O Sacrifício Perfeito - 21 de Fevereiro de 2013
Reflexão para o Tempo da Quaresma
fonte : http://www.catequisar.com.br/
English Version - "The Perfect Sacrifice" - Saint Augustine - click here
“O Sacrifício visível é o sacramento do sacrifício invisível”.
(Santo Agostinho)
Na Quinta que precede a morte do Senhor, lemos nos Santos Evangelhos como Jesus reune os seus discípulos, para lhes fazer entender o seu ato de amor - o sacrifício
perfeito. Na Santa Missa que Ele mesmo instituiu "esse sacrifício se repete, de maneira incruenta, isto é, sem derramamento de sangue. Sacrifício
em que Jesus oferece seu Corpo e Sangue."
Após aquela Ceia – misteriosa
Ceia em que homens se alimentam de Deus – Jesus foi para o Horto das Oliveiras.
Foi rezar. Como homem, foi preparar-se para o sacrifício cruento, em que seu
Sangue (já oferecido) seria derramado até a última gota. É a cena da agonia no
Horto.
E ali, enquanto Pedro, Tiago e João dormiam, Ele foi tomado de
angústia mortal, chegando a pedir ao Pai que, se fosse possível, o livrasse
daquele cálice de amargura, acrescentando, porém, "não se faça a minha vontade,
e sim, a tua" – ensinando-nos como se deve rezar.
Então, um anjo o
confortou. Mas, apesar disso, "seu suor se fez como gotas de sangue, correndo
sobre a terra" (Lc 22, 24). É um fenômeno que em linguagem técnica chamamos
"hematidrose", consiste em intensa vasodilatação dos capilares subcutâneos.
Distendidos ao extremo, rompe-se em contato com milhões de glândulas
sudoríparas. O sangue se mistura com o suor, e esta mescla poreja por toda a
superfície do corpo.
A hematidrose é provocada por intenso abalo moral,
"seguido de profunda emoção e grande medo". Depois de uma prova destas, a pele
adquire extrema sensibilidade ao sofrimento. Assim, Jesus preparou-se, de fato,
para ser, no dia seguinte, o homem das dores. Alem disso, duas seitas
religiosas, inimigas entre si, abertamente hostilizavam Jesus.
Os
fariseus, conhecidos por seu formalismo, detestavam Aquele que, por mais de uma
vez, os desmascarara, chamando-os de hipócritas. E desejavam a independência do
país, pela qual Jesus não demonstrava grande interesse.
Os sacudeus
davam-se bem com o governo, que lhes proporcionava favores. Por isso, também,
para eles, Jesus não era o Messias ideal. Para estes, por sua doutrina, Jesus
era revolucionário, perturbador da ordem.
Essas duas seitas eram
minoritárias. Mas, com habilidade, a massa popular é facilmente conduzida. E foi
o que aconteceu. Esta situação histórico-política, este fundo social e
psicológico constituíram o cenário onde se desenrolou o drama da Paixão – sempre
exatamente de acordo com tudo o que fora predito. .
Judas, com um beijo,
entrega o Senhor. Pedro, o escolhido pelo Mestre para ser o chefe, nega-o três
vezes – para, depois de um olhar de Jesus, chorar amargamente.
Jesus é
levado a Anás. Este o passa para Caifás. Daí, vai ao tribunal de Pilatos. Enfim,
nada há contra Ele. É mandado a Herodes, que o devolve a Pilatos. Mas de que o
acusam? Se o pretexto religioso não interessa aos julgadores, troca-se o motivo.
Já não se trata de religião, mas de política. Ele disse ser o "rei dos judeus".
Aí está. Podem condená-lo. Pilatos pergunta-lhe o que é a Verdade e,
levianamente, volta-se sem esperar a resposta.
E, já que é rei, Jesus é
coroado – com uma coroa de espinhos. Como cetro, dão-lhe uma cana. É despido,
esbofeteado, cuspido. "Deram-lhe a beber vinho com fel", que produzia torpor com
diminuição da sensibilidade ao sofrimento. Mas Ele "não quis beber".
Na
véspera, no Horto, a Vítima não se preparara para ser, depois, anestesiada.
"Toda a cabeça esta enferma, e todo o coração abatido. Desde a planta do pé até
ao alto da cabeça, não há nele nada são; tudo é ferida, e uma contusão, e uma
chaga intumescida, que não está ligada, nem se lhe aplicou remédio para a sua
cura, nem foi suavizada com óleo". (Is 1, 6).
Beberia seu cálice até o
fim. Porque nossos pecados são muitos.
Entre Jesus e Barrabás, a
multidão, manobrada, escolhe o criminoso. Jesus é crucificado. Entre dois
ladrões. É morto e sepultado. Fora da cidade. Segundo detalhada narração dos
quatro Evangelistas. (Mateus cap. 27)- (Marcos cap. 15) - (Lucas cap. 23) -
(João cap. 19)
Comparem-se, agora , os trechos dos Evangelhos com estes,
do Antigo Testamento:
Salmo 21 - "Oh Deus, Deus meu, por que me
desamparastes? (...) Todos os que me vêem escarnecem de mim. (...) Uma turba de
malfeitores me cerca. Traspassaram as minhas mãos e os meus pés. (...) Repartem
minhas vestes e lançam sortes sobre minha túnica."
Isaías 50, 6 - "Não
voltei o meu rosto aos que me ofendiam e cuspiam".
Isaías 53 - "Ele não
tem beleza, nem formosura, e vimo-lo e não tinha parecença do que era, e por
isso não fizemos caso dele. Ele era desprezado e o último dos homens, um homem
de dores e experimentado nos sofrimentos; e o seu rosto estava encoberto; era
desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.
Verdadeiramente, ele
foi o que tomou sobre si nossas fraquezas (e pecados), ele mesmo carregou as
nossas dores; e nós o reputamos como um leproso e como um homem ferido por Deus
e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado
por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre
ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados
como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre
ele a iniquidade de todos nós.
Foi oferecido (em sacrifício), porque ele
mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, e
como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu sequer a
boca" (....) "entregou a sua vida à morte, e foi posto no número dos
malfeitores, e tomou sobre si os pecados de muitos, e intercedeu pelos
pecadores".
Confirmando ser o "rei dos judeus", Jesus confessou-se o
Messias prometido, o Cristo, o Salvador. Na verdade, por ser o Filho de Deus,
Ele foi condenado. "Ele deve morrer porque se declarou Filho de Deus" (Jo 19,
8).
No alto do Calvário, o Cordeiro de Deus ofereceu o Sacrifício
perfeito. Sacrifício de valor universal, para resgate de todos os homens, de
todos os tempos. "Há um só Deus e um só medianeiro entre Deus e os homens, o
Cristo Jesus feito carne que se entregou ele próprio como resgate, por todos"
(1Tm 2, 5-6).
E entregou-se por todos os pecados: o original e todos os
outros. "Jesus entregou ele próprio por nós, para nos remir de qualquer
iniquidade" (Tt 2, 14). Para nos remir, desde Adão até o último homem (Hb 9,
15).
Se todos nós, inclusive Maria, sua Santa Mãe, os apóstolos e os santos
podemos, após a morte, reencontrarmo-nos com Deus, devemos isso, exclusivamente,
ao sacrifício de Jesus. Por alto preço fomos comprados.
Despido para nos
vestir da graça, morto para nos dar a vida, Sacerdote e Vítima, Ele mesmo se
ofereceu. Ofereceu-se a si mesmo, Sacerdote coberto pelo próprio Sangue, de
braços abertos no mais completo Ofertório, de braços abertos na mais perfeita
oblação.
De seu lado ferido jorrou sangue e água. Daquela fonte de água
viva (prometida à samaritana), jorrou o sangue redentor. A terra foi lavada. E
uma semente brotou. Nasceu a Igreja. Para permanecer "até o fim dos tempos".
Perpetuando a Paixão. Agora, de modo incruento. "Na tranquilidade." Na Paz que
Ele nos deu, na Esperança que nos deixou, no Amor que nos salva.
Mas é
preciso que participemos. Solidários na culpa de Adão, temos de ser solidários
com Cristo - para sermos salvos. "Aquele que te criou sem ti, sem ti não te
salvará", ensina Santo Agostinho.
Seremos "herdeiros de Deus e
co-herdeiros de Cristo, com a condição de sofrermos com Ele, para com Ele sermos
glorificados" (Rm 8, 17). "A fé sem obras é morta" (Tg 2, 17). E Deus
"retribuirá a cada um segundo as suas obras". (Rm 2, 6).
Crendo em Jesus
Cristo, sigamos o seu exemplo. "Querendo alguém ser meu discípulo, renuncie a si
próprio, tome a sua cruz e venha atrás de mim" (Mt 16, 24). Ele é o Caminho que
devemos seguir, a Verdade que devemos buscar, a Vida que nos salvará da morte
eterna.
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