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sábado, 27 de junho de 2015

Ícone Milagroso de N.Sra. do Perpétuo Socorro




 Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é de origem oriental, grega. Em fins do século XV, um negociante roubou o quadro do altar onde estava, na Ilha de Creta, onde foi venerado pelo povo cristão desde tempos imemoráveis. Escapou milagrosamente de uma tormenta em alto mar, levando o quadro até Roma. Adoeceu mortalmente e procurou um amigo que cuidasse dele. Estando para morrer, revelou o segredo do quadro e pediu ao amigo que o devolvesse a uma igreja. O amigo, por causa da sua esposa, não quis desfazer-se de tão belo tesouro, tendo morrido sem cumprir a promessa.

Por último, a Santíssima Virgem apareceu a uma menina de seis anos, filha desta família romana, e mandou-lhe dizer à mãe e à avó que o quadro devia ser colocado na Igreja de São Mateus, entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão. A mãe obedeceu e o quadro foi colocado nesta igreja no dia 27 de março de 1499. Aí ele foi venerado durante 300 anos. Então a devoção começou a se divulgar em toda Roma.

Em 1798 a guerra atingiu Roma. O convento e a igreja, que estavam sob o cuidado dos Agostinianos irlandeses, foram quase totalmente destruídos. Parte dos agostinianos passou para um convento vizinho e levou consigo o quadro, onde ficou oculto por anos.

Em 1819, os Agostinianos se transferiram para a Igreja de Santa Maria in Postérula. Com eles foi a “Virgem de São Mateus”. Mas como “Nossa Senhora da Graça” era já venerada naquela igreja, o quadro foi posto numa capela interna do convento, onde ele permaneceu quase desconhecido, a não ser para o Irmão Agostinho Orsetti, um dos jovens frades provenientes de São Mateus.

O religioso idoso e o jovem coroinha

Os anos corriam e parecia que o quadro estava para cair no esquecimento. Um jovem coroinha chamado Michele Marchi visitava muitas vezes a igreja de Santa Maria in Postérula e tornou-se amigo do Irmão Agostinho. Muito mais tarde, o então sacerdote Padre Michele escreveria: "Este bom Irmão costumava me falar com um certo ar de mistério e ansiedade, especialmente durante os anos 1850 e 1851, estas exatas palavras":



"Veja bem, meu filho, você sabe que a imagem da Virgem de São Mateus está lá em cima na capela: nunca se esqueça dela, entende? É um quadro milagroso". 


Naquele tempo o Irmão estava quase totalmente cego. Desde a minha infância até quando entrei na Congregação Redentorista sempre vi o quadro acima do altar da capela doméstica dos Padres agostinianos, não havia devoção a ele, nem enfeite, nem sequer uma lâmpada para reconhecer a sua presença, ficava coberto de poeira e praticamente abandonado. Muitas vezes, quando eu ajudava a Missa lá, eu olhava para ele com grande atenção”.

O Irmão Agostinho morreu em 1853, com 86 anos, sem ter visto realizado o seu desejo de que a Virgem do Perpétuo Socorro fosse de novo exposta à veneração pública.

A redescoberta do ícone

Em Janeiro de 1855, os Missionários Redentoristas adquiriram “Villa Caserta” em Roma, fazendo dela a Casa Generalícia da sua Congregação missionária, que se tinha espalhado pela Europa ocidental e América do Norte. Nesta mesma propriedade junto à Via Merulana, estavam as ruínas da Igreja e do Convento de São Mateus. Sem perceber, eles tinham adquirido o terreno que, muitos anos antes, tinha sido escolhido pela Virgem para seu santuário entre Santa Maria Maior e São João de Latrão.

Começaram então a construção de uma igreja em honra do Santíssimo Redentor e dedicada a Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor. Em dezembro de 1855, um grupo de jovens começava seu noviciado na nova casa. Um deles era Michele Marchi.

Os Redentoristas estavam extremamente interessados na história da sua nova propriedade. A 7 de fevereiro de 1863, ficaram intrigados com os questionamentos de um pregador jesuíta, Padre Francesco Blosi, que num sermão falou de um ícone de Maria que “tinha estado na Igreja de São Mateus na Via Merulana e era conhecido como a Virgem de São Mateus, ou mais corretamente a Virgem do Perpétuo Socorro”.

Em outra ocasião, o Cronista da comunidade redentorista, “examinando alguns autores que tinham escrito sobre as antiguidades romanas, encontrou referências à Igreja de São Mateus. Entre elas havia uma citação particular, mencionando que naquela igreja havia um antigo ícone da Mãe de Deus, que gozava de “grande veneração e fama por seus milagres”. Então, tendo contado tudo isto à comunidade, começaram a se perguntar onde poderia estar o quadro. Padre Marchi repetiu tudo o que ouvira do Irmão Agostinho Orsetti e disse a seus confrades que muitas vezes tinha visto o ícone e sabia muito bem onde se achava”.

Os Redentoristas recebem o ícone

Com esta nova informação, cresceu entre os Redentoristas o interesse por saber mais sobre o ícone e por recuperá-lo. O Superior Geral, Padre Nicholas Mauron, apresentou uma carta ao Papa Pio IX, na qual ele pedia à Santa Sé que lhe concedesse o Ícone para ser colocado na recém-construída Igreja do Santíssimo Redentor e de Santo Afonso. O Papa concedeu a licença. Conforme a tradição, Pio IX disse ao Superior Geral dos Redentoristas: “Fazei-a conhecida no mundo inteiro!”. Em janeiro de 1866, os Padres Michele Marchi e Ernesto Bresciani foram a Santa Maria in Postérula receber o quadro dos Agostinianos.

Começou então o processo de restauração do ícone. A tarefa foi confiada a um artista polonês, Leopold Nowotny. Finalmente, no dia 26 de abril de 1866, a imagem era de novo exposta à veneração pública na igreja de Santo Afonso. Com este evento, começou o quarto estágio da história: a difusão do ícone no mundo inteiro.


fonte : http://perpetuosocorro.org.br/historia-do-icone/



Tags: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ìcone milagroso da Vírgem do Pepétuo Socorro, Nossa Senhora da Ajuda, Iconografia mariana.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um Casal Especial - Reflexão de Frei Patrício Sciadini sobre os Pais de Santa Teresinha



Link para Loja Virtual do Livro de sua autoria : "Um Casal Especial"  

Quase todos os dias ouvimos falar que a família está em crise, perdeu o seu rumo, e que os pais hoje em dia não sabem educar, que os jovens não querem mais ficar em casa e preferem viver longe dos pais e, dizem os psicólogos e a mesma Igreja, que os jovens, vendo as brigas super violentas dos pais, preferem nem se casar. Se diz ainda que o número dos divórcios aumenta cada vez mais e que o matrimonio não é estável, mas passageiro. O que importa é a convivência e a felicidade pessoal e momentânea... E ainda há quem diga com fundamento que a causa do número dos jovens que pegam o caminho da droga e não raramente o caminho do suicídio seja a desestabilização da família, como primeiro centro educacional sério e evangelizador. E a ladainha pode continuar e dizer por ex. que os jovens preferem “as diversões sexuais e afetivas”, mas sem uma ligação consagrada nem de Deus e nem da lei. E se por acaso, por descuido, aparecer uma gravidez, não há problema, o aborto é solução. Por aí vai.


Que a Igreja esteja preocupada com esta situação é comprovado pelo sínodo da família que se pensava que uma simples sessão fosse necessária e o Papa Francisco e os participantes se viram obrigados a prolongá-lo com uma outra sessão e pode ser que nem baste... Há sobre a mesa problemas grandes e graves que vão da homossexualidade às segundas núpcias, ao matrimônio de fato ou matrimônio “aparente, de fachada”. Pais e mães não são mais tão importantes, se pode comprar um pai e mãe de aluguel e tudo está resolvido. Poderíamos continuar no que se diz até escrever um livro, mas a que serve fazer análises se não se encontra a solução e o meio certo?

A Igreja nos oferece uma solução e um remédio eficaz através da canonização dos pais de Santa Teresinha, Zélia Guerin e Luis Martin. Um matrimônio que ao longo da vida conjugal viveu situações difíceis, mas que à luz da fé soube enfrentá-las corajosamente. Há mulheres santas e há maridos ateus, como casos na história da santidade, como por exemplo o pai de santo Agostinho, que se chamava Patrício, era ateu e Monica, a santa que com sua oração conseguiu converter um pouco o marido, mas totalmente o filho Agostinho, que tinha um péssimo caminho. Há casos de marido santo e mulher não santa. 

Aqui temos um caso especial, os pais, quer dizer marido e mulher, que serão declarados pela Igreja santos. Não uma santidade “honoris causa.” Mas sim uma santidade concreta, real. É interessante o livro “A história de uma família”, que conta a vida da família Martin, provada pelas mortes de recém nascidos, pela doença de Zélia, pela pobreza, vendo um pouco os negócios irem à falência, pelos desentendimentos com os parentes... E os dois, unidos na fé, na esperança e no amor. Dois caracteres totalmente diferentes e entre eles uma certa diferença de idade.

Os dois vinham de uma desilusão de vida religiosa. Sabemos que Luis Martin, homem reflexivo e um pouco solitário, quem sabe também um pouco depressivo, queria ser monge, mas não sabendo latim, foi enviado de volta para casa. O seu mesmo trabalho de relojoeiro o levava a passar tempo sozinho. Zélia, uma jovem boa, empreendedora, mas que sentia no seu coração o desejo da vida religiosa e sem saber o porque foi recusada. Os dois não sabiam que rumo tomar. A mãe de Luis Martin, preocupada pela idade do filho, que beirava os 37 anos, arrumou o encontro entre os dois, noivado rápido, nem três meses, e ei-los casados à meia noite do 13 de julho de 1858.

Um Luis Martin que não quer filhos e quer viver a castidade, e uma Zélia que não quer filhos, mas o confessor santo que diz “matrimônio é feito para ter filhos”, e vão ter nove. Uma bela história de oração, de sacrifício, unidos na oração, no fazer o bem, preocupados com a educação das filhas.

Hoje é necessário “recriar” famílias que saibam colocar ao centro da vida Deus e os filhos, e não o dinheiro e nem a promoção social, nem o bem estar econômico. O amor não é feito de jóias e nem de viagens, é feito de dom de si mesmo que gera a vida. Escrevi um livro sobre os pais de santa Teresinha com a editora Canção Nova, onde dizia que os pais de Santa Teresinha são pais normais, feitos de alegria e de tristeza e são imitáveis para as famílias normais. Nada de excepcional a não ser o amor vivido respeitando o caminho dos filhos. A História de uma Alma, autobiografia de Santa Teresinha, é o melhor testemunho do processo de canonização dos pais desta Santa. Espiritualidade familiar não é idéia, é vida. Todos os problemas da família têm uma única solução: crer no amor. Posso estar errado, mas isto é o que vejo na família de Jesus e de Zélia e Luis Martin.


Fonte : Zenit (30 de Março de 2015) 

Tags: Luis Martin, Zélia Guérin, Pais de Santa Teresinha, Canonização dos Pais de Santa Teresa de Lisieux, Familia Martin - Leigos Carmelitas.

São João Batista



"Illum oportet crescere me autem minui"


Dom Fernando Arêas Rifan*

Hoje celebramos a festa de São João Batista, um dos santos “juninos”, ao lado de Santo Antônio (dia 13) e São Pedro (dia 29). Vale recordar ainda hoje, para nossa edificação, o exemplo daquele de quem Jesus disse: “Entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista” (Mt 11,11).

João Batista, assim cognominado pelo batismo que administrava, foi o precursor de Jesus, aquele que o apresentou ao povo de Israel. Filho de Zacarias e Isabel, foi santificado ainda no seio materno quando da visita de Nossa Senhora, já grávida do Menino Jesus. Por isso a Igreja festeja, no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu.

Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Alguns acham que ele teria vivido entre os Essênios, comunidade monacal do deserto vizinho ao Mar Morto. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade. Sua pregação era: “Convertei-vos, pois o reino dos Céus está próximo... Produzi fruto que mostre vossa conversão... Eu vos batizo com água, para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu não sou digno nem de levar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3, 2, 8, 11).

Jesus, no começo do seu ministério público, quis também, por humildade, misturando-se aos pecadores, ser batizado por João. João quis recusar, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?... Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu filho amado; nele está o meu agrado’” (Mt 3, 14, 16-17).

São João Batista era o homem da verdade, sem acepção de pessoas. Por isso admoestava o Rei Herodes contra o seu pecado de infidelidade conjugal e incesto, o que atraiu a ira da amante do rei, Herodíades, que instigou o rei a metê-lo no cárcere. No dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou na frente dos convivas, o que levou o rei, meio embriagado, a prometer-lhe como prêmio qualquer coisa que pedisse. A filha perguntou à mãe, que não perdeu a oportunidade de vingar-se daquele que invectivava seu pecado. Fez a filha pedir ao rei a cabeça de João Batista. João foi decapitado na prisão, merecendo o elogio de Jesus, por ser um homem firme e não uma cana agitada pelo vento.

Assim, a virtude que mais sobressai em João Batista, além da sua humildade e penitência, é a firmeza de caráter, tão rara hoje em dia, quando muitos pensam ser virtude o saber “dançar conforme a música”, ser uma cana que pende de acordo com o vento das opiniões, o pautar a vida pelo que dizem ou acham e não pela consciência reta, voz de Deus em nosso coração. João Batista foi fiel imitador de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, que, como disse o poeta João de Deus, “morreu para mostrar que a gente pela verdade se deve deixar matar”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


tags : João Batista, Precussor de Jesus, São João Batista Profetac, "Endireitai as veredas do Senhor", "voz do que clama no deserto"

sábado, 20 de junho de 2015

Novos Santos da Família Carmelitana - Louis Martin e Marie Zélie Guerin


Em poucos dias será anunciada a canonização dos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus

Fonte : VATICANO, 17 Jun. 15 / 03:30 pm (ACI/EWTN Noticias). 

No sábado, 27 de junho, o Papa Francisco realizará um consistório público para a canonização de quatro beatos, entre eles estão os pais de Santa Teresinha: Louis Martin e Marie Zélie Guerin.

Os outros dois beatos são: um sacerdote italiano e fundador do Instituto das Filhas do Oratório, Pe. Vincenzo Grossi, cujo milagre foi a cura de uma mulher, que ocorreu há 25 anos, na localidade de Pizzighettone, onde nasceu o presbítero.

A outra beata que será canonizada é Maria da Imaculada Conceição, religiosa, superiora geral da Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz.

O milagre dos pais da Santa Teresa

O milagre que elevará aos altares Louis Martin (nascido em Burdeos, França, em 22 de agosto de 1823, e falecido em Arnières, no dia 29 de julho de 1894) e Marie Zélie Guérin (nascida em San Saint-Denis-Sarthon, em 23 de dezembro de 1831, e falecida em Alençon, no dia 28 de agosto de 1877) tem como protagonista uma menina chamada Carmen, nascida em Valência (Espanha), no dia da Festa de Santa Teresa D’Ávila, quatro dias depois da beatificação do casal na França.

Durante a gravidez, a mãe da menina teve sérios problemas. Depois de receber muitos cuidados, Carmen nasceu com apenas seis meses de gestação e com complicações graves.

As primeiras palavras da parteira foram: “ ‘Deverão estar preparados para que aconteça o pior’. Pois o bebê nasceu com uma hemorragia ventricular de quarto grau (sangramento severo no cérebro). Começou com uma hemorragia cerebral, mas depois passou para seus pulmões, para o coração…”, recordam os pais.

Carmen não reagia diante dos tratamentos médicos, por isso, temiam sua morte. Entretanto, como a menina nasceu no dia de Santa Teresa D’Ávila, o pai decidiu pedir a intercessão de Santa Teresa pela saúde da sua filha.

Visitou um dos conventos das Carmelitas Descalças, localizado perto da cidade. Através de um intercomunicador, contou-lhes a situação do bebê e pediu que rezassem pela menina. No domingo seguinte, retornou ao convento à Missa, acompanhado pela sua esposa, pediram novamente às religiosas suas orações. Dias mais tarde, souberam que o estado de saúde da menina havia piorado e sugeriram pedir a intercessão de Louis e Zélie, pais de Santa Teresinha.

As Carmelitas pensaram que possivelmente o milagre seria obrado, como aconteceu com uma criança em Milão (Itália), que foi curada milagrosamente e, graças a esse acontecimento, o casal foi beatificado.

Finalmente, Carmen foi curada de maneira milagrosa e os diferentes médicos admitiram: “Algo extraordinário aconteceu com esta menina”.

Da mesma maneira, aqui no Brasil, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, foi aberto oficialmente o processo de beatificação do casal Zélia Pedreira Abreu Magalhães e Jerônimo de Castro Abreu Magalhães, em janeiro de 2014.

Dom Roberto Lopes, responsável pela Causa dos Santos na Arquidiocese local, declarou sobre eles: “Mostram que é possível viver a santidade no matrimônio, gerar filhos santos. O grande papel deste casal foi mostrar a beleza da família. Eles viveram os verdadeiros valores evangélicos e foram grandes catequistas e adoradores do Santíssimo Sacramento”.


Tags : canonização, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santoral Carmelitano, Santos do Carmelo

"A Ideologia do Gênero" - por D. Fernando Rifan



A IDEOLOGIA DE GÊNERO

Dom Fernando Arêas Rifan*

Retirada do Plano Nacional de Educação no ano passado, a “Ideologia de Gênero” volta à carga de modo mais sutil: querem inserir essa perniciosa ideologia nos planos municipais e estaduais de educação. O MEC instrui as secretarias de educação de todos os municípios e Estados a inserir “gênero” e “orientação sexual” nos planos de educação, como critérios para a implementação de políticas educacionais. Em muitos municípios, este processo está acontecendo sem a participação dos principais interessados, que são os pais e os educadores. A não participação da sociedade civil na escolha do modelo de educação fere o direito das famílias de definir as bases da educação que desejam oferecer a seus filhos.

As expressões “gênero” ou “orientação sexual” referem-se a uma ideologia que procura encobrir o fato de que os seres humanos se dividem em dois sexos. Segundo essa corrente ideológica, as diferenças entre homem e mulher, além das evidentes implicações anatômicas, não correspondem a uma natureza fixa, mas são resultado de uma construção social. Seguem o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, fazem-na mulher”. Assim, sob o vocábulo “gênero”, é apresentada uma nova filosofia da sexualidade. 

Negar a biologia e a psicologia é negar a ciência! A escola deve ter compromisso com a verdade, fomentando o conhecimento da realidade e não doutrinando os alunos com ideologias. O papel da educação deve ser o de fomentar o conhecimento da realidade, não a sua desconstrução, ou a neutralização das características psicológicas e biológicas dos meninos e das meninas. Devemos ensinar os nossos filhos e alunos a respeitar as pessoas, independentemente do sexo, raça, condição social, etc., mas isso não quer dizer confundi-los com uma ideologia como essa. Na verdade, os que adotam o termo gênero não estão querendo combater a discriminação, mas sim “desconstruir” a família, o matrimônio e a maternidade e, deste modo, fomentam um “estilo de vida” que incentiva todas as formas de experimentação sexual desde a mais tenra idade.

Além desses dados da ciência e da lei natural, a doutrina católica nos ensina, sobre o nosso dever em relação à própria identidade sexual: “Deus criou o ser humano, homem e mulher, com igual dignidade pessoal e inscreveu nele a vocação do amor e da comunhão. Cabe a cada um aceitar a própria identidade sexual, reconhecendo sua importância para a pessoa toda, a especificidade e a complementaridade” (Compêndio do CIC, 487). Com a ideologia de gênero, “deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27)... O homem contesta a sua própria natureza... E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem” (Bento XVI, discurso à Cúria Romana, 21/12/2012). O Papa Francisco, esta semana, falou da “beleza do matrimônio”, com a “complementaridade homem-mulher, coroação da criação de Deus que é desafiada pela ideologia do gênero” (Disc. aos Bispos porto-riquenhos, 8/6/2015).

Com a separação entre gênero e sexo, ensina-se uma nova forma de dualidade, que ameaça a dignidade humana. A perfeita unidade entre a alma e o corpo se desfaz, o corpo tendo um sexo e a alma outro. A harmonia humana é desfeita. Não se estará assim fabricando desequilibrados mentais?


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

http://domfernandorifan.blogspot.com.br/








Tags: tradição católica, doutrina da Igreja sobre a família, laicismo, erros modernos, falsa ideologia do gênero, 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Mês do Sagrado Coração - A Devoção das Primeiras Sextas Feiras



ntre as muitas e ricas promessas que Jesus Cristo fez aos que fossem devotos de seu Sagrado Coração, sempre chamou a atenção a que fez aos que comungassem em sua honra as nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos. É tal, que todos a conhecem com o nome da Grande Promessa.

A Devoção ao Coração divino de Jesus Cristo começou a ser praticada, em sua essência, já no início da Igreja, pois os Santos tiveram muito presente, ao honrar a Jesus Cristo, que tinha manifestado seu Coração, símbolo de seu amor em momentos augustos. Contudo, esta devoção, em sua forma atual, deve-se às revelações que o próprio Cristo fez a Santa Margarida Maria (1649-1690), sobretudo quando em 16 de junho de 1657, descobrindo seu Coração, disse-lhe:

"Eis aqui este Coração que amou tanto aos homens, que não omitiu nada até esgotar-se e consumir-se para manifestar-lhes seu amor, e por todo reconhecimento, não recebe da maior parte mais que ingratidão, desprezo, irreverências e tibieza que têm para mim neste sacramento de amor".

Então foi quando Jesus deu a sua servidora o encargo de que se tributasse culta a seu Coração e a missão de enriquecer ao mundo inteiro com os tesouros desta devoção santificadora. O objeto e fim desta devoção é honrar o Coração adorável de Jesus Cristo, como símbolo do amor de um Deus para nós; e a vista deste Sagrado Coração, abrasado de amor pelo homens, e ao mesmo tempo desprezado por estes, nos deve mover a amá-lo e a reparar a ingratidão de que é objeto.

Entre as práticas que compreende esta devoção, conformes com o fim da mesma, sobressai a da Comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, para conseguir além da graça da penitência final, segundo a promessa feita pelo próprio Sagrado Coração a Santa Margarida Maria, para todos os fiéis.

Eis aqui a promessa:

Uma Sexta feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras a sua devota serva:

"Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor todopoderoso concederá a todos os que comungarem nove primeiras sextas feiras do mês seguidos a graça final da penitência; não morrerão em pecado nem sem receber os sacramentos, e meu divino Coração lhe será asilo seguro naquele último momento".

O que é necessário fazer para obter esta graça:

Comungar nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos em graça de Deus, com intenção de honrar ao Sagrado Coração de Jesus.

Como pode ser feita:

Pela manhã pode ter a Comunhão geral em boa hora, e à tarde uma função mais ou menos breve e solene ao Coração de Jesus expondo ao Santíssimo, explicando ou lendo a intenção do mês, o algo sobre ela, rezando as ladainhas ou algum ato de desagravo ou de consagração. Caso de se poder fazer isto à tarde, pode ser feito tudo pela manhã na Missa de Comunhão ou na Missa vespertina se houver.

Quando não há função ou culto público ou não se pode assistir a ele, faça-o em particular o que se faz por outros em público. Para o qual se pode rezar a oração que segue adiante, e além disso as ladainhas do Coração de Jesus ou alguma consagração ao Coração de Jesus.

Fonte : Agência Católica ACI Digital

Para desagravar da melhor forma o Sacratíssimo Coração, faça a sua Confissão - clique aqui


sábado, 6 de junho de 2015

Solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo - Corpus Christi

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (RJ)

Amanhã celebraremos com toda a Igreja a solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpus Christi.
A belíssima catedral gótica de Orvieto, na Itália, que já visitei, conserva o relicário com o corporal sobre o qual caíram gotas de sangue da Hóstia Consagrada, durante a Santa Missa, celebrada em Bolsena, cidade próxima, onde vivia Santo Tomás de Aquino, que testemunhou o milagre. Estamos no século XIII. O Papa Urbano IV, que residia em Orvieto, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto, em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi (o Corpo de Cristo)”. 
O Papa prescreveu então, em 1264, que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo de Deus, sendo Santo Tomás de Aquino encarregado de compor o texto da Liturgia dessa festa. O Papa, que havia sido arcediago de Liège, na Bélgica e conhecido Santa Juliana de Mont Cornillon, atendia assim ao desejo manifestado pelo próprio Jesus a essa religiosa, pedindo uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia. Em 1247, em Liège, já havia sido realizada a primeira procissão eucarística, como festa diocesana, sendo estabelecida mundialmente pelo Papa Clemente V, que confirmou a Bula de Urbano IV. Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. 

Por que tão solene festa? Porque “a Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” (C.I.C. nn.1407, 1409 e 1414). 
“O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (C.D.C. cân. 897).

Por ser tão importante e digna da nossa honra e culto, o Papa São João Paulo II, na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, nos advertia contra os “abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento” e lastimava que se tivesse reduzido a compreensão do mistério eucarístico, despojando-o do seu aspecto de sacrifício para ressaltar só o aspecto de encontro fraterno ao redor da mesa, concluindo: 

“A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções”.


Manifestações do Sagrado Coração de Jesus


O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E 
A ESPIRITUALIDADE REPARADORA 
DO PECADO DE REVOLUÇÃO 


A abadia de Paray‑le‑Monial, local das manifestações do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, tal como hoje é praticada, apresenta em geral, de maneira saliente, as características que a marcaram a partir das revelações de Paray‑le‑Monial, em fins do século XVII.

Ela é fundamentalmente o culto que retribui o amor infinito de Cristo por nós. Salienta de maneira particular a importância da consagração inteira ao Salvador; contém ainda em si a determinação de reparar os ultrajes de que Ele é objeto por parte dos homens. Essa forma de piedade constitui um grande antídoto contra os erros e vícios dominantes nos últimos séculos. E por isso tem sido recomendada por numerosos Papas.

Embora essa devoção seja hoje, infelizmente, bastante incompreendida — chegando por vezes até a ser desprezada por muitos dos que se consideram católicos atualizados —, seu efeito restaurador da virtude, nas almas dominadas pelos vícios mais presentes em nossos dias, a faz especialmente necessária. Neste sentido, não poderia ter maior atualidade, nem ser mais sadiamente moderna.

O fim da era medieval produziu importantes modificações na espiritualidade católica

Em suas manifestações em Paray‑le‑Monial não será mais o Cristo triunfante, glorioso e vencedor, da piedade medieval, que se apresentará aos fiéis para ser venerado. Nem pareceria ser o mais adequado. A heresia e o espírito de revolta haviam feito pavorosas devastações na Cristandade. A influência de Cristo nas almas diminuíra. Nos Tempos Modernos, Nosso Senhor se apresenta a uma sociedade paganizada, que o está recusando.

Uma foi a atmosfera pura que circundava as janelas do mosteiro beneditino de Helfta, onde viveram durante a Idade Média santa Gertrudes e santa Matilde; bem outro era o ambiente que cercava o mosteiro visitandino de Paray‑le‑Monial. O ar estava contaminado pelos germes da Renascença, do Humanismo, da Pseudo‑Reforma e do jansenismo. O Protestantismo cobria grande parte da Europa, e o espírito da Enciclopédia estava latente em muitos corações.

O teólogo e historiador pe. L. Garriguet faz o seguinte paralelo entre os dois ciclos de devoção ao Sagrado Coração:

"O Sagrado Coração que as virgens de Helfta [santa Gertrudes e santa Matilde] percebem nas suas piedosas horas de contemplação é um Sagrado Coração triunfante. Elas o vêem glorioso e vencedor. Alguns séculos mais tarde, a virgem de Paray [santa Margarida Maria Alacoque], à qual elas prepararam as vias, vê‑lo-á sobretudo menosprezado, abandonado, ofendido, coberto de ingratidões e de ultrajes, alvo do abandono, das friezas e do desdém dos homens."

Pondo em relevo a importância capital das práticas de reparação e de desagravo na devoção segundo Paray‑le‑Monial, conclui o pe. Garriguet: 

"Em Paray, o amor e o louvor estarão tingidos de tristeza, revestirão a forma da reparação e do desagravo."
Entre os dois ciclos de revelações do Sagrado Coração parece ter sido cometido um pecado imenso.

Esse imenso pecado não determinaria a mudança de enfoque da devoção?

Esse pecado imenso, como veremos adiante, é o pecado de Revolução, o processo de paganização dos costumes e laicização da vida pública, que explodiu com o Humanismo e a Renascença e provocou a ruptura da unidade católica, com o Protestantismo. E os devotos do Sagrado Coração, veremos adiante, precisam reparar de forma especial as devastações causadas pelo espírito da Revolução, e consolar especialmente o Coração Divino, com orações e boas obras para extirpar das almas os efeitos desta apostasia.

A missão de santa Margarida Maria Alacoque

Quando santa Margarida Maria Alacoque nasceu, em 1647, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus espalhava‑se pouco a pouco. Sua missão foi a de fazê‑la melhor conhecida, dar‑lhe um novo fim impulso, podemos dizer universal, precisar seu espírito, adaptando‑o às necessidades da Igreja nos Tempos Modernos, e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias.

E ela foi uma simples monja de clausura, que nunca transpôs os muros de seu convento, morrendo antes dos 45 anos, em 1690. Hoje, o quadro é inteiramente diverso. A então apagada religiosa foi alçada ao ápice da glória na Igreja militante, enquanto que a imensa maioria dos homens famosos e importantes da época em que viveu é desconhecida da maior parte de nossos contemporâneos.

A devoção ao Sagrado Coração, que antes havia sido sobretudo mística, com pequenos ensaios no terreno da ascética católica, neste último entrou de cheio e generalizou‑se. Antes quase um privilégio de almas muito eleitas, que iam a Deus por caminhos extraordinários, tornou‑se acessível a todos, e foi compendiada num conjunto de exercícios de piedade.

Para tornar ainda mais fácil a assimilação dessa devoção, o Salvador divino ofereceu também um modelo: santa Margarida Maria Alacoque, a "discípula bem‑amada de meu Sagrado Coração" — como a chamou Jesus. Sua espiritualidade irá marcar essa devoção.

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NOTA DE SACRALIDADE:

[1] Considera-se que o pecado de Revolução — gravíssima ruptura em relação aos ensinamentos da Santa Igreja, à ordenação sacral da civilização cristã e à própria ordem interior humana no plano natural e sobrenatural — provocou uma situação que somente estará completamente remediada e sanada com o advento de uma nova fase da História da Igreja, que São Luís Griginon de Montfort profeticamente denominou Reino de Maria. Em Paray-le-Monial Nosso Senhor repetiu muitas vezes a Santa Margarida Maria: "Eu reinarei". E em Fátima, na aparição de 13 de julho de 1917, Nossa Senhora proclamou: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará".

Enquanto não se dá essa vitória, os católicos devem levar em conta — seja em sua própria vida espiritual, seja no trabalho de apostolado ou evangelização — a necessidade de um constante combate contra a Revolução que se apresenta em toda a parte e das mais variadas formas. Por exemplo, as inúmeras modalidades de revolução sexual promovida pelo marxismo cultural gramsciano e marcusiano.

Do jornalista católico ao operário que trabalha numa fábrica, da médica que atende num pronto-socorro à mãe de família que cuida da prole no lar, nas mais variadas condições pessoais e situações, os devotos do Sagrado Coração de Jesus e de Maria podem e devem fazer atos de reparação e desagravo. A graça inspira a prece que brota do coração e é agradável a Deus Nosso Senhor. Diante de uma moda imoral que muito ofende o Sagrado Coração, podem fazer um singelo ato de desagravo e reparação. Por exemplo, algo assim:

Dulcíssimo Jesus, fostes ofendido nesta circunstância concreta. Recebei, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, este ato de desagravo que vos ofereço. Mas reconheço que também cometo infidelidades e ainda conservo alguma medida de adesão ao pecado de Revolução. Por isso vos peço a graça de mudar de mentalidade e de atitudes. Dai-me um coração sacral semelhante ao vosso.

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* Reprodução parcial do Capítulo 4 do livro O Sagrado Coração de Jesus — esperança, solução e consolo para cada um de nós. André Sá. São Paulo: Petrus Editora, 2008, pp. 29-32.

Sacralidade agradece a gentil autorização dada pelo Autor para a reprodução deste capítulo, e recomenda aos leitores a aquisição da valiosa obra.

fonte 
http://www.sacralidade.com

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