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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Meditação - Terceiro Mistério Doloroso - Jesus é Coroado de Espinhos




Jesus é coroado de espinhos e escarnecido pelos soldados


urante a flagelação falou Pilatos ainda várias vezes ao povo, que uma vez até gritou: “Ele deve morrer, ainda que todos nós também pereçamos”. Quando Jesus foi conduzindo ao corpo da guarda, para ser coroado de espinhos, ainda gritaram: “Morra! Morra!” pois chegavam cada vez novas turbas de judeus, que pelos emissários dos sumos sacerdotes eram incitados a gritar assim.

Houve depois uma curta pausa. Pilatos deu ordens aos soldados. Os sumos sacerdotes e os conselheiros, que estavam sentados em bancos, de ambos os lados da rua, à sombra das árvores ou sob lonas estendidas, diante do terraço de Pilatos, mandarem os criados trazer alimentos e bebida. Vi também Pilatos de novo perturbado pela superstição; retirou-se sozinho, para oferecer incenso aos deuses e por certos sinais descobrir-lhes a vontade.

Vi que depois da flagelação a SS. Virgem e as amigas, tendo enxugado o sangue de Jesus, se afastaram do fórum. Vi-as com os panos ensangüentados, numa pequena casa encostada a um muro; não era longe do fórum; não me lembro mais de quem era. Não me recordo de ter visto João durante a flagelação.


Jesus foi coroado de espinhos e escarnecido no pátio interior do corpo da guarda, construído sobre os cárceres, ao lado do fórum. Esse pátio era cercado de colunas e todas as entradas tinham sido abertas. Havia ali cerca de cinqüenta miseráveis patifes, sequazes dos soldados, servos dos carcereiros, soldados e auxiliares dos carrascos, escravos e os criminosos que flagelaram Nosso Senhor; esses todos tomaram parte ativa nas crueldades praticadas em Jesus. No começo o povo tentou entrar, mas pouco depois cercaram mil soldados romanos o edifício. Permaneciam nas fileiras, mas com as zombarias e risos provocavam ainda o cruel exibicionismo dos carrascos para redobrarem as torturas de Jesus, animando-os com as risadas, como o aplauso anima os atores no palco.

Rolaram para o meio do pátio o pedestal de uma velha coluna, no qual havia um buraco, que talvez tivesse servido para nele ajustar a coluna. Nesse pedestal colocaram um escabelo redondo e baixo, que por detrás tinha uma espécie de cabo, para o manejar; por maldade cobriram o escabelo de pedregulho agudo e cacos de louça.

Arrancaram de novo toda a roupa do corpo ferido de Jesus e impuseram-Lhe um manto de soldado, curto, vermelho, velho e já roto, que nem lhe chegava até os joelhos. Pendiam dele ainda alguns restos de borlas amarelas; jazia num canto do quarto dos verdugos, que costumavam impô-lo aos que tinham açoitado, seja para enxugar-lhes o sangue, seja para escarnecê-los. Arrastaram a Jesus para a coluna e empurraram-nO brutalmente, com o corpo despido e ferido, sobre o escabelo coberto de pedras e cacos.


Depois lhe puseram a coroa de espinhos na cabeça. Essa tinha dois palmos de altura, era muito espessa e trançada com arte; em cima tinha uma borda um pouco saliente. Puseram-Lha em redor da fronte, como uma ligadura e ataram-na atrás com muita força, de modo que formavam uma coroa ou um chapéu. Era artisticamente trançada de três varas de espinheiro, da grossura de um dedo, que tinham crescido alto, através dos espessos arbustos. Os espinhos, pela maior parte, foram propositalmente virados para dentro. Pertenciam a três diferentes espécies de espinheiros, que tinham alguma semelhança com a nossa cambroeira, o abrunheiro e espinheiro branco. Em cima tinham acrescentado uma borda, trançada de um espinheiro semelhante à nossa sarça silvestre e pela qual pegavam e puxavam brutalmente a coroa. Vi o lugar onde os meninos foram buscar esses espinhos.

Puseram-Lhe também na mão um grosso caniço, com um tufo na ponta. Fizeram tudo isso com solenidade derrisória, como se O coroassem de fato rei. Tiravam-lhe o caniço da mão e batiam com tanta força a coroa, que os olhos de Nosso Senhor se enchiam de sangue. Curvavam os joelhos diante dEle, mostravam-Lhe a língua, batiam e cuspiam-Lhe no rosto, gritando: “Salve, rei dos judeus!” Depois, entre gargalhadas, fizeram-nO cair no chão, junto com o escabelo e tornaram a colocá-Lo sobre ele aos empurrões.


Não posso relatar todas as torturas e ultrajes que os carrascos inventaram, para escarnecer o pobre Salvador. Ai! Jesus sofreu horrível sede; pois em conseqüência das feridas, causadas pela desumana flagelação, estava com febre e tremia; a pele e os músculos dos lados estavam dilacerados o deixavam entrever as costelas em vários lugares; a língua contraíra-se-Lhe espasmodicamente; somente o sangue sagrado que lhe corria da fronte, compadecia-se da boca ardente, que se abria ansiosa. Mas aqueles homens horríveis tomaram-Lhe a boca divina por alvo dos nojentos escarros. Jesus foi assim maltratado por cerca de meia hora e a tropa, cujas fileiras cercavam o pretório, aplaudia com gritos e gargalhadas.



Ecce Homo

Reconduziram então Jesus ao palácio de Pilatos, a coroa de espinhos sobre a cabeça, o caniço nas mãos amarradas, coberto do manto vermelho. Jesus estava desfigurado, pelos sangue que Lhe enchia os olhos e Lhe escorria na boca e sobre a barba. O corpo, coberto de pisaduras e feridas, parecia-se-Lhe com um pano ensopado de sangue. Andava curvado e cambaleando; o manto era tão curto, que Jesus precisava curvar-se, para cobrir a nudez, porque Lhe tinham arrancado toda a roupa, no ato da coroação de espinhos.

Quando o pobre Jesus chegou ao primeiro degrau da escada, diante de Pilatos, até esse homem cruel estremeceu de horror e compaixão. Apoiou-se a um dos oficiais e como o povo e os sacerdotes ainda gritassem e insultassem, exclamou: “Se o demônio dos judeus é tão cruel, então não deve ser bom morar com ele no inferno”. Quando Jesus foi puxado penosamente, escada acima e conduzido ao fundo, Pilatos saiu para a sacada; foi dado um toque de trombeta, para chamar a atenção do povo, a que Pilatos queria falar. Disse, pois, aos príncipes dos sacerdotes e a todos os presentes: “Escutai, vou mandá-Lo conduzir mais uma vez para diante de vós, para que conheçais que não Lhe achei culpa alguma”.


Jesus foi então conduzido pelos soldados à sacada, ao lado de Pilatos, de modo que todo o povo reunido no fórum podia vê-Lo. Era um aspecto terrível, pungente, que primeiro causou no povo horror e penoso silêncio. O Filho de Deus ensangüentado dirigiu os olhos cheios de sangue, sob a coroa de espinhos, para o povo e Pilatos, que, ao lado, indicando-O com a mão, gritou aos judeus: “Eis aqui o Homem!”

Enquanto Jesus, com o corpo dilacerado, coberto do manto vermelho derrisório, abaixando a cabeça traspassada de espinhos e inundada de sangue, segurando nas mãos atadas o cetro de caniço, curvado para cobrir a nudez com as mãos, aniquilado pela dor e tristeza, mas ainda respirando infinito amor e mansidão, estava diante do palácio de Pilatos, como um aspecto sangrento, exposto aos gritos furiosos dos sacerdotes e do povo, passaram pelo fórum grupos de forasteiros, homens e mulheres, com as vestes arregaçadas, em direção à piscina das Ovelhas, para ajudar a lavar os cordeiros da Páscoa, cujos balidos tristes se misturavam com os clamores sanguinários da multidão, como para dar testemunho em favor da Verdade, que se calava. Somente o verdadeiro cordeiro pascal de Deus, o revelado, mas não conhecido mistério desse santo dia, cumpriu a profecia e curvou-se em silêncio sobre o matadouro.

Os sumos sacerdotes e os membros do tribunal ficaram cheios de raiva pelo aspecto de Jesus, espelho horrível de sua consciência e gritaram: “Morra! Crucificai-O!” Pilatos, porém, exclamou: “Ainda não vos basta? Ele foi tão maltratado, que não terá mais desejo de ser rei”. Eles, porém, se tornaram ainda mais furiosos, gritando como dementes e todo o povo repetia: “Deve morrer. Crucificai-O!” Então mandou Pilatos dar outro toque de trombeta e disse: “Pois tomai-O e crucificai-O vós, porque não Lhe acho culpa”. Responderam-lhe alguns dos príncipes dos sacerdotes: “Temos uma lei e segundo essa lei Ele deve morrer, porque declarou ser o Filho de Deus!” Pilatos replicou: “Pois se tendes tais leis, segundo as quais este homem deve morrer, eu não queria ser judeu”.


Mas o dito dos judeus: “Ele se declarou Filho de Deus” inquietou Pilatos e suscitou-lhe de novo o pavor supersticioso; mandou, pois, conduzir Jesus a um lugar separado, onde Lhe perguntou: “Donde és?” Jesus, porém, não lhe respondeu. Disse-lhe então Pilatos: “Não me respondes? Por ventura não sabes que tenho o poder de crucificar-Te ou de soltar-Te?” E Jesus respondeu: “Não terias poder sobre mim, se não te fosse dado do Céu; por isso comete pecado mais grave aquele que me entregou em tuas mãos”.

Cláudia Prócula, que estava muito angustiada pela hesitação do marido, mandou novamente um mensageiro a Pilatos mostrar-lhe o penhor e lembrar-lhe a promessa; ele, porém, lhe mandou uma resposta muito confusa e supersticiosa, da qual me lembro apenas que se referia aos deuses.

Quando os príncipes dos sacerdotes e os fariseus tiveram conhecimento da intervenção da mulher de Pilatos em favor de Jesus, mandaram espalhar entre o povo: “Os partidários de Jesus subornaram a mulher de Pilatos; se Ele ficar livre, unir-se-à aos romanos e nós todos pereceremos”.

Pilatos, na indecisão, estava como embriagado; a razão vacilava-lhe de um lado para outro. Disse uma vez aos inimigos de Jesus que não Lhe achava culpa. Mas vendo que esses, com mais vigor ainda, exigiram a morte de Jesus e inquieto pelos seus próprios pensamentos confusos, como pelos sonhos da mulher e as palavras significativas de Jesus, queria ouvir mais uma resposta do Senhor, que o pudesse tirar dessa situação penosa.


Voltou portanto à sala do tribunal, onde estava Jesus e ficou a sós com Ele. Com um olhar perscrutador e quase medroso, fitou o Salvador desfigurado e ensangüentado, para quem não podia olhar sem horror e pensou comigo: “Será possível que seja um Deus?” e de repente se Lhe dirigiu com energia, conjurando-O a dizer-lhe se era um deus e não um homem, se era rei, até onde se Lhe estendia o reino, de que espécie era a sua divindade. Se lho dissesse, dar-Lhe-ia a liberdade.


– O que Jesus respondeu, posso dizê-lo só pelo sentido, não com as mesmas palavras. O Senhor falou-lhe com terrível severidade. Fez-lhe ver em que sentido era rei e qual o seu reino; mostrou-lhe o que era a verdade, pois disse-lhe a verdade. Nosso Senhor revelou-lhe, com toda a franqueza, os abomináveis crimes que Pilatos ocultava na consciência; predisse-lhe o futuro, a miséria no exílio, o fim horroroso e que Ele um dia viria julgá-lo com toda a justiça.


Pilatos, meio assustado, meio irritado pelas palavras de Jesus, saiu para a sacada e exclamou mais uma vez que queria soltar Jesus. Então gritaram: “Se o soltares, não és amigo de César; pois quem se declara rei, é inimigo de César”. Outros gritaram que o acusariam perante o imperador por perturbar-lhes a festa; que devia terminar a causa, porque eram obrigados, sob graves penas, a estar no Templo às dez horas.


– O grito: “Morra! Crucificai-O!” levantou-se novamente de todos os lados; subiram até sobre os tetos planos das casas em redor do fórum e gritavam dali.

Então viu Pilatos que contra essa fúria não conseguiria nada; os gritos e o tumulto tinham algo de terrível e toda a multidão diante do palácio estava em tal estado de agitação, que era para recear uma rebelião. Pilatos mandou trazer água; o criado derramou-lhe água da bacia sobre as mãos, à vista de todo o povo e Pilatos gritou do pretório à multidão: “Sou inocente do sangue deste justo; vós tendes que responder pela sua morte”. Então se levantou um grito horrível, unânime, do povo reunido, no meio do qual havia gente de todos os lugares da Palestina: “Que o seu sangue caia sobre nós e nossos, filhos!”

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