Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

20 de Fevereiro, 2016 - Beatos Francisco e Jacinta, videntes da Virgem de Fátima



“Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão ao inferno porque não há quem se sacrifique e peça por elas”, foi o pediu a Virgem de Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. E, neste dia 20 de fevereiro, a Igreja recorda a memória de dois desses videntes, os Beatos Francisco e Jacinta.

Francisco nasceu em 1908 e Jacinta, dois anos depois. Desde pequenos aprenderam a tomar cuidado com as más companhias e, por isso, preferiam estar com sua prima Lúcia, que costumava lhes falar sobre Jesus. Os três cuidavam das ovelhas, brincavam e rezavam juntos.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem lhes apareceu em várias ocasiões na Cova de Iria (Portugal). Durante estes ocorridos, suportaram com valentia as calúnias, injúrias, más interpretações, perseguições e a prisão. Eles diziam: “Se nos matarem, não importa; vamos ao céu”.

Logo depois das aparições, Jacinta e Francisco seguiram sua vida normal. Lúcia foi para a escola, tal como pediu a Virgem, e era acompanhada por Jacinta e Francisco. No caminho, passavam pela Igreja e saudavam Jesus Eucarístico.

Francisco, sabendo que não viveria muito tempo, dizia a Lúcia: “Não vocês ao colégio, eu ficarei aqui com o Jesus Escondido”. À saída do colégio, as meninas o encontravam o mais perto possível do Tabernáculo e em recolhimento.

O pequeno Francisco era o mais contemplativo e queria consolar a Deus, tão ofendido pelos pecados da humanidade. Em uma ocasião, Lúcia lhe perguntou: “Francisco, o que prefere, consolar o Senhor ou converter os pecadores?”. Ele respondeu: “Eu prefiro consolar o Senhor”.




“Não viu que triste estava Nossa Senhora quando nos disse que os homens não devem ofender mais o Senhor, que já está tão ofendido? Eu gostaria de consolar o Senhor e, depois, converter os pecadores para que eles não ofendam mais ao Senhor”. E continuou: “Logo estarei no céu. E quando chegar, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora”.

Jacinta participava diariamente da Santa Missa e tinha grande desejo de receber a Comunhão em reparação dos pobres pecadores. Atraía-lhe muito estar com Jesus Sacramentado. “Quanto amo estar aqui, é tanto o que lhe tenho que dizer a Jesus”, repetia.

Certo dia, pouco depois da quarta aparição, Jacinta encontrou uma corda e concordaram reparti-la em três e colocá-la na cintura, sobre a carne, como sacrifício. Isto os fazia sofrer muito, contaria Lúcia depois. A Virgem lhes disse que Jesus estava muito contente com seus sacrifícios, mas que não queria que dormissem com a corda. Assim o fizeram.

A Jacinta, concedeu-lhe a visão de ver os sofrimentos do Sumo Pontífice. “Eu o vi em uma casa muito grande, ajoelhado, com o rosto entre as mãos, e chorava. Fora, havia muita gente; alguns atiravam pedras, outros diziam imprecações e palavrões”, contou ela.

Por isso e outros feitos, as crianças tinham presente o Santo Padre e ofereciam três Ave Maria por ele depois de cada Rosário. Do mesmo modo, as famílias iam a eles para que intercedessem por seus problemas.

Em uma ocasião, uma mãe rogou a Jacinta que pedisse por seu filho que se foi como o filho pródigo. Dias depois, o jovem retornou para casa, pediu perdão e contou a sua família que depois de ter gasto tudo o que tinha, roubado e estado no cárcere, fugiu a uns bosques desconhecidos.

Quando se achou completamente perdido, ajoelhou-se chorando e rezou. Nisso, viu Jacinta que o pegou pela mão e o conduziu até um caminho. Assim, pôde retornar para casa. Logo interrogaram Jacinta se tinha se encontrado com o moço e ela disse que não, mas que sim tinha rogado muito à Virgem por ele.

Em 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram de uma terrível epidemia de bronco-pneumonia. Francisco foi piorando pouco a pouco durante os meses posteriores. Pediu para receber a Primeira Comunhão e, para isso, confessou-se e guardou jejum. Recebeu-a com grande lucidez e piedade. Depois, pediu perdão a todos.

“Eu vou ao Paraíso; mas de lá pedirei muito a Jesus e à Virgem para que lhes leve também logo lá em cima”, disse para Lúcia e Jacinta. No dia seguinte, em 4 de abril de 1919, partiu para a casa do Pai com um sorriso angelical.

Jacinta sofreu muito pela morte de seu irmão. Mais tarde, sua enfermidade se complicou. Foi levada ao hospital da Vila Nova, mas retornou para casa com uma chaga no peito. Logo confiaria a sua prima: “Sofro muito; mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para desagravar o Coração Imaculado da Maria”.

Antes de ser levada ao hospital de Lisboa disse a Lúcia: “Já falta pouco para ir ao céu… Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração da Maria, que peçam a paz ao Imaculado Coração, que Deus a confiou a Ela”.

Operaram Jacinta, tiraram-lhe duas costelas do lado esquerdo e ficou uma grande chaga como de uma mão. As dores eram espantosas, mas ela invocava a Virgem e oferecia suas dores pela conversão dos pecadores.

Em 20 de fevereiro de 1920, pediu os últimos sacramentos, confessou-se e rogou que a levassem o Viático porque logo morreria. Pouco depois, partiu para a Casa do Pai com dez anos de idade.

Os corpos do Francisco e Jacinta foram transladados ao Santuário de Fátima. Quando abriram o sepulcro de Francisco, viram que o Rosário que lhe colocaram sobre seu peito estava envolvido entre os dedos de suas mãos. Enquanto o corpo de Jacinta, 15 anos depois de sua morte, estava incorrupto.

No dia 13 de maio de 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima, e do ‘Altar do Mundo’ beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não-mártires.

fonte : ACI Digital



Mais Artigos Relacionados




www.acidigital.com/Maria/fatima/
Ratzinger Terceira parte do segredo, revelado no dia 13 de julho de 1917 aos três pastorzinhos em Fátima e transcrito pela Irmã Lúcia em 3 de janeiro de 1944 .
www.acidigital.com/.../santuario-de-fatima-e-reaberto-apos-um-ano-e-meio- de-obras-14085/
3 fev. 2016 ... Após um ano e meio de restauração, o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, foi reaberto na terça-feira, 2. “Hoje ...
www.acidigital.com/.../santuario-de-fatima-acolhera-pela-primeira-vez- congresso-eucaristico-nacional-96465/
29 jan. 2016 ... Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia”, com este tema, o Santuário de Fátima, em Portugal, acolherá o IV Congresso Eucarístico Nacional, ...
www.acidigital.com/.../fatima-fase-diocesana-do-processo-de-beatificacao-de- ir-lucia-sera-concluida-neste-ano-28463/
14 jan. 2016 ... A instrução do processo de beatificação de irmã Lúcia de Jesus, uma das três videntes de Fátima, está na fase diocesana e deverá terminar ...
www.acidigital.com/.../cientistas-confirmam-autenticidade-do-manuscrito-do- terceiro-segredo-da-fatima-86018/
Análise do manuscrito da terceira parte do segredo de Fátima, no Arquivo da Congregação para a Doutrina da Fé. Foto: Fatima.pt. Facebook Twitter Google+  ...
www.acidigital.com/noticias_tags.php?tag_id=2663
A instrução do processo de beatificação de irmã Lúcia de Jesus, uma das três videntes de Fátima, está na fase diocesana e deverá terminar até ao final deste ...
www.acidigital.com/noticias_tags.php?tag_id=2444
03/02/2016 - 12:00 pm .- Após um ano e meio de restauração, o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, foi reaberto na terça-feira, 2.
www.acidigital.com/noticias_tags.php?tag_id=831
03/02/2016 - 12:00 pm .- Após um ano e meio de restauração, o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, foi reaberto na terça-feira, 2.




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Visitar os Doentes - Por Dom Fernando Arêas Rifan



Dom Fernando Arêas Rifan*


Visitar os enfermos é uma das obras de misericórdia corporal, assim como consolar os aflitos é umas das obras de misericórdia espiritual. Ambas são inseparáveis.

Nesse mês, exatamente no dia 11, ocorreu a XXIV Jornada Mundial do Doente, que coincidiu com a festa de Nossa Senhora de Lourdes, porque ali afluem milhares de enfermos de todos os países e continentes para pedir a cura e a consolação, pela intercessão de Nossa Senhora, que a muitos tem curado e a todos consolado. Além dos milagres de cura corporal, ali acontecem conversões de milhares de pecadores, a cura da alma e o consolo das aflições.

Em sua mensagem para essa jornada, o Papa Francisco nos convida a meditar “a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido –Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: ‘Fazei o que Ele vos disser’ – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia

“A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: por que havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido... Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo que estamos vivendo; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue pela Mãe, Maria, perita deste caminho”.

“O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos, as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na alegria do povo comum, e contribui para aumenta-la; intercede junto de seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança, fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo bendiz a Deus ‘o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus’ (2 Cor 1, 3-5). Maria é a Mãe ‘consolada’, que consola os seus filhos”.

*Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney


Oração para todos os doentes
 Senhor, Vós que miraculosamente operastes tantas curas, olhai com amor os enfermos do mundo inteiro. Permiti-nos que Vos apresentemos esses doentes, como outrora eram apresentados aqueles que, necessitados, solicitavam o Vosso auxílio quando vivíeis nesta terra. / Eis aqueles que desde muito tempo são provados pela doença e não vêem o fim de sua provação. / Eis os que subitamente ficaram paralisados pela enfermidade e tiveram que renunciar às suas atividades e ao seu trabalho. / Eis os que têm encargos de família e não conseguem mais responder por eles, por causa de seu estado de saúde. / Eis os que sofrem em seu corpo ou em sua alma de alguma doença que os entristece. / Eis os deprimidos pesadamente por seus desgastes de saúde e cuja coragem precisa ser reerguida. / Eis os que não têm nenhuma esperança de cura, e que sentem declinar suas forças. / Eis todos os doentes que amais, todos os que reclamam o Vosso apoio e a melhora de seu estado. / Eis todos aqueles cujos corpos feridos se tornam semelhantes ao Vosso corpo imolado sobre a cruz. / Senhor, confortai com Vossa graça todos esses doentes. Fazei que nenhum deles fique sem nossa visita, sem nosso amparo, sem nossa palavra de conforto. / Senhor, quando nós formos provados pela doença, fazei que saibamos unir nossas dores à Vossa cruz. / Senhor, fazei-nos lutar para terminar com os sofrimentos causados pela injustiça e pela maldade dos homens. Amém !

Rezar 1 Credo, 1 Pai-Nosso, 1 Ave Maria e 1 Glória ao Pai

Cinzas dsa Misericórdia - Por D. Fernando Arêas Rifan




Dom Fernando Arêas Rifan*

Quarta-feira de Cinzas - começa o importante tempo litúrgico da Quaresma, no qual a Igreja almeja que nos unamos mais intimamente ao Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, mistério que inclui sua Paixão, sua morte e sua gloriosa Ressurreição. 

Neste Ano Santo da Misericórdia, o Papa Francisco, em sua mensagem para esta Quaresma, toma como modelo Nossa Senhora, “Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada. Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou”.

E o Papa nos pede que “a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa ‘24 horas para o Senhor’, quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio”.

A História da Salvação é a história da Misericórdia de Deus para com o seu povo: “O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo”.

E tudo se resume e engloba na Encarnação do Verbo: “Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada. Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: 

Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças’ (Dt 6, 4-5)”.


“Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar...”

*Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Domingo da Quinquagésima - 07 de Fevereiro de 2016 - "Que queres que te faça? - Senhor, que eu veja."

HOMILIA DOMINICAL - DOMINGO DA QUINQUAGÉSIMA

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 13, 1-13. 

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 31-43:

Naquele tempo, tomou Jesus consigo os doze, e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que os Profetas escreveram acerca do Filho do homem. Porque aos gentios há de ser entregue, e será escarnecido, açoitado, e cuspido; e havendo-O açoitado, matá-Lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. Eles nada entenderam, pois esse discurso era para eles obscuro; e não entendiam o que lhes dizia. E aconteceu que, chegando Ele perto de Jericó, estava um cego sentado junto ao caminho, a mendigar. E ouvindo muita gente passar, perguntou que era aquilo. Disseram-lhe que passava Jesus Nazareno. Ele clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim. E os que iam adiante o repreendiam, para que se calasse. Ele, porém, cada vez mais clamava: Filho de Davi, tende piedade de mim. Jesus parou e mandou que o trouxessem à sua presença. E, quando ele se aproximou, interrogou-o com estas palavras: Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te salvou. E logo o cego viu, e O foi seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, rendeu louvores a Deus".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Quantos maus cristãos renovam nestes dias de carnaval o deicídio do povo judeu! São Paulo diz que muitos crucificam Jesus de novo em si mesmos. Para reconduzir esses pobres desvairados a melhores sentimentos, para os desviar de tais orgias, excessos, e para os impelir à penitência, é que a Igreja, como boa Mãe, lhes apresenta o quadro abreviado das dores e dos tormentos do Homem-Deus, de que eles são a causa; e acrescenta a narração da cura do cego, a fim de os impelir a suplicarem, do mesmo modo, a cura da sua cegueira espiritual. Oxalá todos a ouçam e a regozijem com a sua docilidade. 

Felizes os cristãos que nestes dias fazem o Santo Retiro! É na solidão e no recolhimento interior que devemos meditar e saborear a Paixão. "Nada me encanta tanto, dizia São Francisco de Assis, como a lembrança da Paixão do Salvador; e, mesmo que eu vivesse até ao fim do mundo, não teria necessidade de outra leitura". 

O anúncio da Paixão é também uma dupla prova da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo: mostra que Ele sabia antecipadamente todos os tormentos e todas ignomínias da sua Paixão, e que ia ao encontro dela por sua livre vontade; depois, deixava claro que vinha cumprir as profecias, e principalmente as de Davi (Salmos XV e XXI), e também as de Isaías (L, 6 e LIII).

Notemos que Jesus Cristo prediz também a sua Ressurreição. Esta profecia era como um raio de luz destinado a temperar a dor dos Apóstolos e a fortalecê-los. Diz Santo Agostinho que Jesus quis mostrar-nos com a sua Paixão, o que temos de sofrer por amor da verdade; e, com a sua Ressurreição, fez-nos ver o que devemos esperar na vida eterna. 

Mas, infelizmente, quantos cristãos à semelhança dos Apóstolos, não compreendem nada das dores e da cruz de Jesus Cristo! As palavras de penitência, de mortificação, de renúncia causam-lhes perturbações e espanto. Lembremo-nos das palavras de São Paulo: "Se sofrermos com Jesus, seremos também glorificados com Ele". Diz Santo Agostinho: "Toda vida do cristão sobre a terra, se vive segundo o Evangelho, é uma cruz contínua". 




Caríssimos, passemos para a outra parte bem distinta do santo Evangelho de hoje: a cura do cego de Jericó. 

Um cego sentado à beira do caminho, a mendigar: é a figura dos pecadores que, cegos pelas suas faltas, já não veem a fealdade do mal nem a beleza do bem; que estão despojados de toda a riqueza espiritual, reduzidos à pobreza mais extrema , e privados da amizade de Deus; que mendigam os prazeres e os bens tão enganadores do mundo, especialmente nestes dias de mais pecado, que é o carnaval; estão sentados miseravelmente à borda do grande caminho da perdição e da morte eterna, e não pensam em erguer-se nem em converter-se. Se a graça de Jesus Cristo não viesse procurá-los, ali permaneceriam até à morte.

O cego, uma vez curado, seguiu a Jesus. Seguir a Jesus é amá-Lo de todo o nosso coração, é prender-nos a Ele irrevogavelmente; é amar o próximo por Deus e procurar fazer-lhe todo o bem; é imitar Jesus em tudo, e conformar o nosso procedimento pelo seu; é observar os seus preceitos e os da sua Igreja, é reproduzir em nós a sua vida e as suas virtudes. 


Fazei, Senhor, que Vos sigamos sempre assim, durante a nossa vida aqui na terra, a fim de que mereçamos ver-Vos, possuir-Vos e amar-Vos para sempre no Reino da Vossa Glória. Amém!




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Festa da Purificação (Nossa Senhora das Candeias) - 02 de Fevereiro de 2016


“Luz para iluminar as nações.”

Celebramos hoje uma grande festa. A festa da Purificação de Nossa Senhora, festa também conhecida como Nossa Senhora da Candelária ou das Candeias, justamente pela procissão com velas que se realiza durante esse dia. Nesse dia, celebramos a purificação de Nossa Senhora no Templo e a Apresentação do Menino Jesus no Templo, em cumprimento da Lei Mosaica. Segundo a Lei, a mulher que tinha dado à luz contraía uma impureza legal, que deveria ser tirada com a oferta de um sacrifício no Templo. Segundo a Lei, o primogênito deveria ser apresentado no Templo, e consagrado inteiramente ao serviço de Deus, para demonstrar o soberano domínio de Deus sobre os homens e também em ação de graças pelos primogênitos judeus poupados, quando os primogênitos dos egípcios foram exterminados, a fim de que o povo judeu pudesse se livrar da escravidão. Todavia, depois que a tribo de Levi foi designada para servir no culto divino, os primogênitos deviam ser resgatados pelo valor simbólico de 5 ciclos.


Evidentemente, Nossa Senhora e o Menino Jesus não estavam obrigados a seguir a Lei nesses pontos. Vejamos porque Nossa Senhora não precisava de purificação. Para isso, devemos entender o que era a impureza legal e o que significava a impureza legal contraída no parto.

A impureza legal não era uma impureza moral. A impureza legal não era, portanto, um pecado. A impureza legal era algo puramente exterior e tinha por objetivo lembrar a existência do pecado, a fim de evitá-lo ou a fim de remediá-lo, se já havia sido cometido. As diversas impurezas legais figuravam os diversos pecados. Assim, por exemplo, a impureza contraída pelo contato com um cadáver avivava a verdade de que o pecado é a morte da alma. A impureza legal tinha como consequência o fato de que a pessoa não podia tocar nas coisas sagradas nem entrar no santuário até ter cumprido o rito de purificação, significando que o pecado separa de Deus e impede a entrada no céu.

A impureza legal da mãe era contraída quando essa concebia com a cooperação de um homem e simbolizava a impureza do pecado original com que a criança nascia. Durante 40 dias, se fosse menino, ou 80, se fosse menina, a mãe não podia tocar nas coisas santas nem entrar no Santuário. Como dissemos, Maria não estava sujeita à impureza legal advinda do parto. Primeiramente, ela concebeu do Espírito Santo e não de um homem. Segundo, ela não possuía qualquer pecado que pudesse ser figurado pela impureza legal. Ela foi concebida sem o pecado original e continuou intacta durante toda a sua vida, esmagando perfeitamente a cabeça da serpente, do demônio. Terceiro, Nossa Senhora deu à luz a Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, que não podia ter pecado original e nenhum outro tipo de pecado.

A prova cabal de que Nossa Senhora não precisava da purificação está no fato de que, durante os quarenta dias que antecederam sua ida ao Templo, ela cuidou do Menino Deus, alimentando-o, vestindo-o, prestando todo o cuidado que uma mãe deve prestar para com o seu filho. Ora, acabamos de dizer que a impureza legal não permitia que se tocasse em coisas santas ou que se entrasse no Templo. Nossa Senhora, porém, toca naquilo que pode haver de mais santo, que é o Corpo de Deus feito homem. Ela tem contato com o Templo do Novo Testamento, que é o Corpo de Cristo, e que é infinitamente mais santo que o Templo de pedra. Somo obrigados a concluir que o pecado está tão longe de Nossa Senhora, que ela não possui, aqui, nem mesmo uma impureza legal. Nossa Senhora é nosso exemplo de ódio ao pecado e de amor a Deus e ao próximo.

Também o Menino Deus não precisava ser apresentado no Templo para ser consagrado a Deus, como dissemos no Domingo dentro da Oitava do Natal. Cristo não apenas pertencia inteiramente a Deus desde o momento de sua concepção no seio virginal de Maria Santíssima, como é o próprio Deus. Além disso, é evidente que Cristo não precisava ser resgatado. Quem nos resgata e nos redime é Ele. Não pode ser resgatado o que resgata. Não obstante, Nossa Senhora e o Menino Jesus observaram perfeitamente a lei pelos motivos já mencionados em sermão anterior: mostrar que a lei de Moisés era boa, impedir as calúnias dos judeus, nos livrar do jugo pesado da lei mosaica, consumá-la e dar exemplo de obediência perfeita.

Há nessa purificação, porém, alguns outros ensinamentos que Nossa Boa Mãe, Maria, quer nos dar. Nossa Senhora vai ao Templo consagrar o Menino Jesus a Deus. Como todas as mulheres israelitas, ela resgata a criança pagando o valor estabelecido. Todavia, se para a maioria das mulheres o oferecimento do filho a Deus é simbólico, para Nossa Senhora ele é bem real. Simbólico, para Maria, é o resgate. Nossa Senhora sabia perfeitamente quem era seu Filho, ela conhecia perfeitamente as profecias. Ela sabia que Cristo veio ao mundo para fazer a vontade de Deus, que Ele veio para se ocupar exclusivamente das coisas de Deus. Ela vai, então, ao Templo apresentar seu Filho para manifestar a sua total conformidade com a Missão dEle e para associar-se a essa Missão, consentindo no oferecimento que seu Filho fará de si mesmo anos mais tarde. Ela age para a maior glória de Deus e para o bem de nossas almas.

O que ela recebe em troca? Uma espada em seu Coração Imaculado. Nossa Senhora entrega inteiramente o Menino Jesus a Deus. Ela entrega seu maior tesouro, abandonando-se à vontade divina. E nós? Nós queremos guardar o pecado. Nós queremos guardar as nossas vãs ocupações. 




Nossa Senhora não teme, para servir à Santíssima Trindade, perder prematuramente a companhia de seu Filho, que é Deus. Nós, para servir à Santíssima Trindade, nós queremos guardar nossas más inclinações, nossas negligências, nossos pecados. Nossa Senhora oferece seu Filho e recebe a espada. Nós oferecemos migalhas e queremos as alegrias e a felicidade desse mundo. 


Nossa Senhora nos ensina a amar a Deus, oferecendo-lhe aquilo que tem de mais precioso e ela nos ensina a sofrer. Eis o exemplo que devemos seguir: amar, entregando a Deus tudo o que somos e tudo o que possuímos, decidindo de uma vez por todas converter-nos inteiramente a Deus. Eis o exemplo que devemos seguir: sofrer por Ele, para expiar por nossos pecados, para provar nosso amor a Deus. Sofrer porque o bem que amamos – Deus – é odiado por muitos. Mas sofrer com alegria profunda e com serenidade, sem se preocupar com o mundo, inimigo de Jesus Cristo e de sua Igreja.

Não há outro caminho: para salvar-se é preciso amar a Deus, cumprindo seus mandamentos, convertendo-se inteiramente a Ele. Para salvar-se, é preciso sofrer e sofrer bem, unindo-se à Cruz de Cristo e à espada de Maria.

Devemos poder cantar com o velho Simeão em cada momento de nossas vidas: “Agora, Senhor, podes deixar partir o teu servo porque os meus olhos viram a tua salvação.” Não amanhã, nem daqui a pouco. Agora, caros católicos. É agora que devo estar preparado para ver Deus. Só podemos ousar dizê-lo junto com Simeão, se entregamos a Deus aquilo que temos de mais precioso – todo o nosso ser – e não só migalhas. Deus não quer migalhas. As migalhas não nos levarão para o céu. É preciso amar e sofrer, como nos mostra Nossa Senhora. É preciso entregar tudo, tudo, sem exceção – nossa inteligência, nossa vontade, nossa saúde, nossos bens, nossas ações – é preciso entregar tudo a Deus pelas mãos de Nossa Senhora. É preciso que nos convertamos definitivamente. Busquemos a confissão, resolutos de mudar radicalmente de vida. Recorramos à Maria, para ter essa firmeza de nos converter definitivamente a Deus, sem olhar para trás, sem pensar no que deixamos para servi-lo. Recorramos à Maria, a fim de que possamos carregar em nossa alma a luz que ilumina as nações. Carregamos durante a procissão a vela, a luz. Essa vela, essa luz, é Cristo. É preciso carregá-lO, é preciso confessá-lO publicamente, é preciso guardá-lO ardendo em nossas almas. Só poderemos fazê-lo com o auxílio de Maria. Cristo quis vir ao mundo por Maria, Ele quer transmitir seus infinitos méritos por meio de Maria, Ele quer que cheguemos ao céu pelo mesmo caminho que usou para descer até nós: por Maria. Ele poderia ter feito de outro modo, mas quis fazê-lo por Maria. E para nós é um grande bem contar com uma protetora que oferece seu próprio Filho – homem e Deus – para nos salvar. Ela oferece seu Filho para nos salvar… Seu Sacrifício na Cruz se renovará dentro de instantes sobre o altar… Ela ofereceu seu Filho para nos salvar… Cristo ofereceu-se a si mesmo para nos salvar. E nós, o que nós entregamos a Deus para nos salvar? Migalhas? Ou tudo o que somos e possuímos?

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.



Sermão para a Festa da Purificação de Nossa Senhora
02 de fevereiro de 2013 – Padre Daniel Pinheiro
http://missatridentinaembrasilia.org

Pedidos de Oração