acenam, pedindo que não se deixe cada um levar pelas ilusões mundanas. Eles tiveram um encontro com Cristo nos caminhos da vida terrena, foram fiéis ao chamamento do Mestre e agora gozam de sua companhia na ultravida que não acabará nunca. Eles compendiaram em si mesmos as Bem-aventuranças proclamadas por Cristo, viveram em função delas e agora recebem o galardão de sua fidelidade. Viveram continuamente na presença de Deus e atualmente O adoram numa dita sempiterna na pátria definitiva. Deste modo a solenidade de todos os Santos é um apelo à santidade existencial, afastando todos os fúteis pretextos que o Inimigo possa apresentar. A exemplo dos que conquistaram a coroa eterna é preciso confiar sempre na proteção divina. Cumpre que cada cristão se santifique no cumprimento do dever de cada dia.




A todos Deus cumulou de qualidades especiais e únicas que devem ser exploradas na edificação própria e dos outros e aí está o segredo da perfeição cristã. A meta é estar um dia na mansão celestial onde, segundo São João, “não haverá mais noite nem terão (os eleitos) necessidade da luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles e reinarão por todos os séculos” (Ap 22,4-5). Portanto, mister se faz uma luta contínua para escapar da condenação eterna e chegar ao porto da salvação. Cristo operou a redenção universal, mas quer a cooperação de cada um e todo cuidado é pouco. Santo Agostinho deixou este lembrete: “Aquele que te salvou sem ti, não te salvará sem ti”. Cumpre trabalhar pela conquista do céu como o fizeram os santos que lá já se acham, porque trilharam as veredas traçadas pelo Filho de Deus.


fone : catolica.net

sábado, 17 de outubro de 2009

O Santo Rosário de Nossa Senhora



UMA BREVE HISTÓRIA DO ROSÁRIO DA

VIRGEM MARIA


1- O Nascimento do Rosário


O Rosário é uma forma de oração muito antiga, usada pelos cristãos dos primeiros tempos. Desde os monges do oriente, até os beneditinos e agostinianos, era costume contar as preces com pedrinhas. Aliás, foi um beneditino, o venerável Santo Beda, a sugerir que elas fossem enfileiradas em um cordão, para facilitar o transporte e manuseio.O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição d e Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense.


A prática da oração do Rosário, como conhecemos hoje, nasceu no início do século XVII. E se tornou de grande valia na solução de um problema relevante das novas Ordens de frades mendicantes, franciscanos e dominicanos, onde a maioria era de analfabetos. Nessa época, o Papa Inocêncio III decidiu colocar um fim à heresia albigense, instalada no sul da França. O pontífice enviou para lá dois sacerdotes, Diego de Aceber e Domingos de Gusmão. Como o primeiro teve morte súbita, a missão ficou por conta do segundo. Mas a questão foi resolvida com muita eficiência, pois ele acabou contando com uma forte aliada: a Virgem Maria.



Diz a tradição que em 1207, o então fundador da Ordem dominicana estava na cidade francesa de Santa Maria de Prouille inaugurando o primeiro convento feminino de sua congregação. Na capela desse convento, Nossa Senhora apareceu à Domingos de Gusmão e lhe ensinou a oração do Rosário, para ser difundida como arma da fé contra todos os inimigos do cristianismo e também, para a salvação dos fieis. A partir daí a Ordem Dominicana se tornou a guardiã do Rosário, cujos missionários iniciaram a propagação do culto em todo o mundo.


Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Avé-Marias. Um pouco mais tarde, em 1422, pelas mesmas razões, os franciscanos c riaram a Coroa Seráfica, uma oração muito parecida, mas com estrutura ligeiramente diferente (tem sete mistérios, em honra das sete alegrias da Virgem, os mistérios Gozosos, trocando a Apresentação no Templo pela Adoração dos Magos e os dois últimos Gloriosos, acrescentando mais duas Avé-Marias em honra dos 72 anos da vida de Nossa Senhora na Terra).



Mas é preciso dizer que, nessa altura, não havia ainda a Ave Maria. Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório. No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria.



Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no espírito do concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja a Avé-Maria.


2- A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário


O contributo de São Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme.


Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de acção de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro.


3 - O rosário até João Paulo II


A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja. Já no fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.


A 12 de Outubro de 1717, foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um Terço ao pescoço por três humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguetá, São Paulo. Essa estátua, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil.


A Imaculada Conceição rezou o Terço com Bernadette Soubirous (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858. O Papa Leão XIII, “Papa do Rosário”, como lhe chama a recente Carta Apostólica do Papa (n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas.


Também o Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompeia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios.


Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima. “Rezar o Terço todos os dias” é a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»


A história do Rosário não pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolução. A escolha do Papa João Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontifícias com o Rosário, acrescentando-lhe os cinco mistérios luminosos, é um marco importante na devoção. Mas a ligação do Papa a esta oração não é de hoje, como ele mesmo diz na Carta: “Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.»”(n.º 2)


O Papa João Paulo II decidiu celebrar as suas bodas de prata papais com uma oração, o Rosário da Virgem Maria. Dado que é apenas a quarta vez na História que a Igreja celebra os 25 anos de um pontificado, (depois de S. Pedro, que foi Papa do ano 32 a 67, do beato Pio IX, Papa de 16 de Junho de 1846 a 7 de Fevereiro de 1878 e do seu sucessor Leão XIII, Papa de 20 de Fevereiro de 1878 a 20 de Julho de 1903), esta decisão tem grande relevo histórico e profético.


Agradecimentos pela colaboração do Irmão Leondro - Ir. Claudio de La Colombiere - OTC


domingo, 4 de outubro de 2009

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário


No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.


A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.


O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal.


No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário. A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados.
fonte: ACI Digital
“Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação...Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”.Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”.
Santa Teresa de Ávila

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

03 de Outubro - Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus

A Alegria de Ser Pequena


"... Se não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus" (Mt 18,3b), confidencia-nos Jesus no evangelho proclamado todos os anos na festa de Santa Teresinha. Não tivesse brotado do coração misericordioso d 'Aquele que veio ao mundo não para condená-lo, mas para salvá-lo, esta frase pesar-nos-ia como uma ameaça, porque condiciona a salvação: quem conservar suas manias de grandeza, "de modo algum" terá acesso ao Reino. Espelhar-se no exemplo das crianças é a senha que abre as portas do Reino.



Para o discípulo tornar-se criança, não precisa fazer muita coisa. Ele precisa realizar um único exercício: reconhecer sua própria pequenez. Este reconhecimento da própria fraqueza e indigência trata-se de um dom a ser cultivado. Serão impedidos de ingressar no Reino os que não se espelharem no modelo das crianças rechaçadas da sociedade do tempo de Jesus.



Este texto de Mateus é a porta de entrada do edifício espiritual de Santa Teresinha. Ele nos permite atingir o núcleo da "Pequena Via", a "pequena doutrina" que a Santa de Lisieux criou para si, não a partir de indagações filosóficas, mas baseada na observação de si mesma, de suas limitações pessoais, aliadas à decisão de ser santa: o desejo de permanecer criança aos olhos do Pai.



Todas as nuances do legado espiritual da Santa de Lisieux devem ser interpretadas pela chave da "pequenez". Uma leitura correta de seus escritos só procede quando compreendemos a sofreguidão com que procura, acima de tudo, ser criança, o que não se avalia somente por sua escrita infantil, pontuada de diminutivos. Teresa queria ser criança no sentido evangélico. Não desejava retroagir ou estacionar no estágio infantil da psicologia evolutiva. Buscava ser uma "tabula rasa" diante de Deus, na dependência exclusiva d'Ele, característica talvez ausente nas crianças de hoje, que, desde cedo, familiarizadas à tecnologia, e tendo acesso a todas às fontes de informação, parecem já nascerem sabendo tudo.



Ela anseia permanecer criança porque possui consciência de suas limitações e fraquezas, e também por sabedoria, que bem pode ser entendida como "esperteza". Sabe que, assumindo o estado de criança, só tem a ganhar aos olhos de Deus, além do que, para ser santa, sua maior aspiração, não lhe é oferecida outra alternativa.



Não poderia tripudiar com seu Amado Jesus. Não poderia enganar Seu esposo usando uma capa de grandeza que, efetivamente, não possuía. O que pode parecer um truque para escapar às duras penitências e sacrifícios transforma-se em autêntica vocação: "Jesus se apraz em me mostrar o único caminho que conduz a essa fornalha divina, esse caminho é o abandono da criancinha que dorme, sem medo, nos braços de seu Pai" (Cf MB.1r). Sem saída, rende-se aos encantos do Amado que apenas lhe solicita entrega confiante. A "Pequena Via" é uma calçada de amor na qual a criança encantada passeia.



A pequenez de Teresa torna-se ainda mais compreensível quando iluminada por outra palavra de Jesus: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" (Mt 12,16) diz o Senhor, levando-nos a crer que o Pai não partilhou a intimidade de seus segredos com todos. O Filho, em sua ação de graças, manifesta intensa alegria, aprovando e parabenizando o Pai por ter-se revelado inteiramente aos pequenos. Jesus demonstra seu contentamento porque algumas "coisas" foram depositadas com exclusividade no coração dos "pequeninos". Quem não se torna pequenino e não se transforma em criança não conhece os segredos do Reino, é o que podemos deduzir.


A Santa Doutora Teresinha do Menino Jesus foi uma "pequenina" a quem o Pai manifestou os segredos do Reino. Em cada página de seus escritos, especialmente no "Manuscrito B", ela proclama os segredos de Deus revelados à sua alma pequena: "Ah, se sábios, que tivessem passado suas vidas no estudo, viessem me interrogar, sem dúvida ficariam pasmos em ver uma criança de quatorze anos compreender os segredos da perfeição, segredos que toda a ciência não pode revelar" (MA 49r). Espanta-nos a precocidade de Teresa na compreensão das coisas de Deus. Por outro lado, não se pode deixar de admirar sua aceitação imediata daquilo que aparenta ser incompreensível: os caminhos misteriosos do Amor de Jesus que a deixa na "noite escura". Árido mistério no qual sua pequenez não consegue penetrar.



Seus textos transpiram humildade, submissão à vontade de Deus, uma formidável atração pelos últimos lugares e uma confiança absoluta no amor misericordioso do Pai. Trata-se de alguém que precisa levantar a cabeça para contemplar tudo que se encontra fora do alcance de sua mão. Na infância, para ver pela última vez o rosto de sua mãe estendida no caixão precisou erguer a cabeça "para ver a parte de cima e parecia-me muito grande... muito triste" (MA 13v). Este esforço irá acompanhá-la por toda a vida. Pequena, quer voar, atingir as alturas da Montanha do Amor.



Mesmo quando não lhe é concedida a graça de receber luzes esclarecedoras, terá a convicção de jamais ser abandonada pelo Pai. Angústias e sofrimentos não a impedirão de crer que, mesmo quando parece dormir, Jesus está atento à sua aridez espiritual. Tudo isto sem perder o bom humor e a alegria de viver. Alegria que, segundo o testemunho de Irmã Genoveva, era uma alegria infantil, heróica: "Minha santa Irmãzinha conservou até o fim de sua vida maneiras infantis e encantadoras que tornavam sua companhia muito agradável. Sua amável alegria parecia mesmo crescer com o sofrimento". (Conselhos e Lembranças, p. 145).
Teresa é uma criança contente, a quem satisfaz qualquer carinho do "Bom Deus". Em tudo ela desvela a ternura de Deus, nas coisas e episódios mais insignificantes. A consciência de ser "... essa criança, objeto do amor previdente de um Pai..." (MA39r) fá-la acreditar que Deus não leva em conta sua fragilidade pois "... as criancinhas agradam a seus pais igualmente, quer estejam dormindo, quer estejam acordadas" (MA 75v). Jamais tem medo de ser repreendida ou castigada. Usa, sempre, como trunfo, o fato de ser criança: "Minha desculpa é que sou uma criança, as crianças não refletem no peso de suas palavras (...) (MB 4r)



Ela dobra o poder, a fortaleza do Deus terrível fomentado pela espiritualidade de sua época. Suas armas infantis levam-na a seduzir a Suprema Majestade, assentada em seu trono, despertando n' Ele uma misericórdia e afetos que os "sábios" desconhecem porque não têm o atrevimento das crianças, não se jogam nos braços do mistério. Têm medo de errar, tremem diante da possibilidade do fracasso. Ela enfrenta as próprias fraquezas sem recear ser derrotada no seu intento de viver unicamente o amor. Nem o pecado mortal, que, segundo o Pe. Pichon, ela jamais cometeu, tirar-lhe-ia a confiança (Cf. CA 20.7.3).



Também por ser criança, pode pensar em fazer loucuras: "... sinto em mim outras vocações, a de Guerreiro, a de Sacerdote, a de Apóstolo, a de Doutor, a de Mártir... sinto na minha alma a coragem de um cruzado... Queria morrer num campo de batalha pela defesa da Igreja..." (MB 3f). Como viver todos estes chamados enclausurada no jardim carmelitano? Embora não desmereça a sublimidade de ser "Carmelita, esposa e mãe" (idem), confessa desejos sem temer zombarias: "Gostaria também de pregar o Evangelho nas cinco partes do mundo, até nas mais longínquas ilhas" (MB 3v). No Carmelo permitiu que crescesse seu sonho de martírio. Sua loucura vai mais além: não conseguiria satisfazer-se "com uma forma de martírio... Para satisfazer-me, preciso de todas". (Idem). Preocupa-se com as reações de Jesus a respeito dessas "loucuras", pois sabe que não "há alma menor, mais impotente" (Ibidem) que a sua.



A impotência diante de sonhos tão irrealizáveis conduzem-na à escuta da palavra de Deus, aos capítulos 12 e 13 da primeira epístola aos Coríntios. Aí descobre a "chave" de sua vocação: o Amor. A uma criança só resta amar: "... no Coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor... serei tudo, portanto..." (MB 4f). Mais difícil que ser Apóstolo, Sacerdote e Guerreiro é oferecer-se como "vítima" ao Amor. Para tanto a criança "impotente e fraca" é suficientemente audaciosa. A "alma imperfeita", a "Criança da Igreja" é muito pequena para realizar grandes obras. Os grandes pensam muito antes de se entregar a uma tarefa para a qual não se sentem preparados. As crianças são mais audaciosas: "Sou apenas uma criança impotente e fraca, mas é minha própria fraqueza que me dá a audácia para me oferecer como Vítima ao teu Amor" (MB 4f).



A pequena Teresa decifra os "segredos da perfeição" no "livro da vida" e não através de visões extraordinárias ou dos tratados teológicos e místicos: "Sem mostrar-se, sem se fazer ouvir, Jesus ensina-me em segredo, não é por meio dos livros, pois não entendo o que leio, às vezes, porém, uma palavra como esta que destaquei no final da oração..." (MB 1v). Elucubrações e conceitos filosóficos e teológicos não a interessam. Há coisas que ela reconhece humildemente fugir à sua compreensão. Mas, quando em atitude de oração, mesmo no silêncio e na aridez, basta-lhe uma palavra para lhe descortinar a Ciência do Amor: "A ciência do Amor, oh sim! Esta palavra soa doce ao ouvido da minha alma, só desejo essa ciência..." (Idem).



Teresa quer ser perfeita, e, para tanto, não encontra outro caminho além daquele que conduz ao perfeito abandono nos braços de Deus. Estará sendo sutilmente irônica quando afirma em uma longa carta dirigida ao Pe. Roulland que deixa " para as grandes almas, os grandes pensadores, os belos livros que não consigo entender, menos ainda praticar..." (CT 226)? Estaria repudiando os equívocos daqueles que buscam nos manuais de espiritualidade uma espécie de santidade acadêmica, caminho inverso àquele do evangelho? A santinha que muitos consideram ingênua estaria lançando farpas nos "doutores", gigantes da vida espiritual? Certamente essas linhas não foram escritas em tom acusatório.



Ela tem coisas mais importantes com as quais se preocupar. Encontra-se empenhada em alegrar-se "por ser pequena" (idem). Por isso sua vida será uma suave canção de amor a Deus, até o fim. Não desafinará quando o sofrimento atingir seu auge. Mesmo roucamente, a criancinha dirá ao final: "Meu Deus, amo-vos". Aquela que intercede por nós é muito pequena, mas sua alma reveste-se da fortaleza de um gigante. Quem resiste ao impulso de carregá-la ao colo, mesmo sabendo que é ela quem nos carrega até Jesus?



Autor : Pe. Antonio Damásio Rêgo Filho
fonte : Paróquia de Santa Teresinha de Belo Horizonte - MG

sábado, 26 de setembro de 2009

29 de Setembro - Santos Arcanjos Miguel, Gabriel, Rafael

"O anjos levam as nossas orações à bondade misericordiosa do Altíssimo e de informar-nos se elas foram atendidas. Assim sendo, as graças que recebemos nos são dadas por Deus, que é o princípio e o fim de nossa vida, através da intercessão de nosso Anjo Bom." ( São Francisco de Sales)

"Deus, que criou todas as coisas, criou também os anjos, para que o louvem, obedeçam e atendam. Criou-os para serem eternamente felizes e para que nos ajudem e guiem, especialmente toda a sua Igreja. Entretanto uma grande parte desses anjos cometeu o grave pecado da soberba, desejando tornar-se iguais ao próprio Criador. Por isso Deus os condenou e os precipitou no inferno, onde permanecerão para todo o sempre. Esses anjos rebeldes são chamados espíritos maus, diabos ou demônios, e têm como chefe Satanás.

Os anjos que ficaram fiéis a Deus são os chamados anjos bons ou simplesmente: anjos. Dentre esses é que Deus escolhe nosso Anjo da Guarda, que é pessoal e exclusivo, cuja função é proteger-nos até o retorno da nossa alma à eternidade. Ele nos ampara e nos defende das dos perigos com que os espíritos maus nos tentam, na nossa vida terrena. “Porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos, eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90,11-12).


Os Anjos da Guarda estão repletos de dons e privilégios especiais, com uma missão insubstituível ao longo da criação. Eles possuem a natureza angélica espiritual, que é a síntese de toda a beleza e de todas as virtudes de Deus, por isso impossível de ser representada.


Deus confiou cada criatura a um Anjo da Guarda. Esta é uma verdade que está em várias páginas da Sagrada Escritura e na história das tradições da humanidade, sendo um dogma da Igreja Católica, atualmente também confirmado pelos teólogos. A devoção dos anjos é mais antiga até que a dos próprios santos, ganhando maior vigor na Idade Média, quando os monges solitários receberam a companhia dessas invisíveis criaturas, cuja presença era sentida nas suas vidas de silenciosa contemplação e íntima comunhão espiritual com Deus-Pai.


Todavia o Eterno Guardião, como o Anjo da Guarda também é chamado, tão solicitado e cuidado durante a infância, está totalmente esquecido no cotidiano do adulto, que, descuidando de sua exclusiva e própria companhia, não se apercebe mais de sua angélica presença. Mas este espírito puro continua vigilante, constante dos pensamentos e de todas as ações humanas.


O Anjo da Guarda é um ser mais perfeito e digno do que nós, criaturas humanas. Não podemos ignorá-lo. Devemos amá-lo, respeitá-lo e segui-lo, pois está sempre pronto a proteger-nos, animar e orientar, para cumprirmos a missão da vida terrena, trilhando o caminho de Cristo e, assim, ingressarmos na glória eterna.

O Catecismo da Igreja Católica nos orienta:

Quem são os anjos?

“Os anjos são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais, seres pessoais dotados de inteligência e de vontade. Estes, contemplando incessantemente a Deus face a face, glorificam-no, servem-no e são os seus mensageiros no cumprimento da missão de salvação, em prol de todos os homens”.

Como é que os anjos estão presentes na vida da Igreja?

“A Igreja une-se aos anjos para adorar a Deus, invoca a sua assistência e celebra liturgicamente a memória de alguns”.

São Pio de Pietrelcina nos ensina que:

“Que o teu anjo da guarda vele sempre por ti, seja o condutor que te guia pelo áspero caminho da vida. Que te proteja sempre na graça de Jesus, que te ampare com suas mãos. Que te proteja sob suas asas de todos os assédios do mundo, do demônio e da carne.

Deves muita devoção a esse bondoso anjo. Como é bom pensar que temos um espírito perto de nós, um espírito que, do berço até o túmulo, não nos deixa um só instante, nem mesmo quando ousamos pecar! Esse espírito celeste nos guia, nos protege, como um amigo, como um irmão.


Também é bom saber que esse anjo ora por nós sem cessar, oferece a Deus todas as boas ações e obras que fazemos, nossos pensamentos, nossos desejos, quando estão puros.


Não devemos nos esquecer desse companheiro invisível, sempre presente, sempre pronto a nos ouvir, e mais pronto ainda a nos consolar. Ó, sublime intimidade, ó bem-aventurada companhia, se soubéssemos compreendê-la! Deves conservá-lo sempre diante dos olhos da mente: lembra-te com freqüência da presença desse anjo, agradece-lhe, dirige a ele as tuas orações, sê para ele um bom companheiro. Abre-te e confia a ele os teus sofrimentos, tem receio de ofender a pureza do seu olhar. Tem consciência de sua presença e guarda-a bem na mente. Ele é tão delicado, tão sensível. Volta-te para ele nas horas de suprema angústia e experimentarás seus efeitos benéficos.


Nunca digas que estás sozinho na luta contra nossos inimigos. Nunca digas que não tens uma alma à qual podes te abrir e confiar-te. Seria um grande erro contra esse mensageiro celeste.”

(Pe. Pio, 1915)

São Miguel Arcanjo

“Miguel” que significa: “Quem como Deus?” é o defensor do Povo de Deus no tempo de angústia. É o padroeiro da Igreja universal e aquele que acompanha as almas dos mortos até o céu.

São Gabriel

“Gabriel” – que significa “Deus é forte” ou “aquele que está na presença de Deus” – aparece no assim chamado evangelho da infância como mensageiro da Boa Nova do Reino de Deus, que já está presente na pessoa de Jesus de Nazaré, nascido de Maria. É ele quem anuncia o nascimento de João Baptista e de Jesus.

Arcanjo São Rafael

“Rafael”- que quer dizer “medicina dos deuses” ou “Deus cura” – foi o companheiro de viagem de Tobias. É o anjo benfazejo que acompanha o jovem Tobias desde Nínive até à Média; quem o defende dos perigos e patrocina o seu casamento com Sara. É ele quem tira da cegueira o velho Tobias.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças, porque ouvistes as palavras da minha boca. Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo. ( sl 137 )

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

24 de Setembro - Nossa Senhora das Mercês

Nossa Senhora das Mercês - Acervo do Museu de Arte Sacra da UFBA, antigo Convento de Santa Teresa de Ávila, fundado pelos Carmelitas Descalços em meados do século XVII, na Cidade do Salvador - capital do Brasil de 1549 a 1759.


No início do século XII quase toda a Península Ibérica gemia sob o jugo muçulmano. Grande número de espanhóis estava escravizado pelos mouros e sujeito aos piores tratos. A Santíssima Virgem - Auxiliadora dos Cristãos - condoendo-se do sofrimento de seus filhos, quis ser a principal fundadora de uma Ordem Religiosa destinada a prestar socorro a estes infelizes. Para isso apareceu em sonhos, na mesma noite, a três homens dedicados, a fim de que se consagrassem a causa dos oprimidos.



Um dos escolhidos foi o militar francês de origem fidalga São Pedro Nolasco, que há muito tempo se dedicava a esta causa, resgatando seus irmãos de crença a peso de ouro. Quando já lhe escasseavam os recursos, a Virgem Maria apareceu-lhe em sonho e disse-lhe: - "Deus quer que estabeleça uma Congregação Religiosa para o resgate dos cativos". Pedro não era um homem crédulo e por isso consultou o seu confessor São Raimundo de Penaforte, um dos mais notáveis teólogos de sua época. Qual não foi a surpresa de Pedro Nolasco ao saber que o Santo Doutor tivera o mesmo sonho e recebera ordem de animar os seus desígnios. Foram os dois pedir o apoio de D. Jaime I de Aragão e ficaram assombrados quando o piedoso monarca lhes anunciou que tivera o mesmo sonho e recebera a mesma ordem.

Certos de que esta era a vontade de Deus, puseram mãos a obra. 0 agnânimo soberano mandou construir um convento, enquanto São Raimundo elaborava os estatutos da Ordem. São Pedro Nolasco foi o primeiro Comandante Geral da Milícia, e a ele, em pouco tempo, juntaram-se muitos cavaleiros da Espanha. Estava fundada a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos. Alem dos votos de pobreza, obediência e castidade, eles faziam o de tornar-se escravos, se fosse necessário, para salvar os prisioneiros.


A Ordem de Nossa Senhora das Mercês, após a aprovação do Santo Padre, espalhou-se pela Europa. Quando Cristóvão Colombo descobriu a América, despertou a atenção dos Mercedários para o enorme campo de atividades que se lhes deparava no Novo Mundo. A Milícia de São Pedro Nolasco logo aceitou o encargo de catequizar o selvagem americano do Mundo Espanhol. Os primeiros milicianos estabelecidos no Brasil vieram de Quito com Pedro Teixeira em 1639, quando o nosso país ainda se achava sob o domínio da Espanha, e se localizaram em Belém do Pará.


Com a Restauração de Portugal, os governantes de Lisboa suspeitaram dos Mercedários, mas a Câmara e o povo fizeram requerimentos pedindo a sua permanência naquela cidade, devido a grande obra social e de catequese que estavam empreendendo. No início construíram uma pequena capela anexa ao convento, mas no século XVIII edificaram, de acordo com o projeto do arquiteto italiano radicado em Belém, José Landi, o seu templo definitivo, o único da cidade que possui a frontaria em perfil convexo. Seus púlpitos em estilo rococó e as talhas magnificas de seus frontões fazem desta igreja um dos mais bonitos monumentos religiosos da capital do Norte Brasileiro.



No século citado, a Irmandade de Nossa Senhora das Mercê estabeleceu-se em Ouro Preto, com o intuito de libertar os escravos pretos e crioulos que trabalhavam nas minas. Após muito tempo a confraria conseguiu se transformar em Ordem Terceira, com o direito de usar hábitos, capas, correias e também construir o seu templo. Entretanto, não se sabe por que, a irmandade cindiu-se ficando urna parte com a risonha igrejinha que é a Mercês de Cima, enquanto a outra estabeleceu-se na ermida do Bom Jesus dos Perdões, denominada atualmente Mercês de Baixo.
A luta entre as duas facções durou perto de cem anos, acreditando-se que a política imperial tenha influído na contenda, pois os conservadores eram filiados à Mercês de Baixo, enquanto os liberais somente se inscreviam na Mercês de Cima.O culto da Virgem das Mercês desenvolveu-se mais entre os pardos cativos, por isso ele se espalhou principalmente nas vilas do ouro como Diamantina, São João del Rei, Mariana, Sabará, etc., onde são encontrados vários templos a ela dedicados. Em Diamantina, sua festa se realiza a 17 de agosto com espetáculos de fogos de artifício, luminárias e foguetes, pois os negros acham que foi ela quem inspirou a Princesa Isabel a libertar os escravos. Esta é uma das mais antigas festas daquela cidade e é feita com procissão e levantamento de mastro com bandeirinhas.
Nossa Senhora das Mercês,Rogai por nós!


fonte : "Invocações da Virgem Maria no Brasil", Ed. Vozes, 1998, pp. 306-309 Nilza Botelho Megal

Pedidos de Oração